GESTÃO DE PESSOAS
POR COMPETÊNCIAS: UM ESTUDO NO CEFET-RN
Kramer Rodrigues Maia – Bel.
em Administração – Hab em Gestão de Organizações pela Faculdade de Natal
M. Sc Carlos Eduardo Cavalcante – Prof. da Faculdade de
Natal
e-mail: cecav@bol.com.br
83-99798837
RESUMO: O presente estudo trata do reconhecimento do Sistema de Gestão de Pessoas
por Competências nos Recursos Humanos do CEFET-RN. Este Sistema, com um novo
conceito, surgiu pelas constantes mudanças no ambiente empresarial, ocasionadas
pelo aperfeiçoamento do Sistema Tradicional, que apesar de suas deficiências e
desvantagens ainda são utilizados na maioria das empresas.O estudo procura
identificar tanto o Sistema Tradicional de Gestão como o Sistema de Gestão de
Pessoas por Competências, definindo argumentos para que se perceba suas
vantagens e desvantagens no intuito de conseguir uma análise comparativa entre
os dois Sistemas. O Sistema Tradicional de Gestão, se caracteriza por utilizar
o método dos pontos para avaliar quantitativamente os cargos, procurando
determinar promoções e remunerações. É um Sistema inflexível e de difícil
compatibilização com as novas formas organizacionais e com a velocidade da
organização do trabalho. O Sistema de Gestão de Pessoas por Competências tem
como característica a flexibilidade, a aprendizagem, a inovação, a comunicação,
a colaboração, o raciocínio criativo, o conhecimento tecnológico e de negócios
globais, o desenvolvimento de liderança, o autogerenciamento da carreira, entre
outros conceitos. O Centro Federal de Educação Tecnológica do Rio Grande do
Norte, na maioria de suas atribuições assumidas pelos funcionários, mostra uma
tendência de transição par o novo Sistema. O fato das decisões serem tomadas
por outro órgão interfere na evolução dessa transição, bloqueando seu
desenvolvimento.
Palavras-Chave: Recursos Humanos; Gestão por Competências; Gestão.
As ocorrências de
mudanças existentes no ambiente empresarial, despertaram um novo conceito sobre
Administração de Recursos Humanos: o Sistema de Gestão de Pessoas por
Competências.
Este sistema pode
substituir os sistemas tradicionais, baseados nos cargos, que ainda hoje são
largamente adotados apesar de suas deficiências e desvantagens em relação ao
sistema baseado nas competências individuais.
O trabalho explora a
transição do sistema tradicional de gestão de pessoas para o sistema de gestão
por competências, de modo a mostrar o funcionamento de ambos, comparando suas
vantagens e pontos de atenção, ante as tendências que a área de Recursos
Humanos apresenta para o futuro.
Dessa maneira ele
analisa os fatores, que levaram ao surgimento e popularização do sistema de
gestão baseado nos cargos, assim como os fatores que hoje o tornam objeto de
várias críticas. Paralelamente são mostrados os princípios básicos do sistema
de gestão por competências, suas principais vantagens, bem como os fatores que
levam a sua adoção.
Este estudo,
segundo Martins (1994, p.23), foi uma pesquisa qualitativa que busca uma
compreensão particular daquilo que é estudado. Essa pesquisa abandonou a
generalização e o foco de sua atenção é centralizado no específico, no
peculiar, no indivíduo, almejando sempre a compreensão.
A
metodologia foi de natureza teórica e prática concomitantemente, sendo que o
que se aprende na teoria sobre observações empíricas e as experiências vividas
devem constituir o ponto de partida do pesquisador.
Na etapa da
análise dos dados, procurou-se formar conjuntos de tópicos que se identificavam
mais. Formaram-se quatro conjuntos: organização; função; método de avaliação;
atualização de cargos e remuneração. Por fim, foi feita a comparação dos dados
obtidos na entrevista com a teoria anteriormente estudada.
O estudo
realizou-se no Centro Federal de Educação Tecnológica CEFET-RN, mais
especificamente na sua Gerência de Recursos Humanos. Este tem por função social
a formação do profissional-cidadão nos diferentes níveis da educação
profissional, através de um processo de apropriação e da produção de
conhecimentos científicos e tecnológicos, visando uma atuação competente no
mundo produtivo, de modo a contribuir para a construção de uma sociedade mais
justa e igualitária.
Os
pesquisados foram dois funcionários do departamento de Recursos Humanos que
exercem os cargos de Gerente de Desenvolvimento de Recursos Humanos e
Assistente em Administração, com tempo de função de 8 meses e 7 anos,
respectivamente.Todos os sujeitos concordaram em participar por meio de
consentimento livre e esclarecido.
Um roteiro
de entrevista dirigida para documentação das entrevistas. As entrevistas foram
transcritas fiel e objetivamente, na forma escrita e após, submetidas a
processo de análise.
Foi aplicado
um instrumento de coleta de dados (entrevista), com o intuito de se obter
informações pertinentes à pesquisa. Os dados coletados tiveram como critério de
análise uma comparação entre as informações conseguidas na Entrevista
Estruturada (primária) e a Pesquisa Bibliográfica (secundária).
È neste contexto que o estudo busca responder
Em que nível o sistema de Recursos Humanos do Centro Federal de Educação
Tecnológica do Rio Grande do Norte – CEFET-RN, utiliza o sistema de Gestão de
Pessoas por Competências?
