INFLUÊNCIA DOS PRAZOS DE PAGAMENTO
DE COMPRAS, RECEBIMENTO DE CLIENTES E DE ESTOCAGEM NO RESULTADO FINAL DAS
VENDAS DE MERCADORIAS.
Autores:
Rodney Wernke (Contador, Doutor em Engenharia de
Produção/UFSC, Professor no curso de Administração da UNISUL).
Jamilson Pinto de Medeiros (Físico, Doutor em
Física, Professor dos cursos de Administração, Ciências Contábeis da Faculdade
de Natal).
E-mails: jamilsonmedeiros@falnatal.com.br,
jamilsonmedeiros@bol.com.br
Resumo
O artigo evidencia a importância do conhecimento
dos efeitos ocasionados pelos prazos de pagamento das compras, recebimento das
vendas e estocagem de produtos no resultado final das vendas de mercadorias.
Após breve revisão da literatura enfocando os conceitos ligados ao tema,
mediante diversos exemplos numéricos são enfocadas as quatro principais
modalidades de negociação, ou seja: (i) compra a vista e venda a vista; (ii)
compra a vista e venda a prazo; (iii) compra a prazo e venda a vista e (iv)
compra a prazo e venda a prazo. Adicionalmente demonstra-se como escolher entre
alternativas de compras ofertadas por fornecedores de insumos, quer a vista ou
em opções com prazos distintos.
Palavras-chave: prazo de compras, estocagem de
produtos, compra e venda a vista e a prazo.
Abstract
The article evidences the importance of the knowledge
of the effects caused by the periods of payment of the purchases, greeting of
the sales and stock up of products in the result end of the sales of goods.
After brief revision of the literature focusing the concepts linked to the
theme, by means of numeric examples the four main negotiation modalities are
focused, that is to say: (i) purchase in cash and sale in cash; (ii) purchase
in cash and sale to period; (iii) purchase to period and sale in cash and (iv)
purchase to period and sale to period. Additionally is demonstrated as to
choose among alternatives of purchases presented by suppliers of inputs, in
both of the payments options, purchase in cash or in options with different
periods.
Word-key: period of purchases, stock up of products,
purchase and sale in cash and to period.
INTRODUÇÃO
Nos dias atuais os processos mercantis de compra
e venda de mercadorias podem ser considerados como os de maior relevância no
contexto das organizações empresariais que visam lucro, independentemente do
porte ou segmento de atuação.
No campo da compra, tal afirmativa é confirmada
pela constatação de que ao adquirir mercadorias por preços elevados, os
comerciantes têm dificuldades de vendê-las ou de obter lucro na negociação.
Além disso, há o aspecto da estocagem dos produtos adquiridos por determinado
período, que acarreta em gastos com a manutenção do inventário em termos de
salários e encargos do pessoal envolvido, área física ocupada e custos financeiros
oriundos do investimento realizado para obter a propriedade das mercadorias e
sua permanência em estoque até a data da comercialização.
Pelo prisma da venda podem ser lembrados dois
aspectos convenientes que acentuam a
importância deste processo. O primeiro reside no fato que há um acirramento da
concorrência mercadológica que vem reduzindo continuamente as margens de lucro
dos preços de venda. Com isso, diminuíram as possibilidades de repasse dos
custos e despesas do vendedor aos preços praticados, obrigando os gestores a
dispensar mais atenção ao controle de gastos e à otimização do processo
produtivo.
O segundo aspecto
é a preferência cada vez maior pelo quesito “preço” como fator preponderante na
decisão de compra dos consumidores. Nesta direção, Clancy (2003, p. 23) afirma
que “em dois terços de todas as categorias de produtos, o preço baixo vem se
tornando mais importante do que suas características”. Ele ainda complementa
que a referida estatística abrange o mercado americano, mas a
considera aplicável ao mercado mundial em função da economia globalizada que
ora se verifica. Comprovando essa expectativa, dois estudos recentes atestam
que essa tendência se verifica também no Brasil:
a)
a
pesquisa de mercado realizada pelo instituto de pesquisas e análise de mercados
AC Nielsen, apresentada no final de março de 2001, revela que apenas 2% dos
brasileiros das classes A, B, C, D, e E são influenciados pela marca na hora de
encher o carrinho do supermercado. O que pesa mais na escolha são os preços,
responsáveis por 41% das decisões de compra; seguido pela publicidade com 29%
(Caruso, 2001, p. 62);
b)
uma
pesquisa realizada pela faculdade de Administração da PUC paulista, no primeiro
trimestre de 2003, demonstrou que na opinião de 65% das empresas consultadas
não é a marca, e sim o preço, que move a decisão de compra dos consumidores
(Blecher, 2003, p.105).
Portanto, cabe aos gestores atentar para as
peculiaridades dos processos de compra e venda e gerenciá-los da melhor forma
possível. Um dos aspectos que devem ser observados pelos administradores
relaciona-se aos prazos envolvidos na compra e venda de mercadorias. Ou seja, o
prazo de pagamento das compras obtido junto aos fornecedores, o prazo de
estocagem das mercadorias e o prazo de recebimento dos clientes da empresa.
Assim, com o objetivo de mostrar a influência que
esses prazos têm no resultado final das vendas realizadas, bem como enfatizar a
importância de se conhecer os custos financeiros associados às transações de
aquisição e venda de mercadorias, este artigo expõe acerca dos procedimentos
necessários e dos pontos que devem ser analisados nas principais formas de
negociação existentes. Para tanto, inicialmente faz-se uma breve revisão da
literatura enfocando os conceitos empregados ao longo do texto. Em seguida,
mediante exemplos numéricos, são apresentadas as quatro principais modalidades
de combinação de prazos de compra e venda de mercadorias, evidenciando os
fatores envolvidos, as equações aplicáveis a cada caso e são comentados os
resultados oriundos das situações dissecadas.
REVISÃO
DA LITERATURA
Para a adequada gestão dos processos
de compra e venda de mercadorias o entendimento dos principais conceitos
associados ao Ciclo Operacional e ao Ciclo Financeiro da empresa é necessário.
