A CONDUTA EMPRESARIAL DIANTE DA RESPONSABILIDADE SOCIAL

Michele Galdino Câmara[1]

Ana Patrícia Sousa e Silva[2]

 

 

RESUMO – Com a velocidade das crises sociais, aplicar soluções tradicionais já não sobrepõem aos problemas atuais. É quando as organizações inovam em estratégias para criar vantagens competitivas levando-as a adotarem, muitas vezes, estratégias equivocadas que podem fazer da responsabilidade social empresarial algo descartável, consideradas ações de mero modismo. Nesse sentido, as organizações precisam assimilar o sentido de assumir o papel de agente social, que além de poderosa ferramenta de gestão, deve fazer parte da cultura corporativa organizacional da empresa.

 

Palavras-chave: Responsabilidade Social Empresarial; estratégia; competitividade; conduta empresarial.

 

 

INTRODUÇÃO

 

O recuo do estado e seu tradicional e histórico papel em prover serviços básicos as populações, as graves críticas às políticas públicas marcadas por assistencialismo, a falta de recursos, a privatização dos serviços sociais, o aumento da violência urbana, e as práticas do crescimento econômico convencionais têm resultado em enormes custos ambientais e sociais.

            Para enfrentar esse grande desafio todos são imprescindíveis e co-responsáveis pelo bem estar social, governo, empresários e sociedade civil. O mundo muda numa velocidade que a maioria das pessoas não conseguem acompanhar. Já não se podem aplicar muitas das soluções tradicionais para os problemas atuais que surgem em decorrência dessas mudanças.

            Neste século as organizações apressam-se em criar novos meios de crescer e criar vantagem que atendam as necessidades dos clientes e as expectativas da sociedade, as empresas na sua constante busca do diferencial competitivo, reinventa novas e diferentes formas de administrar, que lhes assegure a permanência no mercado, passam então, a adotar estratégias para desenvolver projetos e abordagens inovadoras com princípios éticos e socialmente responsáveis.

            A R.S. pode ser vista como uma obrigação moral da gestão empresarial ou como resultado da pressão da sociedade organizada por políticas e legislações que protejam os direitos humanos, promovam melhores condições de trabalho e preservem o meio ambiente para as presentes e futuras gerações. Também pode ser conseqüência da melhoria observada no desempenho das empresas socialmente responsáveis. Além de maior eficiência operacional captação de novos segmentos de mercado e de redução de custos. Trata-se de uma oportunidade para inovar e uma estratégia para ganhar competitividade.

            Essa necessidade, entretanto, tem levado muitas empresas a adotarem estratégias equivocadas - quando não oportunistas – na intenção de demonstrarem para os deficientes públicos com os quais se relacionam, a preocupação com o papel que desempenham em favor das comunidades em que atuam, além de gerarem e pagarem impostos.

            Gradativamente, o mercado  e a própria sociedade começam a detectar que boa parte das ações não passa de estratégias de comunicação e marketing bem engendradas, pensados como o objetivo de criar valor e diferenciais competitivos à marca e imagem das corporações e de seus produtos.

            A verdade é que estamos vivendo um momento crítico nesse aspecto. A responsabilidade social empresarial corre o risco de se tornar um commodity descartável, como outros processos e ferramentas de gestão adotados de maneira oportunista e abandonados em pouco tempo em virtude de terem sido considerados meros modismos.

            Existe, hoje, muito marketing no sentido pejorativo do termo relativo a esse assunto. Como se isso não bastasse, as “pessoas” estão confundindo marketing com propaganda, promoção e, mais grave ainda, ambos os conceitos com cidadania corporativa, marketing social e outras vertentes que, apesar de interagirem entre si, são, na realidade processos distintos. Talvez por essa razão algumas empresas estejam extrapolando na comunicação, esquecendo-se daquilo que verdadeiramente importa: Os impactos sociais promovidos pelas ações.

            Um outro erro freqüente cometido pelas empresas é no sentido de confundirem investimento social privado com responsabilidade social. Por apoiarem apenas pontualmente uma entidade ou programa social, imaginam que serão vistas como socialmente responsáveis. Ledo engano. Uma empresa não é considerada cidadã somente por apadrinhar ou financiar um determinado projeto, principalmente em se tratando de campanhas de curta duração. Uma empresa que se diz cidadã deve sê-la nas 365 dias do ano, não quando somente lhe convier ou para justificar um discurso pretensamente social.

            É preciso compreender, que há muito, ainda a ser feito e assimilado, principalmente no sentido de que as empresas assumam de vez, o papel de agentes sociais no processo de desenvolvimento, compreendendo que a responsabilidade social, muito mais que uma poderosa ferramenta de gestão ou de fortalecimento de imagem, deve estar presente no “DNA” corporativo e ser principalmente, uma vocação empresarial visando traduzir-se acima de qualquer interesse, na fiel expressão de fazer do Brasil uma nação justa, com menos desigualdades e, sobretudo, mais solidária.  

 

CONCLUSÃO

Buscou-se que este artigo proporcionasse, de forma sintética, mas objetiva a conscientização das organizações no cuidado em conduzir o papel de agentes da responsabilidade social, para que não passe de meras ações passageiras, pois, além de ser um construtor de imagem o marketing cultural é um compromisso da empresa com a sociedade proporcionando retorno institucional, comercial e cultural projetando a imagem positiva da empresa junto a clientes, consumidores e público em que valoriza a marca associando-a a um produto nobre, e oferece ao público espetáculos de qualidade que retratam e ajudam a manter viva a cultura do povo brasileiro.

 

ABSTARCT – With the speed of the social crises, to apply traditional solutions already they do not overlap to the current problems. It is when the organizations innovate in strategies to create competitive advantages taking them to adopt it, many times, make mistakes about some strategies, it can do the enterprise social responsibility something dismissible, considered action of some model. This way the organizations need to assimilate the direction to assume the role of social agent, who beyond powerful tool of management, must be part of the organizational corporative culture of the company.

 

Key-words: Enterprise Social Responsibility; strategy; competitiveness; enterprise behavior.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

ACIGLER, Lílian. Responsabilidade social na cadeia logística: uma visão integrada para o incremento da competitividade.  São Paulo: Atlas, 2002.

CAMARGO, Mariângela Franco et alii. Gestão do Terceiro Setor no Brasil. 2. ed. São Paulo: Futura, 2001.

FÉLIX, Luiz Fernando. Responsabilidade social evolução e tendência: o ciclo virtuoso do desenvolvimento responsável. São Paulo: Futura, 2001.

MELO NETO, Francisco Paulo de; FROES, César.   Gestão. Rio de Janeiro: Quality Mark, 2001.

 

Endereços eletrônicos consultados:

http://www.filantropia.com.br

Filantropia.org – O portal do Terceiro Setor.

http://www.fonte.org.br

Instituto Fonte – Práticas Sustentáveis de Gestão

http://www.greenpeace.org.br

Greenpeace.

http://academiasocial.org.br

Academia de Desenvolvimento Social.

           



[1] Bacharel em Turismo e Mestranda do PEP - Programa de Engenharia de Produção da UFRN. E-mail: michele.abehturn@ibest.com.br

[2] Bacharel em Turismo e Mestranda do PEP - Programa de Engenharia de Produção da UFRN. E-mail: a.patrícia@falnatal.com.br