REFERENCIAL TEÓRICO
Sistema
Tradicional de Gestão de Pessoas
Os
sistemas de Gestão de Recursos Humanos que têm como elemento-base os cargos,
constituem hoje a forma mais comum de sistema de Administração de Recursos
Humanos encontrada nas empresas, embora venham sendo crescentemente
questionadas por sua inflexibilidade e dificuldade de compatibilização com as
novas formas organizacionais e com a velocidade da organização do trabalho. O
método dos pontos, que é uma forma de avaliação quantitativa dos cargos para
determinar a remuneração, foi criado por Merrill Lott e tornou-se o método de avaliação
de cargos mais utilizado no mundo (CHIAVENATO, 1999: 236).
O
início da utilização dos cargos como elemento-base da gestão de pessoas dá-se
juntamente com o início da era industrial, atrelados ao modelo de gestão
Taylorista e Fordista (DUTRA, 1999), cuja característica mais marcante é o
emprego da produção de linha, que possibilitou o rápido crescimento da
indústria na época. A remuneração dos funcionários incluía, geralmente,
pagamento por peça (WOOD E PICCARELLI, 1999: 32). Constitui-se em um sistema
concebido pela lógica da engenharia, cujo principal papel era reduzir os custos
com mão-de-obra e aumentar a produção, minimizando o erro humano. Com o avanço
da industrialização, o sistema baseado no cargo foi tomando forma, com técnicas
de análise, especificação e avaliação de cargos. Por meio desse sistema
facilitava-se a operacionalização do sistema salarial, agrupando-se as muitas
funções da fábrica conforme as características semelhantes.
Altamente
técnico no início, o sistema de gestão baseado no cargo foi sofrendo mudanças
ao longo de sua existência, passando a dar maior ênfase aos aspectos
comportamentais. Já na década de trinta surgiam programas mais estruturados de
treinamento para gerentes, focando habilidades no relacionamento interpessoal.
No entanto, ainda se tratava do “desenvolvimento de habilidades, e não de
competências sociais, que agregassem valor à organização” (FLEURY, 1999).
Na
década de sessenta surgiu na Europa a abordagem sociotécnica, elaborada
inicialmente por psicólogos sociais. O trabalho começava a assumir formas mais
complexas e menos mecanicistas, porém ainda sem relações mais profunda com a
estratégia da empresa. Nos anos oitenta, foi marcante o surgimento do modelo
japonês de gestão, que se caracterizava por adotar o “trabalho cooperativo e de
equipe, a falta de demarcação das tarefas a partir dos postos de trabalho e
tarefas prescritivas a indivíduos” (HIRATA apud HIPÓLITO, 2000).
O
sucesso das empresas japonesas levou os países ocidentais a repensarem suas
concepções sobre organização e gerenciamento do trabalho. Ainda, o aumento da
competição empresarial e da diversificação da linha de produtos oferecidos
pelas empresas como fator de diferenciação favoreceu o surgimento do conceito
de gerenciamento dos recursos humanos, alinhando a estratégia relativa às
pessoas à estratégia empresarial (FLEURY, 1999). Com o surgimento desse enfoque
passou-se a dar maior importância ao desenvolvimento dos funcionários, como
recurso para desenvolver as estratégias empresariais. Várias práticas, como a
reengenharia, o downsizing, entre
outras, foram criadas e tiveram seus momentos de destaque nessa fase e, segundo
(NAISBITT apud HIPÓLITO, 2000), “fazem parte de um mesmo fenômeno: o
desmantelamento das burocracias, na busca pela sobrevivência” em um ambiente
competitivo.
A
forma de gerir pessoas vem-se aprimorando lado a lado com as diversas práticas
de gestão empresarial, sofrendo os impactos das crises econômicas mundiais do
crescente aumento da competição entre as empresas e da globalização. O Sistema
de Gestão baseado no cargo tem sofrido muitas críticas, já que foi concebido em
um mercado com baixa variabilidade de produtos e ganhos de escala, e que se
caracterizava por exibir mão-de-obra abundante, com baixa exigência de
qualificação, e atividade de produção rotineira e estruturada (DUTRA, 1999).
Entre as limitações dos sistemas tradicionais apontadas pela literatura,
pode-se citar:
●
Falta de flexibilidade do sistema baseado nos cargos, que está se
tornando obsoleto dadas as condições atuais em muitos mercados, tais como a
reestruturação organizacional, o downsizing,
a reengenharia, a introdução de novos produtos no mercado, e até mesmo o
surgimento de novas formas de organização do trabalho, como as equipes
virtuais. Em virtude dessas mudanças, os funcionários têm trabalho a ser feito,
mas muitos não terão um cargo certo e bem definido por muito tempo (LAWLER III,
1998: 57). O sistema atual acaba por apresentar “baixa flexibilidade, reduzindo
a agilidade organizacional”, promovendo um “estilo burocrático de gestão”
(HIPÓLITO, 2000).
● O sistema tradicional de
gestão não recompensa os funcionários pelo que realmente se espera que eles
façam, já que as faixas salariais, nos sistemas baseados no cargo, tendem a
reproduzir o valor de mercado: média, valores máximo e mínimo. Raramente os
gestores têm permissão para remunerar o indivíduo acima das faixas salariais,
não importa quanto o desempenho esteja acima da média (EMERSON, 1991: 40). Dado
o uso dos cargos, geralmente reconhece-se o tempo e não a contribuição dos
funcionários quanto da tomada de decisões; assim, o sistema não “encoraja o
desenvolvimento de habilidades e competências” (HIPÓLITO, 2000).