Assaf Neto (2003, p.455) afirma com segurança que o Ciclo Operacional da
empresa é formado por todas as fases de suas atividades operacionais. Tal
raciocínio é exemplificado citando que “o ciclo operacional completo, no caso
de uma empresa industrial, inicia-se com a aquisição das matérias-primas, passa
pela armazenagem, produção e venda e desemboca no efetivo recebimento das
vendas realizadas”. Em relação ao Ciclo Financeiro, tal autor (op. cit. p. 456)
defende que este ciclo “identifica as necessidades de recursos da empresa, que
ocorrem desde o momento do pagamento aos fornecedores até o efetivo recebimento
das vendas realizadas.”
Por sua vez, Santos (2001, p.16)
defende com razões e argumentos que o Ciclo Operacional de uma indústria, por
exemplo, abrange “a seqüência de atividades de compra de matérias-primas,
pagamento aos fornecedores, produção, estocagem, venda e recebimento das
vendas”. Quanto ao Ciclo Financeiro, menciona que
é o intervalo de tempo entre os eventos financeiros
ocorridos ao longo do ciclo operacional, representado pelo pagamento a
fornecedores e pelo recebimento das vendas. No caso da indústria, supondo que a
fabricação comece imediatamente após a compra da matéria-prima e que a venda
seja realizada após a fabricação, o ciclo financeiro é calculado com base no
prazo de fabricação e nos prazos de pagamento de compras e recebimento das
vendas. (SANTOS, 2001, p.17).
Os diversos fatores componentes do
Ciclo Operacional e do Ciclo Financeiro podem ser agrupados ou associados às
compras, estocagem e vendas de mercadorias.
No âmbito das compras, o administrador
financeiro deve analisar a conveniência do prazo obtido para pagar os
fornecedores. Padoveze (1994, p.139) registra que o prazo médio de pagamento
pode ser calculado pela fórmula constante da figura 1, que utiliza dados
oriundos das demonstrações contábeis.
Figura 1 – Prazo Médio de Pagamento (adaptado de Padoveze, 1994)
Cabe salientar que o gestor da área financeira deve
considerar na negociação de prazos com os fornecedores, as políticas de comercialização
adotadas pela entidade. Nesse caso, conforme Lemes Jr. (2002, p.475) “deve-se procurar sempre adquirir os bens em
prazos que sejam, pelo menos, iguais aos oferecidos aos clientes. Assim, se a
empresa vende a prazo, deve procurar comprar a prazo, de forma que seu prazo
médio de recebimento seja menor ou igual ao prazo médio de pagamento”.
Essa seria uma situação ideal que, infelizmente, tem ocorrência pouco freqüente. Dentre
os fatores que contribuem para tal dificuldade figura o período de estocagem
dos materiais ou mercadorias.
Os estoques podem ser definidos como “os materiais,
mercadorias ou produtos mantidos fisicamente disponíveis pela empresa, na
expectativa de ingressarem no ciclo de produção, de seguir seu curso produtivo,
ou de serem comercializados ” (ASSAF NETO, 2003, p.520).
Gitman (2001, p.532) ressalta a importância do
controle dos Estoques ao mencionar que os mesmos representam um investimento
significativo para a maioria das empresas e permitem a produção e venda com um
mínimo de distúrbios operacionais.
No mesmo sentido, Warren et al (2001, p.245)
asseguram a relevância da gestão dos itens inventariáveis ao mencionarem que a
rotatividade de estoques é uma das medidas não financeiras de desempenho mais
utilizadas. Comentam que estudo sobre indicadores não financeiros publicado no Journal of Cost Management (EUA) em
1992, evidenciou que cerca de 82% das empresas pesquisadas calculavam o índice
de rotação de estoques.
Por outro lado, manter estoques, independentemente
do tipo, implica em custos de estocagem. Atkinson et al (2000, p. 429)
argumentam que “os custos de estocagem não são gerados apenas pela produção em
lotes, mas também pelas demoras associadas à armazenagem e à movimentação de
estoques. Isso aumenta o tempo de ciclo e reduz, desse modo, o serviço prestado
ao cliente”.
Lemes Jr. (2002, p.471) comentam que os custos relacionados
aos estoques compreendem três categorias: custos de manter, comprar ou repor e
de faltar estoque. Como custos de manter estoques consideram-se o investimento
aplicado, armazenagem, transferência, impostos, seguros, perdas, controle e
desuso. Quanto aos custos para comprar ou repor estoques relacionam-se à
pesquisa de preços; comunicações, negociação com fornecedores de bens e
serviços, emissão das ordens de compra, recepção e conferência dos produtos
comprados e devoluções ocasionais. No que concerne aos custos relativos à falta
de estoques, salientam que acarretam conseqüências como a perda de vendas
(atuais ou futuras) e o desgaste de imagem perante concorrentes, dentre outras.
Conforme Zdanowicz (1995, p.119), a manutenção de grande
volume de estoques implica em custos financeiros para as empresas. Tal autor
comenta que dentre os fatores negativos da manutenção de níveis desnecessários
de estoques destacam-se:
a) custos de
capital: decorrem de inventários e de imobilizações em máquinas e equipamentos
da empresa;
b) custos do espaço
ocupado: incorrem a partir de depreciações, manutenção, conservação,
arrendamento mercantil, aluguéis, bem como os custos do pessoal envolvido;
c) os custos de
serviços de estocagem: consistem nos impostos, seguros, mão-de-obra utilizada,
registros e contabilização destes itens, além do risco de possíveis furtos,
danos ou deterioração dos estoques;
d) risco de
estocagem: em termos da queda de preços, modificações e obsolescência dos itens
estocados.
Quanto aos fatores relacionados às vendas, é
salutar que os gestores atentem para o prazo de recebimento, que
é o período concedido ao cliente
para efetuar o pagamento do compromisso assumido. O tempo estipulado para o
pagamento decorrente da concessão do crédito é condição tão importante quanto a
concessão do crédito em si. É fator considerado na tomada de decisão tanto por
quem pleiteia o crédito como para quem está analisando a sua concessão. [...]
Investir na concessão de crédito representa ter disposição de assumir os custos
visando benefício futuro, ou seja, rentabilidade; portanto, quanto maior o
prazo concedido, maior o tempo do investimento e, conseqüentemente, maiores os
custos do investimento. (LEMES JR., et al, 2002, p.445)
Padoveze (1994, p. 138) registra que por intermédio
dos dados constantes do Balanço Patrimonial (BP) e da Demonstração de
Resultados (DRE) de uma entidade é possível determinar o Prazo Médio de
Recebimento (PMR). Este indicador proporciona um “parâmetro de quanto tempo, em
média, a empresa demora para receber suas vendas diárias”. A fórmula para
determinação do Prazo Médio de Recebimento (PMR) é exemplificada na figura 2.