● Falta de confiança nas
informações obtidas de pesquisa salarial (HIPÓLITO, 2000), já que em razão das
mudanças freqüentes nas organizações, a mesma denominação para um cargo nem
sempre significa as mesmas atribuições em organizações diferentes. As funções
desempenhadas por indivíduos que teoricamente ocupam os mesmos cargos são com
freqüência diversas em organizações diferentes já que o mais comum ultimamente,
são funções pouco padronizadas, que variam muito segundo a realidade de cada
empresa e de cada mercado.
● Metodologia desatualizada,
que faz com que o sistema passe uma “ilusão de mensuramento” (EMERSON, 1991:
48), pois tenta quantificar as funções com uma falsa objetividade (HIPÓLITO,
2000) sobre a realidade organizacional. Muitas vezes, na tentativa de agrupar
várias funções numa mesma descrição de cargo, acaba-se por não descrever bem
nenhuma das funções agrupadas (EMERSON, 1991: 40). Há ainda o alto custo de
revisão do sistema, manutenção trabalhosa, muito tempo gasto com comitês de
avaliação de cargos, e, por vezes, desperdiçado, pois o sistema tem vida curta
(WOOD E PECCARELLI, 1999).
● Centralização das decisões
na área de RH, impedindo que os gerentes, principais responsáveis pelo
dia-a-dia dos funcionários, possam opinar nas decisões salariais. Nos sistemas
tradicionais, a “descentralização das decisões salariais” é inviável (HIPÓLITO,
2000).
● Desalinhamento com a
estratégia da empresa, com uma grande “dificuldade em acompanhar e sinalizar os
objetivos organizacionais” (HIPÓLITO, 2000), privilegiando as “ligações
hierárquicas em detrimento do foco nos processos críticos e no cliente” (WOOD E
PICCARELLI, 1999).
● Incentivo ao carreirismo, o
que torna as promoções verticais excessivamente importantes e dificulta a
convergência de esforços para objetivos comuns (WOOD E PICCARELLI, 1999: 43).
● Limitação da área de atuação
das pessoas, induzindo “as pessoas a se enxergarem dentro de um sistema sobre o
qual elas têm pouca ou nenhuma influência e, conseqüentemente, consideram sua
responsabilidade limitada à sua área de função” (SENGE apud HIPÓLITO, 2000:
40).
Apesar
de se apontarem várias limitações ao sistema que utiliza os cargos como
elemento base da gestão de pessoas, ele ainda hoje é o sistema mais utilizado,
embora em processo de atualização para sistemas mais modernos, como o de
competências. Entre os motivos que o fazem ser ainda o sistema mais popular
estão:
● O sistema de cargos ajuda a
dar coerência interna à organização, montando estruturas hierárquicas que são
fáceis de serem compreendidas pelos funcionários e produzem um sentimento de
justiça e eqüidade interna (HIPÓLITO, 2000).
● Como a maior parte das
empresas adotam hoje sistemas de cargos e salários, pode-se dizer que a
remuneração funcional permite eqüidade externa, já que facilita a comparação
dos salários praticados na empresa com os do mercado. Existem ainda algumas tentativas de aperfeiçoar o sistema
baseado nos cargos, que não se têm apresentado como as melhores soluções. Entre
elas, pode-se citar:
● Modificação das descrições,
de forma a focar processos e incluir informações sobre clientes internos e
externos, serviços ou produtos fornecidos e expectativas desses clientes, ao
invés de serem específicas e restritas às atividades de rotina dos
funcionários. As descrições passam a incluir também uma maior reflexão sobre a
identidade e missão da função (WOOD e PICCARELLI, 1999: 62).
● Redução no número de cargos
descritos, adotando-se maior generalidade nas descrições, o que evita que se
engesse as pessoas nas limitações da função. Os cargos devem mostrar somente as
“diretrizes gerais de trabalho” (WOOD e PICCARELLI, 1999: 62), tornando as
funções mais abrangentes, de modo que dêem espaço para a iniciativa das
pessoas.
● Broadbanding, ou seja, ampliação das faixas salariais de modo que
se possibilite o estabelecimento de faixas maiores para a promoção dos
funcionários, o que facilita a tomada de decisão por parte dos gerentes no
sentido de se utilizar a remuneração como incentivo ao desenvolvimento dos
funcionários, sem que isso represente grandes aumentos salariais. Ainda permite
diferenciar profissionais da mesma faixa salarial, mas que possuem
qualificações ligeiramente diferentes na empresa (HOFRICHTER, 1993).
● Utilização de metas
coletivas, por meio de bônus variáveis utilizados como premiação e recompensa
(WOOD e PICCARELLI, 1999: 63).
Apesar
das adaptações do sistema baseado em cargos, eles não resolvem por completo os
problemas que a estrutura por cargos apresenta, pois continuá-se a “manter
centralizadas as decisões salariais”, tornando a estrutura lenta face às
necessidades de mudanças. Ainda há um outro problema que permanece: o valor do
cargo continua sendo definido em termos relativos, comparativamente com as
outras posições existentes (HIPÓLITO, 2000). Sendo assim, segue-se não
recompensando as pessoas diretamente por seu valor, e não incentivando o
desenvolvimento individual.
Sistema
de Gestão de Pessoas por Competências
Nos
anos noventa começou a tomar forma um modelo estruturado de gestão de pessoas,
que tem como peculiaridade considerar a “participação dos funcionários” como
sendo “essencial para que a empresa implemente sua estratégia e crie vantagem
competitiva” (LAWLER III, 1998: 12). Esse é o chamado Modelo de Gestão por
Competências, que é uma tendência apontada na gestão de pessoas para o futuro.
Quadro 1:
Principais focos de atenção das empresas no futuro.
|
Filosofias
e princípios de gestão |
Sim |
|
Diferentes
vínculos de trabalho e formas de relacionamento Autodesenvolvimento Comprometimento
da força de trabalho com os objetivos organizacionais |
97% 97% 97% |
|
Gestão por
Competência |
96% |
|
Educação
Corporativa Empowerment Gestão do
Conhecimento Empregabilidade Gestão de
RH coerente com negócios |
96% 95% 95% 93% 92% |
Fonte:
Pesquisa RH 2010, 2000.
Inicialmente,
o conceito de competência surgiu com base nas core competencies, ou
competências essenciais, conceito desenvolvido por Prahalad e Hamel (apud
FLEURY 1999). De acordo com os autores, o aumento de competição entre as
empresas, conhecimentos altamente perecíveis, principalmente sobre a tecnologia
e grande instabilidade são alguns dos fatores que fizeram – e fazem - com que
as empresas passem de uma perspectiva de estrutura estável para a de estabilidade
e generalidade, orientadas por um conjunto de competências que as diferenciem
da concorrência; as posições defensivas dão lugar a um desenvolvimento de
vantagem competitiva que se sustente, e a estratégia alinhada ao mercado passa
a ser uma estratégia que pressupõe que o mercado apresenta tantas mudanças e
possibilidades que torna necessária uma visão consistente para criar as
oportunidades de realização.
Assim, esse
é um sistema que se liga menos às atividades cotidianas e operacionais do que
os sistemas que ainda têm por base o elemento cargo, e que está mais voltado
para o futuro da organização como um todo, para a sua estratégia (LEDFORD,
1995). Prever o futuro, contudo, não é tarefa simples; poucas empresas têm
posicionamento estratégico claro, ou visão clara sobre seu futuro, daí a
dificuldade em estabelecer quais competências têm que ser desenvolvidas para se
chegar a essa estratégia. Porém, “as organizações que se esforçarem neste
sentido certamente conquistarão uma vantagem competitiva importante sobre as
demais” (WOOD e PICCARELLI, 1999: 88).
Vários autores têm tentado definir o conceito
de competência, e isso hoje representa uma das dificuldades encontradas para a
difusão do sistema: sua difícil conceitualização. Os primeiros conceitos de competência
surgiram nos estudos de PRAHALAD e HAMEL (apud FLEURY, 1999), que definiram
competência essencial como o conjunto de habilidades e tecnologias necessárias
para agregar valor a uma organização. Para diferenciar as competências
essenciais das não-essenciais, é preciso considerar que uma competência
essencial deve, de acordo com os autores, passar por três testes:
● Valor percebido pelo
cliente: as competências essenciais são as habilidades que permitem à empresas
oferecer um benefício fundamental ao cliente;
● Diferenciação entre
concorrentes: a competência essencial também deve representar uma
característica que torne uma organização única entre seus concorrentes, muitas
vezes não por ser a única a possuir aquela característica, mas sim por possuir
essa competência num grau acima da média do mercado;
● Capacidade de expansão: as
competências essenciais são as portas de entrada para os mercados do futuro, ou
seja, devem dar vazão a uma gama de novos produtos imaginados ou serviços a
serem gerados a partir dela.
As
competências essenciais devem, portanto, ser um parâmetro norteador das
políticas da empresa em geral. Sob o ponto de vista da Gestão de Pessoas, as
competências tendem a estar relacionadas com os indivíduos que fazem parte da
organização. Assim, as competências individuais devem ser decorrentes da core
competencies, que são atribuídas à organização.
Uma
das definições mais conhecidas e aceitas sobre o conceito de competência, já no
sentido mais individualizado, é dada por FLEURY (1999): “Competência é um saber
agir responsável e reconhecido, que implica em mobilizar, integrar, transferir
conhecimentos, recursos, habilidades que agreguem valor econômico à
organização, e valor social ao indivíduo”. Outros autores também contribuíram
com sua definição para a significação de competência, e foram de grande valia
para a compreensão do assunto. LAWLER III (1998) enfatiza, em sua definição, a
importância de relacionar competências com a performance individual. Para ele,
competências são características demonstráveis de um indivíduo, que incluem
conhecimentos, habilidades e comportamentos, ligados diretamente com a performance.
Esse conceito, que se refere diretamente ao indivíduo, é importante, já que uma
pessoa pode demonstrar as mesmas competências independentemente de seu cargo
atual. PARRY (1998) acrescenta mais três aspectos à definição de competências:
para ele, as competências devem ser diretamente ligadas à performance do
indivíduo e, dessa maneira, não deveriam refletir meros traços de personalidade
mensuráveis através de padrões usualmente aceitos e passíveis, portanto, de
serem desenvolvidas por meio de treinamento e desenvolvimento.