Figura 2 – Cálculo do Prazo Médio de Recebimento
(adaptado de Padoveze, 1994)
As próximas seções abordam o tratamento que deve
ser dispensado aos prazos relacionados aos fatores que influenciam no resultado
das vendas.
1.
Efeitos dos prazos de pagamento das compras,
recebimento das vendas e de estocagem no resultado das vendas de mercadorias
Com o intuito de evidenciar os
procedimentos necessários para fundamentar corretamente as decisões de compra e
venda de mercadorias, levando em conta os prazos de estocagem, pagamento das
compras e recebimento das vendas, com base na obra de Assaf Neto (2003, p. 525)
são comentadas as quatro principais modalidades de negociação com as quais os
administradores se deparam no dia a
dia: (1) compra a vista e venda a vista; (2) compra a vista e venda a
prazo; (3) compra a prazo e venda a vista e (4) compra a prazo e venda a prazo.
Inicialmente aborda-se a situação
envolvendo compra e venda de mercadorias a vista, conforme consta da seção
seguinte.
1.1.Compra a
vista e venda a vista
A hipótese em que a empresa faz a aquisição do lote
de mercadorias pagando na condição “a vista” e efetua a venda destas também “a
vista” pode ser visualizada através da figura 3.
Compra Recebimento da
mercadoria Venda a vista
![]()
Pagamento a vista
Recebimento
da venda
dc de, dp dv,dr
dc = data da compra
de = data da entrada da mercadoria no
estoque
dp = data de pagamento da compra
dv = data da venda
dr = data de recebimento da venda
Figura
3 – Compra a vista e venda a vista.
Em tal contexto podem ocorrer duas situações
distintas: (i) venda sem permanência da mercadoria em estoque (ou seja, venda
no mesmo dia da compra) e (ii) venda após um determinado período de estocagem.
No primeiro caso, menos freqüente no ambiente
mercadológico atual, em função da mercadoria não ficar estocada a entidade não
tem custo financeiro algum com essa operação de compra e venda. Neste caso,
conforme Assaf Neto (2003, p.527), para determinar o resultado da venda, basta
deduzir do preço de venda a vista o custo de compra da mercadoria também a
vista. Então, para calcular o resultado final da venda utiliza-se a equação:
RVdr = PVVdv – CMVVdp, onde:
RVdr = resultado da venda na data
de recebimento da venda
PVVdv = preço de venda a vista na
data da venda
CMVVdp = custo de compra (a vista)
da mercadoria vendida.
Porém, a ocorrência mais rotineira é a
da venda após a mercadoria permanecer estocada por alguns dias. A permanência
em estoque implica que a empresa terá que suportar o custo financeiro da
manutenção deste estoque no período, diminuindo o resultado final da venda dos
produtos. Assim, para lucrar com tal negociação o preço a ser cobrado do
cliente deve cobrir o custo de compra da mercadoria vendida e os encargos
financeiros de mantê-la estocada por determinado
prazo, sendo necessário aplicar uma taxa de marcação sobre o valor da
mercadoria.
Deduz-se então, que a empresa lucrará na venda somente se o
custo financeiro do estoque somado ao custo de compra for inferior ao preço de
venda a vista. Portanto é necessário calcular o valor do custo financeiro
máximo que a empresa pode suportar.
Nesse caso, segundo
Assaf Neto (2003, p.527), a fórmula a ser utilizada deve considerar também o
prazo de estocagem, ou seja:
![]()
RVdr = resultado da venda na data
de recebimento da venda
PVVdv = preço de venda à vista na
data da venda
kc = custo de captação de recursos
pe = prazo de estocagem
Para facilitar o entendimento faz-se
uso de exemplo numérico com os seguintes fatores:
-
custo de compra da
mercadoria a vista (CMVVdp): R$ 10.000
-
preço de venda da
mercadoria a vista (PVVdv): R$ 12.800 Þ 128% do CMVVdp
-
período de estocagem
(pe): 90 dias ou 3 meses
Análises: 1) Para PVVdv = 128% CMVVdp
(1+ kc)n = 1,28
kc será maior quanto menor for o prazo
de estocagem (pe), ou seja, kc é inversamente
proporcional ao prazo de estocagem.
Considerando pe = 3 meses
como sendo o prazo crítico da estocagem da mercadoria, teremos:
kc = 8,57670% ao mês
Para pe > 3 meses Þ kc <
8,57670% ao mês
O
valor máximo da captação de recursos (kc) será quando n for menor
período de estocagem. Para pe = 1 dia = 1/30 mês
1+ kc = 1,2830 kc = 1644,5 = 164450% ao mês
Vê-se
que para um tempo de estocagem pequeno a captação de recursos é
exorbitantemente grande, não condizente com a realidade. Neste caso é mais
conveniente diminuir o preço de venda. Supondo PVVdv = 110% CMVVdp (menor valor
permitido)
Þ kc = 16,45 =
1645% ao mês
Observa-se
que para esta situação mínima de estocagem é inviável na realidade obter esta
grande captação de recursos, mesmo diminuindo o valor do preço de venda. Isto reflete em dizer que podemos ampliar o
prazo de estocagem e assim obter uma considerável captação de recursos,
conforme demonstrado abaixo:
a) Para pe = 10 dias = 1/30
mês Þ kc = 109,7152% ao mês
b) Para pe = 15 dias = ½ mês Þ kc = 63,84% ao
mês
c) Para pe = 1 mês Þ kc = 28% ao mês
d) Para pe = 3 meses Þ kc = 8,57670 % ao mês
Portanto
observa-se que até 10 dias de estocagem de mercadoria pode-se obter uma
captação de recursos em torno de 110%.