Quanto à sua
classificação, as competências podem ser (FLEURY, 1999):
● Competências
Técnicas/Profissionais: específicas para uma operação, ocupação ou tarefa
(desenho técnico, operação de um equipamento, finanças).
● Competências Sociais: saber
ser, incluindo atitudes e comportamentos necessários para o relacionamento
entre pessoas (comunicação, negociação, trabalho em equipe).
● Competências do Negócio:
compreensão do negócio, seus objetivos, relações com o mercado, ambiente
sociopolítico (conhecimento em negócio, planejamento, orientação para o
cliente).
Segundo
Millan (LERNER, 2002), “Competências são um conjunto de conhecimentos e
qualidades profissionais necessários para que um empregado desempenhe com êxito
um conjunto de funções e tarefas (uma ocupação)”, as características
mais destacáveis das competências são as seguintes:
● Independência: que pode ser
aplicável em diferentes pontos da estrutura e em diferentes situações de
trabalho;
● Especificidade: específica
para cada empresa (deve responder a seu particular processo produtivo);
● Localização: ligada às
pessoas. São os empregados os que a aplicam no desempenho diário de suas
ocupações;
● Evolução: modificação e evolução das competências para adaptá-las
no futuro.
Adicionalmente, devem ser
considerados dois tipos de competências:
● Os conhecimentos: elemento
básico para desempenhar com êxito as funções encomendadas.
● As qualidades profissionais:
refletem os padrões de conduta e habilidades pessoais necessárias para
desempenhar com êxito uma ocupação (conjunto de funções ou tarefas que um
empregado deve desenvolver).
Uma
competência individual é uma descrição escrita de hábitos de trabalhos
mensuráveis e habilidades pessoais utilizados para alcançar um objetivo de
trabalho. Por exemplo, idéias relacionadas a liderança, criatividade, ou
habilidades de apresentação podem ser expandidas para definições de competência
(GREEN, 1999: 7). Muitos componentes dessa utilização garantem comentários
adicionais:
● Uma competência individual é
diferente de competências organizacionais, capacidades, valores e prioridades.
● Uma descrição escrita com
pelo menos vinte palavras comunica exatamente o que significa a competência.
● Hábito de trabalhos
mensuráveis e Habilidades pessoais significam que a competência pode ser
utilizada para medir de maneira confiável e predizer de maneira precisa a ação
de uma pessoa.
● Competências individuais
contribuem para alcançar um objetivo de trabalho, mas constantemente elas são
parte de um sistema de trabalho que pode ser a causa primária dos resultados
obtidos.
Algumas
competências essenciais aparecem em várias organizações diferentes, como
responsabilidade, ética, inovação, espírito empreendedor, liderança, espírito
de superação continuada, trabalho em equipe. Quase sempre, as competências vão
acompanhadas de certas ferramentas que cada um precisa levar consigo, como:
cultura de resultados, consciência das necessidades da organização e do
cliente, compromisso de atuar como agente de mudanças, respeito à dignidade das
pessoas, ao ambiente e natureza, compromisso com a comunidade, visão do
contexto da organização (CHIAVENATO, 2002).
Segundo
MEISTER (1999), As novas competências pessoais exigidas pelas empresas nos
novos ambientes de negócios são as seguintes:
●
Aprender a Aprender: as pessoas devem contribuir construtivamente em tudo e,
para tanto, devem ter condições de aprender. Isso significa forçosamente
desaprender coisas antigas e sem proveito para a organização para aprender
coisas novas e necessárias. Em outros termos, flexibilidade, apreensão e
inovação.
●
Comunicação e Colaboração: antes, o bom desempenho significava executar um
conjunto de tarefas repetitivas e isoladas e a qualificação de cada pessoa era
restrita a cada tarefa em particular. Hoje, com a adoção de equipes, a
eficiência do indivíduo está cada vez mais vinculada a suas habilidades de
comunicação e colaboração com os outros. Em outros termos, o trabalho solitário
e individual cede lugar ao trabalho solidário e grupal.
●
Raciocínio Criativo e Resolução de Problemas: no passado, a administração
paternalista assumia a responsabilidade de solucionar problemas para aumentar a
produtividade do trabalhador. Hoje, espera-se que os funcionários descubram por
si mesmos como melhorar e agilizar seu próprio trabalho.
●
Conhecimento Tecnológico: no passado, conhecer tecnologia significava saber
como operar máquinas para fazer o trabalho ou como lidar com computadores para
processar textos ou análises financeiras. Hoje, a ênfase está em usar o
equipamento de informação para conectar-se com os membros da equipe ao redor do
mundo, além de realizar tarefas, comunicar-se com pessoas em todo o mundo,
compartilhando idéias e melhorias nos processos de trabalho. O conhecimento
tecnológico está a serviço da equipe e não do indivíduo isolado.
●
Conhecimento de Negócios Globais: antigamente, a visão das pessoas era restrita
ao local de trabalho. Hoje, predomina a necessidade de pessoas treinadas em um
conjunto de habilidades que levem em conta, o ambiente competitivo global,
mutável e volátil dos negócios da organização. A globalização está ampliando as
fronteiras do conhecimento das pessoas.
●
Desenvolvimento da Liderança: o novo imperativo é a identificação e o
desenvolvimento de pessoas capazes de conduzir a empresa para o século XXI. Em
vez de programas externos de educação para executivos, as empresas estão
elaborando programas personalizados de aprendizagem que assegurem a capacitação
das pessoas em termos de espírito empreendedor e de liderança. Na verdade, as
organizações bem sucedidas são constituídas de lideranças.
●
Autogerenciamento da Carreira: como as qualificações necessárias evoluem e
mudam incessantemente, as pessoas precisam assumir o compromisso de assegurar
que possuem as qualificações, o conhecimento e as competências exigidas tanto
na atividade atual, como nas futuras. Muitas universidades corporativas dispõem
de centros virtuais de desenvolvimento de carreira para ajudar as pessoas a
identificar as técnicas que precisam aprender.
O novo
paradigma deixa de ser o comando e o controle autoritário e passa a ser o empowerment das pessoas e das equipes.
Isso significa alta confiança nas pessoas para que elas alcancem níveis
elevados de criatividade, inovação, qualidade, flexibilidade e velocidade.
Confiabilidade é fundamental (COVEY, 1991). Ele propõe, que as pessoas adotem
os seguintes sete hábitos, que as ajudarão, a ser cada vez mais eficazes:
● Ser
proativo: antecipar-se aos problemas. Este é um princípio de visão pessoal. Ter
responsabilidade e iniciativa.
● Ter
em mente o objetivo final: começar com o objetivo na mente e focar metas e
resultados. Este é um princípio de liderança pessoal.
●
Primeiro o primeiro: em primeiro lugar, o mais importante: estabelecer
prioridades e saber executá-las. Este é um princípio de administração pessoal.
●
Pensamento do tipo ganhar-ganhar com respeito mútuo e benefícios mútuos: pense
sempre em vencer-vencer. Este é um princípio de liderança interpessoal.
● Procure primeiro compreender para depois ser
compreendido: compreensão recíproca. Este é um princípio de comunicação enfática.
●
Sinergia: saber ultrapassar conflitos e criar cooperação. Sinergizar é um
princípio de cooperação criativa.
●
Promover a renovação constante: isso significa mudar e mudar sempre para
melhorar continuamente, ou seja, afinar constantemente o instrumento. Este é um
princípio de auto-renovação equilibrada. É necessário recomeçar novamente de
dentro para fora.
O
processo de operacionalização de um sistema de Gestão por Competências passa,
necessariamente, pela definição e detalhamento da estratégia da empresa. Diante
de informações como essas, pode-se construir um modelo que transforme
necessidades de mercado em respostas para o mercado (HIPÓLITO, 2000), gerindo
recursos humanos de maneira competitiva. O primeiro passo consiste, portanto,
na identificação das competências organizacionais que adicionem valor à
estratégia da organização. Esse processo considera algumas questões, como o
número de competências a serem listadas é a melhor forma de identificação das
competências. Recomenda-se que se faça uma lista “ao mesmo tempo sintética e
completa” (WOOD e PICCARELLI, 1999: 93). É um erro muito comum a definição de
listas enormes de competências, que, com freqüência, confundem competências com
traços e características de personalidade (PARRY, 1998: 59).
O
processo de identificação das competências, obtidas as informações sobre a
intenção estratégica da empresa, passa por três fases (KOCHANSKI, 1998):
definição das competências essenciais da organização, desdobramento em
competências coletivas por áreas ou grupos e, por fim, detalhamento das
competências individuais. Após levantar as competências organizacionais e
individuais, dá-se início à elaboração dos níveis de complexidade do trabalho, work levels, alinhados às competências
individuais. Na seqüência, elabora-se o modelo de competências e as respectivas
ferramentas – remuneração, treinamento, recrutamento e seleção, programas de
carreira. De acordo com Kochanski (1998: 72), “existem várias maneiras de
desenvolver um modelo de competências; todas, porém, estão fundamentadas na
descoberta, uma vez que as competências não são uniformes”. Com o argumento de
que não deve haver uma fórmula rígida para desenhar um sistema de remuneração
por competências, já que as organizações variam na estratégia e na especificidade
de seus produtos, Lawler III, (1998) desenvolveu um modelo de réguas que
auxiliam as empresas a decidirem sobre o escopo de seu projeto de gestão por
competências, pois ainda hoje há organizações cujo sistema de produção, ao
menos em parte, assemelha-se muito aos sistemas tradicionais, específicos e
rotineiros. Assim, existem alguns parâmetros que devem ser considerados pelas
organizações por determinarem os pontos que mais se aproximam à realidade da
empresa e, dependendo do seu porte, até mesmo à realidade de parte da
organização.
Quadro 2:
Escopo de um Projeto de Gestão por Competências
|
Desenho de
um Sistema de Remuneração por Competências Os
Sistemas de Remuneração por Competências consistem em oito dimensões-chave.
Cada uma dessas dimensões oferece dois pólos básicos – e opostos – para
desenhar a escolha. As escolhas que tendem para a coluna da esquerda são mais
similares aos sistemas de remuneração tradicionais, enquanto as escolhas que
tendem para a direita são mais modernas. Específico
↔ Genérico Tradicional
↔ Moderno De baixo
para cima ↔ De cima para baixo Complexo e
preciso ↔ Elegante, simples Observável
↔ Abstrato Durável
↔ Temporário Remuneração
fixa ↔ Bônus variáveis Valor de
mercado ↔ valor estratégico |
Fonte:
LAWLER III, 1998: 58.