Assim
para PVVdp = 128% do CMVVdp teremos:
1/3 mês £ pe
£ 3 meses
8,6% ao mês £ kc £ 110% ao mês
2) Para 110% CMVdp £ PVVdv
£
128% CMVVdp
Para n =10 dias Para n = 10 dias
kc
= 33,1% ao mês
kc = 110% ao mês
Para n = 3 meses = 90 dias Para n = 3 meses = 90 dias
kc
= 3,23% ao mês
kc = 8,58% ao mês
Assim para 10 dias £
pe £ 90 dias
3,22% ao mês £ kc £ 110% ao mês
Então
para 110% CMVdp £ PVVdv £ 128% CMVVdp
33%
ao mês £ kc £ 110% ao mês - Para n = 10
dias
3,22%
ao mês £ kc £ 8,58% ao mês - Para n =
90 dias = 3 meses
Supondo
110% CMVdp £ PVVdv £ 128% CMVVdp
Para n =10 dias Para n = 10 dias
kc = 119,7% ao mês kc = 237,5% ao
mês
Para n = 3 meses = 90 dias Para n = 3 meses = 90 dias
kc = 9,14% ao mês kc = 14,47% ao
mês
Assim
para 10 dias £ pe
£ 90 dias
9,14%
ao mês £ kc £ 237,5% ao mês
Então
para 128% CMVdp £ PVVdv £ 150% CMVVdp
119,7%
ao mês £ kc £ 237,5% ao mês - Para n =
10 dias
9,14%
ao mês £ kc £ 14,47% ao mês - Para n =
90 dias = 3 meses
O resultado da venda envolvendo os
itens mencionados pode ser expresso pela equação:
( 1 + kc )pe = [
PVVdv / CMVVdp ]
( 1 + kc )3 = [ 12.800 / 10.000 ]
( 1 + kc )3
= 1,280000
kc = [ ( 1,280000
)1/3 ] –1
kc = [ (
1,280000 )0,333333... ] – 1
kc =
0,0857670 ou 8,57670% ao mês
O resultado da fórmula (8,57670% ao mês) expressa o
custo de captação de recursos máximo para que a venda nas condições do exemplo
citado não implique em prejuízo, conforme demonstrado a seguir:
(a) Preço de venda: R$ 12.800
(b) Custo de compra da mercadoria vendida: R$ 10.000
(c) (a - b) Lucro bruto (antes
das despesas financeiras): R$ 2.800 (R$
12.800 – R$ 10.000)
(c) Despesas financeiras: R$ 2.800 (considerando CMV *
[ ( 1 + kc )pe – 1 ] , onde CMV = R$ 10.000, kc = 8,57670% ao mês
e pe = 3 meses)
(d) Resultado final da venda: R$ 0,00 (Lucro bruto
menos Despesas financeiras pela estocagem por três meses).
Por outro lado, se a empresa conseguir capital por
taxa de juros mensais inferiores a 8,57670% obterá lucro na negociação.
Supondo-se, então, taxa de juros de 8,00% ao mês o resultado da venda será dado
por:
-
Lucro Bruto (Venda
menos Custo de compra da mercadoria vendida): R$ 2.800 (R$ 12.800 – R$ 10.000)
-
Despesas Financeiras:
R$ 2.597,12 (considerando CMV * [ ( 1 + kc )pe) – 1 ] , onde CMV = R$ 10.000, kc = 8,00% ao mês e pe = 3 meses)
-
Resultado final da
venda (lucro): R$ 202,88 (Lucro Bruto menos Despesas Financeiras oriundas do
prazo de estocagem do lote de produtos negociado, de 3 meses).
Ainda, na hipótese de captação à taxa de juros de
9,00% ao mês a venda implica em resultado negativo, ou seja:
-
Lucro Bruto (Venda
menos Custo de compra da mercadoria vendida): R$ 2.800 (R$ 12.800 – R$ 10.000)
-
Despesas Financeiras:
R$ 2.950,29 (considerando CMV * [ ( 1 + kc )pe) – 1 ] , onde CMV = R$ 10.000, kc = 9,00% ao mês e pe = 3 meses)
-
Resultado final da
venda (prejuízo): R$ -150,29 (Lucro Bruto menos Despesas Financeiras do período
de estocagem das mercadorias, de 3 meses).
Outra situação em que pode ser empregada tal
metodologia é para evidenciar a pertinência ou não da compra de lotes maiores,
que acarretam uma expansão no prazo de estocagem. Isso pode ocorrer, por
exemplo, quando o administrador tem a expectativa de uma alta nos preços dos
insumos e pretende adquirir quantidade superior de mercadorias que permanecerão
por período mais longo no estoque. Neste caso deve ser considerado o custo
financeiro adicional originado do aumento do prazo de permanência no
inventário.
Para efetuar o comentário, retome-se o
exemplo inicial, onde o custo de compra da mercadoria à vista era de R$ 10.000
e o seu respectivo preço de venda à vista era de R$ 12.800. Na situação
original o prazo de estocagem era de 3 (três) meses e, como a taxa de captação
(kc) era de 8,57670% ao mês, o resultado era nulo
(zero). Supondo-se, então, que o gerente de compras decida adquirir um lote
maior de mercadorias para prevenir-se de uma possível elevação de preços por
parte dos fornecedores. Se o lote comprado permanecer por 5 meses no estoque fará com que o resultado da venda seja
negativo, conforme expresso a seguir: Para pe > 3 o resultado da
venda será negativo
a) Lucro Bruto (Venda menos Custo de compra da
mercadoria vendida): R$ 2.800 (R$ 12.800 – R$ 10.000);
b) Despesas Financeiras: R$ 5.089,79 (considerando CMV
* [ ( 1 + kc )pe) – 1 ] ,
onde CMV = R$ 10.000, kc = 8,57670% ao mês e
pe = 5 meses);
c) Resultado final da venda (prejuízo): R$ (2.289,79)
(Lucro Bruto menos Despesas Financeiras do período de estocagem das
mercadorias, de 5 meses).
Em síntese:
Para kc < 8,57670% ao mês Þ LUCRO
kc = 8,57670% ao mês Þ LUCRO NULO Þ NÃO HÁ LUCRO
kc > 8,57670% ao mês Þ PREJUÍZO
A próxima seção enfoca a situação em que as
mercadorias são compradas a vista e vendidas a prazo.
1.2.
Compra a vista e venda a prazo
Outra possibilidade de negociação de mercadorias
envolve a compra “a vista” e a comercialização destas com o vendedor concedendo
um prazo para o comprador pagar a aquisição (situação mais conhecida como venda
“a prazo”).
Quando a operação é realizada nestas condições
passam a ter relevância o prazo de estocagem e o prazo de recebimento da venda,
evidenciados de forma detalhada na figura 4.