Cada
parâmetro, de acordo com Lawler III (1998), deverá ser analisado para formar o
sistema que mais se amolde a cada organização, conforme segue:
● Especificidade X
Generalidade. Quanto mais atreladas a um cargo específico, menos gerais se tornam
às competências. Elas podem ser determinadas dessa maneira quando dizem
respeito a um certo cargo ou área da empresa. Já com relação aos objetivos
estratégicos as competências tendem a serem menos específicas e se aplicam a
todos os funcionários da organização.
● Tradicionalismo X
Modernidade. O sistema pode também dar ênfase às competências que já existem na
organização, apresentadas por indivíduos de alta performance, ou então
enfatizar novas competências, ainda por serem desenvolvidas, que estejam ligadas
ao plano futuro da empresa. A vantagem de utilizar competências já existentes é
que elas são familiares à organização e se aplicam bem a organizações estáveis.
Porém, em alguns casos é necessário prever as necessidades futuras.
● De baixo para cima X De cima
para baixo. Admiti-se, determinar as competências com base no que os indivíduos
utilizam, para desempenhar seus papéis, e chegar à estratégia da empresa no
topo da estrutura organizacional. Esse método é muito parecido com o desenho
dos sistemas tradicionais, portanto já conhecido e mais fácil de ser aplicado.
Quando se parte da estratégia para as funções, tem-se como base à premissa de
que as competências são mais relacionadas à estratégia da empresa do que ao que
se pratica atualmente.
● Complexidade e precisão X
Elegância e simplicidade. É possível definir as competências requeridas de
forma complexa e precisa. Porém, corre-se o risco de deparar com os mesmos
problemas do sistema de gestão por cargos, entre eles a alta especificidade, que
gera uma grande dificuldade – e custo – para a revisão periódica do sistema.
● Observável X Abstrato.
Quanto mais observáveis as competências requeridas, mais são relacionáveis com
as necessidades técnicas do trabalho e também com funções mais técnicas. Por
outro lado, são mais fáceis de serem observadas e desenvolvidas pelos
funcionários.
● Durável X Temporário. Muitas
empresas acreditam que irão desenhar um plano de competências durável. Porém, o
que acontece na maior parte das vezes é que o sistema necessita ser reavaliado.
Um exemplo disso são os conhecimentos em tecnologia, que se modificam muito
rapidamente.
● Remuneração fixa X Bônus
variáveis. Em geral, o mais comum é a adoção de remuneração fixa, seja porque
as empresas estão acostumadas à sua utilização, seja por causa da própria
estrutura de custos das empresas. Especialistas aconselham, no entanto, a
utilização de pagamento fixo para competências duráveis, e bônus variáveis para
remunerar competências temporárias.
● Valor de mercado X Valor estratégico.
Num sistema de remuneração por competências, as empresas podem relacionar os
pagamentos pelas competências com o seu valor de mercado, ainda utilizando às
médias, mínimo - máximo salários para determinar o valor de mercado dos
indivíduos. Porém, uma possibilidade é utilizar o mercado como valor de
referência, mas com a opção de remunerar acima ou abaixo, de acordo com o valor
estratégico de cada competência.
Uma
vez implementado um sistema de gestão por competências que abrigue todas as
ferramentas de RH, ele deve ser de fácil acesso a todos os funcionários
(KOCHANSKI, 1998: 27). Quanto às ferramentas desenvolvidas, a gestão por
competências modifica os sistemas tradicionais de RH desde o seu conceito
básico. Ao invés de focarem o cargo, esses sistemas passam a focar a captação,
retenção e desenvolvimento das competências críticas da organização. Assim
sendo:
●
Captação: os sistemas de captação, no novo modelo, passam a buscar as
competências da organização e do grupo em que a pessoa vai estar inserida.
●
Treinamento e desenvolvimento: esses processos sofrem mudanças significativas
relativamente aos programas tradicionais. Os programas de aprendizado devem
viabilizar o desenvolvimento das competências, e proporcionar um aprendizado
orientado para ação, o que nem sempre é contemplado por aulas descritivas
(KOCHANSKI, 1998: 27). Como conseqüência, as organizações começam a desenvolver
novos conceitos de aprendizagem, como, por exemplo, a criação das Universidades
Corporativas, cuja missão é desenvolver os talentos humanos na gestão de
negócios, promovendo a gestão do conhecimento organizacional – geração, assimilação,
difusão e aplicação – por meio de um processo de aprendizagem ativa e contínua
(EBOLI, 1999).
● No novo modelo de gerenciamento de carreira, o avanço não ocorre
somente no sentido vertical (WOOD e PICCARELLI, 1999). É necessária, então, a
montagem de um modelo de planejamento de carreira que enfoque as progressões
horizontais dos empregados, em um plano de carreira ligado às competências
(KOCHANSKI, 1998: 27).
ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Como foi mencionado na
metodologia, as entrevistas estão aqui transcritas fiel e objetivamente para
que se possa ter o real teor das respostas dadas. Será feita uma comparação do
que foi estudado no referencial teórico com as respostas dadas na entrevista.
Identificação dos entrevistados:
Entrevistado 1 - Gerente de
Desenvolvimento de Recursos Humanos - 8 meses na função.
Entrevistado 2 - Assistente em
Administração - 7 anos na função.
Pergunta 01.
Emprega estruturas hierárquicas fáceis de serem compreendidas pelos
funcionários e produzindo um sentimento de justiça e eqüidade interna?
Entrevistado 1: “as
estruturas hierárquicas são fáceis de serem compreendidas, porém não há
sentimento de justiça e eqüidade para alguns. O organograma define
hierarquias.”