Recebimento/mercadoria
Recebimento
Compra
Pagamento a vista
Venda a prazo da
venda
dc de,dp dv dr
dc = data da compra
de = data da entrada da mercadoria na empresa
dp = data de pagamento da compra
dv = data da venda
dr = data de recebimento da venda
Figura 4 – Compra a vista e venda a prazo
Isso acontece pela constatação da
existência de um prazo de estocagem (configurado pelo período entre o
recebimento da mercadoria e sua venda) e de um prazo de recebimento da venda
efetuada (dado pelo lapso temporal entre a venda da mercadoria e a respectiva
cobrança da duplicata emitida contra o cliente), que impõem um ônus financeiro
à empresa.
Nessa realidade o gestor deve
considerar que o custo financeiro vai incidir sobre o somatório dos prazos de
estocagem e de recebimento das faturas, conforme demonstrado na seqüência.
Considerando-se os dados do exemplo
numérico anterior, ou seja:
-
custo de compra da
mercadoria à vista (CMVVdp): R$ 10.000;
-
preço de venda da
mercadoria a prazo (PVPdv): R$ 12.800;
-
período de estocagem
(pe): 90 dias ou 3 meses; e
-
prazo concedido aos
clientes (pr): 30 dias ou 1 mês.
Seguindo os mesmos passos
anteriormente delineados, empregando-se a equação do resultado da venda
envolvendo os fatores acima, têm-se:
( 1 + kc )pe + pr = [ PVPdv / CMVVdp ]
( 1 + kc )3+1 = [ 12.800 /
10.000 ]
( 1 + kc )3+1 = 1,280000
( 1 + kc )4 = 1,280000
kc = [ (1,280000)1/4 ] - 1
kc = [ (1,280000)0,25 ] - 1
kc =
0,0636592 ou 6,36592% ao mês
A taxa (kc) calculada de 6,36592% ao mês é o limite máximo a ser
considerado para que a negociação nos termos em que
está sendo conduzida não resulte em prejuízo.
Comprova-se tal assertiva através do
demonstrativo abaixo:
a) Preço de venda a prazo: R$ 12.800
b) Custo de compra da mercadoria vendida: R$ 12.800
(considerando no cálculo a seguinte equação = CMV * [( 1 + kc )pe + pr ] ,
onde CMV = R$ 10.000, kc = 6,36592% ao
mês, pe = 3 meses e pr = 1 mês)
c) Resultado final da venda a prazo: R$ 0,00
(zero).
Dominando os cálculos acima o
administrador pode realizar simulações em relação aos prazos e preços de compra
e venda da hipótese em lume. Por exemplo, se conseguir reduzir o prazo de
estocagem para 30 dias (contra os 90 dias originalmente considerados),
mantendo-se o prazo dado ao cliente (30 dias) e a taxa de captação de 6,36592%
ao mês, a venda proporcionaria o seguinte resultado:
-
Preço de venda a
prazo: R$ 12.800
-
Custo de compra da
mercadoria vendida: R$ 11.313,71 (considerando a equação = CMV * [ ( 1 + kc )pe + pr ] ,
onde CMV = R$ 10.000, kc = 6,36592% ao
mês, pe = 1 mês e pr = 1 mês)
-
Resultado final da
venda a prazo: R$ 1.486,29 (R$ 12.800 – R$ 11.313,71).
Com isso evidencia-se que a manutenção de lotes
menores em estoque proporciona a diminuição dos encargos financeiros,
ocasionando lucro de R$ 1.486,29 na venda nas referidas
condições.
Para pe = 30 dias = 1 mês pr = 1 mês
kc = 6,36592% ao mês

Ou seja, para um kc fixo e
aumentando a soma dos prazos diminui-se o custo de compra da mercadoria
vendida. Assim pode-se aumentar o prazo de estocagem (pe) da mercadoria ou
aumentar o prazo de pagamento dos clientes (pr), ou simplesmente combinar estes
prazos: aumentar o pe e diminuir o pr ou vice-versa.
Em
síntese:
Para kc < 6,36592% ao mês Þ LUCRO
kc = 6,36592% ao mês Þ LUCRO NULO Þ NÃO HÁ LUCRO
kc > 6,36592% ao mês Þ PREJUÍZO
A próxima seção apresenta a hipótese de compra a prazo
e venda a vista.
1.3.
Compra a prazo e venda a vista
Quando a gerência da empresa opta por
trabalhar com compras a prazo e vendas a vista pode deparar-se com duas
situações diferentes: (i) prazo de estocagem maior que prazo de pagamento das
aquisições e (ii) prazo de permanência das compras em estoque menor que o prazo
de pagamento das mesmas. As duas hipóteses são comentadas nas seções a seguir
1.3.1 –
Compra a prazo e venda a vista (com prazo de estocagem maior que o prazo de
pagamento das compras)
Nas operações mercantis em que se
obtém crédito de fornecedores e se consegue vender as mercadorias a vista,
conforme expresso na figura 5, pode ocorrer de que o prazo de estocagem seja
alto o suficiente para prejudicar a rentabilidade da negociação.
Isso ocorre em virtude de que o custo de compra da
mercadoria vendida (adquirida a prazo) tem seu valor final aumentado pelo custo
financeiro decorrente do período entre o pagamento da mercadoria (dp) e o
recebimento da venda (dr).
Com a finalidade de elucidar esse raciocínio
utiliza-se exemplo numérico onde: custo de compra da mercadoria a prazo
(CMVPdp) R$ 10.000; preço de venda da mercadoria a vista (PVVdv) R$ 12.800;
prazo de estocagem (pe) de 90 dias ou 3 meses e prazo de pagamento a
fornecedores (pp) de 30 dias ou 1 mês.
Nesse contexto, aplicando a fórmula
básica para determinar o resultado da venda têm-se:
RVdr = 12.800 – [ 10.000 * ( 1 + kc )3 -1 ]
pp = Prazo de pagamento a fornecedores

![]()
Compra
Recebimento Pagamento Venda a Vista
a prazo
da mercadoria
da Compra
Receb.Venda
![]()
dc de dp dv, dr

dc = data da compra
de = data da entrada da mercadoria na empresa
dp = data de pagamento da compra
dv = data da venda
dr = data de recebimento da venda
Figura 5 – Compra a prazo e venda a vista (pe >
pp).
( 1 + kc )pe - pp = [
PVVdv / CMVPdp ]
( 1 + kc )3-1 = [ 12.800 /
10.000 ]
( 1 + kc )3-1 = 1,280000
( 1 + kc )2 = 1,280000
kc = [ 1,2800001/2 ] –1
kc
= [ 1,2800000,5 ] – 1
kc = 0,1313708 ou 13,13708% ao mês
A taxa (kc) calculada de 13,13708% ao mês é
o custo de capital máximo a ser considerado para que a venda nos termos em que
está sendo conduzida não seja deficitária, conforme elucidado na equação a
seguir:
-
Preço de venda a
vista: R$ 12.800
-
Custo de compra da
mercadoria vendida: R$ 12.800 (considerando no cálculo a equação = CMV * [ ( 1 + kc )pe - pp ] ,
onde CMVdp= R$ 10.000, kc = 13,13708% ao mês,
pe = 3 meses e pp = 1 mês)
-
Resultado final da
venda a prazo: R$ 0,00 (zero).
ANÁLISES
![]()
Para pe = pp Þ RVdr >0 , sempre haverá lucro, independente da taxa de
captação de recursos (kc). Não haverá lucro e nem prejuízo, fazendo PVVdv = CMVdp.
Para pe >pp e para um kc fixo haverá situações que o lucro será
nulo, e haverá prejuízo. Para kc = 13,13708% ao mês teremos para:
pe – pp > 2 meses Þ RVdr < 0 – Prejuízo
pe – pp = 2 meses Þ RVdr = 0 – Lucro Nulo
pe – pp < 2 meses Þ RVdr > 0 – Lucro
Na próxima seção é
abordado o caso em que o período de estocagem é superado pelo prazo obtido
junto aos fornecedores.
1.3.2 –
Compra a prazo e venda avista (com prazo de estoque inferior ao prazo de
pagamento a fornecedores)


a prazo
da mercadoria
e Recebimento da
Compra
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
dc
de
dv, dr
dp

dc = data da compra
de = data da entrada da mercadoria na empresa
dp = data de pagamento da compra
dv = data da venda
dr = data de recebimento da venda
Figura 6 – Compra a prazo e venda à vista (pe <
pp)
Para comprovar a afirmação do
parágrafo anterior, considere-se uma situação hipotética onde:
-
Custo de compra das
mercadorias a prazo (CMVdp): R$ 10.000;
-
Preço de venda à
vista (PVVdv): R$ 9.500 (inferior ao custo de compra); Þ 95% do CMVdp
-
Período de estocagem
(pe): 2 meses;
-
Prazo de pagamento a
fornecedores (pp): 4 meses;
-
ka: taxa de aplicação
financeira (rendimento mensal): 3,50% ao mês.
A equação a utilizar neste caso é:
RVdr = [ 9.500 * ( 1 + ka )2 ] – 10.000
RVdr =
10.176,64 – 10.000
RVdr =
176,64
O
resultado da venda, então, é um lucro de R$ 176,64 e pode ser melhor
sintetizado no demonstrativo de resultado abaixo:
-
Vendas = R$ 9.500
-
CMV = R$ (10.000)
-
Resultado Bruto
(prejuízo) = R$ (500)
-
Receita Financeira =
R$ 676,64 (calculada pela fórmula: [ PVVdv * ( 1 + ka )pp-pe ] – 1 , onde: PVVdv = R$ 9.500; ka = 3,50% ao mês;
pp = 4 meses e pe = 2 meses)
-
Resultado Final
(lucro) = R$ 176,64 (Resultado Bruto mais Receita Financeira).
ANÁLISES
![]()
Para pe = pp Þ RVdr >0
, sempre haverá prejuízo, independente da taxa de aplicação (ka). Não haverá
lucro, mesmo fazendo PVVdv = CMVdp.
Para pp > pe e para um ka fixo
haverá situações que há lucro e prejuízo.
Para
ka = 3,5% ao mês teremos:
pp – pe ³ 1,5 meses Þ RVdr > 0 – Lucro
pp – pe < 1,5 meses Þ RVdr < 0
– Prejuízo
Isto é para
n = pp – pe = 1,5 mês = 45 dias não haverá prejuízo financeiro para a empresa.
Acima de 45 dias, haverá sempre lucro para a empresa e abaixo de 45 dias,
haverá sempre prejuízo. A condição que devemos ter será:
Para pp – pe
³ 45 dias Þ pp ³ pe +
45 Þ Lucro
Para pp – pe
< 45 dias Þ pp < pe +
45 Þ Prejuízo
Supondo que
a mercadoria seja vendida por 80% do preço de custo
(1,035)n = 1,25
= 6,5 meses = 195 dias
Para pp – pe
³ 195 dias Þ pp ³ pe + 195 Þ Lucro
Para pp – pe
< 195 dias Þ pp < pe + 195 Þ Prejuízo
Supondo que
a mercadoria seja vendida por 50% do preço de custo
(1,035)n = 2
= 20 meses = 600 dias
Para pp – pe
³ 600 dias Þ pp ³ pe + 600 Þ Lucro
Para pp – pe
< 600 dias Þ pp < pe +
600 Þ Prejuízo
A seção seguinte evidencia a situação
mais comum no cotidiano empresarial atual, quando compra e venda é realizada a
prazo.
1.4.
Compra a prazo e venda a prazo
A modalidade mais recorrente nas
transações comerciais atualmente praticadas envolve aquisições de mercadorias a
prazo e a venda das mesmas através da concessão de prazo de pagamento aos
clientes, configurando a comercialização a prazo. Nessa situação a empresa deve
suportar os encargos financeiros do período a descoberto, ou seja, entre o
vencimento da duplicata emitida pelo fornecedor e o recebimento da duplicata lançada
contra clientes (vide figura 7).
Portanto a equação do resultado da
venda (RVdr) deve considerar o Preço de venda a prazo (PVPdv), o Custo da
mercadoria vendida a prazo (CMVPdp), o Custo de captação de recursos (kc),
o Prazo de estocagem da mercadoria (pe), o Prazo de recebimento da venda (pr) e
o Prazo de pagamento a fornecedores (pp), ou seja:
RVdr = PVPdv – [ CMVPdp * ( 1 + kc )pe + pr – pp
].


Compra
Recebimento Venda
a Pagamento da Recebimento
a prazo da mercadoria Prazo
Mercadoria da Venda
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
dc
de
dv
dp dr
dc = data da compra
de = data da entrada da mercadoria na empresa
dp = data de pagamento da compra
dv = data da venda
dr = data de recebimento da venda
Figura
7 – Compra a prazo e venda a prazo
Para facultar a compreensão,
recorre-se a um caso em que são considerados os seguintes fatores:
-
custo
de compra da mercadoria a prazo (CMVPdp): R$ 10.000
-
preço
de venda da mercadoria a prazo (PVPdv): R$ 12.800
-
prazo
de estocagem (pe): 60 dias ou 2 meses
-
prazo
de pagamento a fornecedores (pp): 30 dias ou 1 mês
-
prazo
de recebimento das vendas (pr): 60 dias ou 2 meses.
Aplicando a fórmula mencionada para
determinar o resultado da venda têm-se:
RVdr = 12.800 – [ 10.000 * ( 1 + kc )2+2-1 ]
( 1 + kc )pe + pr – pp = [ PVPdv / CMVPdp ]
( 1 + kc )2+2-1 = [ 12.800 /
10.000 ]
( 1 + kc )3 = 1,280000
kc = [ (1,28000)1/3 ] – 1
kc = [
(1,280000)0,3333 ] – 1
kc =
0,0857670 ou 8,57670% ao mês
Ou seja, o custo máximo de captação de recursos (kc) acima
evidenciado é de 8,57670% ao mês. Este é o custo de capital máximo a ser
considerado para que a venda não resulte em prejuízo, conforme demonstrado
seguir:
-
Preço de venda a
prazo: R$ 12.800
-
Custo de compra da
mercadoria vendida: R$ 12.800 (considerando no cálculo a seguinte equação = CMV
* [ ( 1 + kc )pe + pr - pp
] , onde CMV = R$ 10.000, kc =
8,57670% ao mês, pe = 2 meses, pr = 2 meses e pp = 1 mês);
-
Resultado final da
venda a prazo: R$ 0,00 (zero).
A próxima seção apresenta uma
aplicação da equação do resultado das vendas na escolha entre alternativas de
compra de mercadorias considerando diversas condições de prazos ofertados pelos
fornecedores.
ANÁLISES
![]()
Temos então 6 maneiras de mexer na equação
n = pe + pr - pp para que
possamos ter sempre lucro, lucro nulo e prejuízo.
Para pe + pr > pp e um kc = 8,57670% ao mês poderemos ter:
pe + pr > pp Þ 2 + 2 > 1
Para n = pe + pr - pp > 3 Þ RVdr >0
, sempre haverá prejuízo
Para n = pe + pr - pp = 3 Þ RVdr = 0 ,
Lucro Nulo
Para n = pe + pr - pp < 3 Þ RVdr < 0
, sempre haverá lucro
Evitando ter prejuízo deve-se mexer nos
prazos pe, pr e pp de tal
maneira que pe + pr - pp <
3. Isto quer dizer que pe + pr < 3 + pp
meses
Se pp = 1 mês Þ pe + pr
< 4 meses
Se pp = 2 meses Þ pe + pr
< 5 meses
Se pp = 3 meses Þ pe + pr
< 6 meses
Ou seja, à medida que o prazo de
pagamento dos fornecedores aumenta, pode-se aumentar o prazo de recebimento das
vendas ao cliente ou a mercadoria pode ficar mais tempo estocada. Neste caso é
preferível aumentar as condições de pagamento para o cliente.
1.4.1.
Escolha entre alternativas de compra com prazos distintos
Outra possibilidade de uso da equação do resultado
da venda (RVdr) explicitada nos tópicos anteriores é apresentada na seqüência,
mediante exemplo numérico.
Suponha-se uma negociação em que o
gestor de compras esteja supondo sobre a respeito da compra de um lote de
mercadorias que será vendida pelo valor de R$ 12.000, concedendo prazo de
pagamento de 90 dias (3 meses) ao cliente e período de permanência em estoque
de 30 dias (1 mês). Essas mercadorias estão sendo ofertadas pelo fornecedor em
quatro condições de compra:
a)
com prazo
de 60 dias (2 meses) pelo valor de R$ 8.400 Þ Ganho de 30%
b)
com prazo
de 45 dias (1,5 mês), com desconto de 5%, pelo valor de R$ 7.980 Þ Ganho de 33,5%
c)
com prazo
de 30 dias (1 mês), com desconto de 15%, pelo valor de R$ 7.140 Þ Ganho de 40,5%
d)
a vista,
com desconto de 25%, pelo valor de R$ 6.300 Þ Ganho de 47,5%
A alternativa inicial (prazo de 60 dias) implica
que a venda resultará no valor final de R$ 3.346,11, pois:
RVdr = 12.000 – [ 8.400 * ( 1 + 0,015 )1+3-2 ]
RVdr = 12.000 – [ 8.400 * ( 1,015 )2 ]
RVdr = 12.000 – 8.653,89
RVdr = 3.346,11
Outra forma de explicitar o mesmo
resultado pode ser através de uma demonstração de resultado, onde:
-
Lucro Bruto (Venda
menos Custo de compra da mercadoria vendida): R$ 3.600 (R$ 12.000 – R$ 8.400)
-
Despesas Financeiras:
R$ 253,89 (considerando CMV * [ ( 1 + kc )pe + pr - pp – 1 ] onde CMV = R$ 8.400, kc = 1,50% ao mês, pe = 1 mês, pr = 3 meses e pp = 2
meses)
-
Resultado final da
venda: R$ 3.346,11 (Lucro Bruto menos Despesas Financeiras do período).
Na segunda opção de compra (prazo de 45 dias) a
empresa consegue obter o seguinte resultado na venda:
RVdr = 12.000 – [ 7.980 * ( 1 + 0,015 )1 + 3 – 1,5 ]
RVdr = 12.000 – [ 7.980 * ( 1,015 )2,5 ]
RVdr = 12.000 – [ 8.282,62 ]
RVdr = 3.717,38
Nesta segunda hipótese, o resultado
auferido na venda também pode ser apresentado assim:
-
Lucro Bruto (Venda
menos Custo de compra da mercadoria vendida): R$ 4.020 (R$ 12.000 – R$ 7.980)
-
Despesas Financeiras:
R$ 302,62 (considerando CMV * [ ( 1 + kc )pe + pr - pp – 1 ]
onde: CMV = R$ 7.980, kc = 1,50%
ao mês, pe = 1 mês, pr = 3 meses e pp = 1,5 mês)
-
Resultado final da
venda: R$ 3.717,38 (Lucro Bruto menos Despesas Financeiras do período).
Na terceira opção em análise (prazo de 30 dias para
pagamento) o cálculo do valor resultante da venda (RVdr) é dado por:
RVdr = 12.000 – [ 7.140 * ( 1 + 0,015 )1+3-1 ]
RVdr = 12.000 – [ 7.140 * ( 1,015 )3 ]
RVdr = 12.000 – 7.466,14
-
Lucro Bruto (Venda
menos Custo de compra da mercadoria vendida): R$ 4.860 (R$ 12.000 – R$ 7.140)
-
Despesas Financeiras:
R$ 326,14 (considerando CMV * [ ( 1 + kc )^(pe + pr - pp) – 1 ] onde CMV = R$
7.140, kc = 1,50% ao mês, pe = 1 mês, pr = 3 meses e pp = 1
mês)
-
Resultado final da
venda: R$ 4.533,86 (Lucro Bruto menos Despesas Financeiras do período).
RVdr = 12.000 – [ 6.300 * ( 1 + 0,015 )1+3-0 ]
RVdr = 12.000 – [ 6.300 * ( 1,015 )4 ]
RVdr = 12.000 – 6.686,59
-
Lucro Bruto (Venda
menos Custo de compra da mercadoria vendida): R$ 5.700 (R$ 12.000 – R$ 6.300)
-
Despesas Financeiras:
R$ 386,59 (considerando CMV * [ ( 1 + kc )pe + pr - pp – 1 ] onde CMV = R$ 5.700, kc = 1,50% ao mês, pe = 1 mês, pr = 3 meses e pp =
0 (zero, pela compra a vista)
-
Resultado final da
venda: R$ 5.313,41 (Lucro Bruto menos Despesas Financeiras do período).
A tabela
1 permite visualizar o resultado da venda nas quatro alternativas em análise,
onde resta a conclusão de que a melhor opção é a compra à vista.
Fatores/Alternativas (a) 60 dias
(b) 45 dias (c) 30
dias (d) a vista
Preço de Venda
12.000,00 12.000,00 12.000,00 12.000,00
(-) CMV 8.400,00 7.980,00 7.140,00
6.300,00
(=) Lucro Bruto 3.600,00 4.020,00
4.860,00 5.700,00
(-) Despesas Financeiras
253,89 302,62 326,14 386,59
(=) Resultado da
Venda 3.346,11 3.717,38 4.533,86
5.313,41
Isto é, os prazos concedidos pelo
fornecedor para compra em 60 dias (opção “a”), ou o prazo de 45 dias (“b”), ou
a compra para 30 dias (“c”), considerando o custo financeiro dos períodos
respectivos proporcionam resultado final da venda menor que a aquisição à vista
(alternativa “d”).
Do ponto de vista do Fornecedor é mais vantajoso ele vender pelo
prazo de 60 dias, pois ele teria um ganho de 33,33% em cima do valor da
mercadoria vendida a vista, sendo a taxa de juros compostos de 15,5% ao mês.
Já do ponto de vista do
comprador é mais vantajoso comprar a vista, pois ele teria um ganho 47,5% em
cima do valor da mercadoria a ser vendida, representando uma capitalização com
uma taxa de juros de 90,5% ao mês. Comprando ao fornecedor a prazo, ele teria
uma perda de 13,33% se optasse em comprar com prazo de 30 dias, de 26,67% se
optasse em comprar com prazo de 45 dias e de 33,33% se optasse em comprar com
prazo de 60 dias.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
O gerenciamento dos prazos associados
aos processos de compra e venda de mercadorias, conforme evidenciado através da
equação do resultado das vendas, proporciona informações relevantes para os
administradores que se propõem a otimizar o desempenho financeiro das
organizações que dirigem.
Ao conhecer os efeitos dos prazos de
pagamento das compras, estocagem das mercadorias e recebimento das vendas, o
gestor pode encetar iniciativas que possibilitem diminuir as despesas financeiras
oriundas do financiamento das vendas em condições inadequadas ou provenientes
do período de manutenção de lotes de insumos no inventário da empresa. Ainda,
deterá dados que possibilitam decidir sobre alternativas de compras
apresentadas pelos fornecedores, podendo selecionar de forma tecnicamente
consistente a opção que propiciar o melhor resultado.
Contudo, é pertinente ressaltar que,
para efeito de simplificação, nos cálculos apresentados não foram considerados
todos os tipos de custos de estocagem (mencionados no item 2 deste),
restringindo-se exclusivamente ao custo de aquisição do inventário. Ou seja, no
cálculo do montante das despesas financeiras pelo período de estocagem
utilizou-se apenas o valor relativo ao preço pago ao fornecedor, não acrescentando
os demais gastos que a empresa incorre quando mantém estoques de mercadorias,
como pessoal envolvido, depreciação da área física ocupada etc.
Ainda, desconsiderou-se os prazos
relativos à recuperação e recolhimento de tributos incidentes na compra e venda
das mercadorias. Todavia, ambos aspectos podem ser inseridos nas equações
utilizadas, bastando algumas adaptações, sem prejudicar a qualidade
informacional da metodologia empregada.
ASSAF
NETO, A. Finanças corporativas e valor. São Paulo: Atlas, 2003.
ATKINSON, A. A.; et al. Contabilidade gerencial. São Paulo: Atlas, 2000.
BLECHER,
N. Por trás das aquisições. São Paulo: Revista Exame, n. 793, p. 105, 28 de
maio de 2003.
CARUSO,
M. Caça ao preço baixo. Revista Isto é, n. 1645, p. 62-63, 11 de abril de 2001.
CLANCY,
K. Caminhos para aparecer e crescer. São Paulo: HSM Management, n. 36, jan.-fev.
2003.
GITMAN, L. J.
Princípios de administração financeira. Porto Alegre: Bookman, 2001.
LEMES JR., A. B. Administração
financeira: princípios, fundamentos e práticas brasileiras. Rio de Janeiro:
Campus, 2002.
PADOVEZE,
C. L. Contabilidade gerencial: um enfoque em sistema de informação contábil.
São Paulo: Atlas, 1994.
SANTOS,
E. O. Administração financeira da pequena e média empresa. São Paulo: Atlas,
2001.
WARREN, C. S.; et al. Contabilidade gerencial. São Paulo: Pioneira, 2001.
ZDANOWICZ,
J. E. Fluxo de caixa: uma decisão de planejamento e controles financeiros. 6a. ed. Porto Alegre:
Sagra-DC Luzzatto, 1995.