Entrevistado 2: ”sim,
emprega estruturas hierárquicas de fácil compreensão pelos funcionários.”
Pergunta 02.
Os funcionários empregam alguma competência social que agregue valor a
instituição?
Entrevistado 1: “alguns sim,
as atitudes dos profissionais, pelo menos do setor de Recursos Humanos, são de colaboração
uns com os outros. “
Entrevistado 2: “sim. há
aqueles que procura ajudar os outros, porém, há aqueles que fazem só o seu
trabalho não interessando nada mais.”
Pergunta 03.
Oferece recursos para que o funcionário desenvolva estratégias empresariais?
Entrevistado 1: “sim,
através do núcleo de incubação tecnológica, onde alunos e funcionários tem
acesso.”
Entrevistado 2: “na maioria
das vezes o servidor que solicita um treinamento ou capacitação atendido.”
Verifica-se
então que o sistema de cargos procura dar coerência interna à organização
(HIPÓLITO, 2000). – competências sociais: saber ser incluindo atitudes de
comportamentos necessários para o relacionamento entre pessoas como,
comunicação, negociação, trabalho em equipe (FLEURY, 1999) – o aumento da
competição empresarial e da diversificação oferecidos pelas empresas como fator
de diferenciação favoreceu o surgimento do conceito de gerenciamento dos
Recursos humanos, alinhando a estratégia relativa as pessoas à estratégia
empresarial (FLEURY, 1999).
A
resposta do item 1 da entrevista define que a instituição está enquadrada no
sistema tradicional onde existe uma hierarquia bem definida, porém algumas
pessoas se sentem injustiçadas pela posição que ocupam.
Nas
respostas 2 e 3, ocorre alguns índices do sistema por competências. Alguns
funcionários agem utilizando suas competências sociais e outros não, a empresa
fornece capacitação para desenvolvimento das estratégias empresariais.
Pergunta 04.
O sistema apresenta baixa flexibilidade, reduzindo a agilidade organizacional,
promovendo um estilo burocrático de gestão?
Entrevistado 1: “basicamente
sim, porém muitos já extrapolam as suas atribuições.”
Entrevistado 2: “no serviço
Público Federal sempre haverá uma certa burocracia. Os funcionários, quando
querem, podem barrar estas limitações do cargo e mostrar a sua criatividade.”
Pergunta 05.
Atividades de produção rotineira, estruturada e de baixa qualificação?
Entrevistado
1: “sim.”
Entrevistado 2: “depende da
vontade dos funcionários, uns realmente estão desmotivados, outros bitolados
nas tarefas.”
Pergunta 06.
Incentivo ao carreirismo, dificultando a convergência de esforços para
objetivos comuns?
Entrevistado 1: “não
incentivamos o carreirismo e buscamos unir todos os funcionários em busca de
objetivos comuns, através de seminários.”
Entrevistado 2: “está sendo
feito um novo plano de carreira para os servidores, porém, ainda utiliza tempo
de serviço para promover funcionários.”
Pergunta 07.
Limitação da área de atuação do indivíduo, considerando sua responsabilidade
limitada à sua área de atuação?
Entrevistado 1: “não, apesar
de saber que algumas chefias o fazem. Em nossa gerência os funcionários tem
oportunidade de ter idéias e decisões e são motivados para tal. Estamos
tentando disseminar esta ação para os demais setores.”
Entrevistado 2: “os
funcionários tem livre atuação dentro da sua área de atuação. A instituição dá,
em termos, liberdade para os funcionários terem idéias e decisões na função,
mas, às vezes, essas idéias são barradas pelo próprio sistema da política
pública.”
Nota-se
portanto a falta de flexibilidade do sistema baseado nos cargos, que está se
tornando obsoleto, dadas às condições atuais em muitos mercados, tais como a
reestruturação organizacional (LAWLER III, 1998: 57) – o Sistema de Gestão
baseado no cargo tem sofrido muitas críticas, já que foi concebido em um
mercado com baixa variabilidade de produtos e ganhos de escala, e que se
caracterizava por exibir mão-de-obra abundante, com baixa exigência de
qualificação, e atividade de produção rotineira e estruturada (DUTRA, 1999) –
limitações dos sistemas tradicionais apontadas pela literatura (DUTRA, 1999) –
o sistema tradicional tem a característica de limitar a área de atuação das
pessoas, induzindo as pessoas a se enxergarem dentro de um sistema sobre o qual
elas têm pouca ou nenhuma influência.
Os
item 4,5,6 e 7 caracterizam um envolvimento maior do sistema tradicional, onde
o Sistema de Política Pública limita as funções, não dando oportunidade para o
colaborador expandir suas atribuições. Apresenta atividades de produção
rotineira, estruturada e de baixa qualificação. Porém a instituição encontra-se
com inovações, procurando estabelecer
um novo plano de carreira, seminários que incentivem o trabalho em equipe.
Pergunta 08.
Identifica competências organizacionais que adicionem valor estratégico ao seu
processo de desenvolvimento?
Entrevistado
1: “sim, desenvolvimento de uma política
de marketing intra e extra institucional.”
Entrevistado 2: “sim, como é
uma instituição voltada ao ensino, ela se preocupa com o aprendizado e o futuro
dos alunos.”
Pergunta 09.
Tem níveis de complexidade de trabalho alinhados às competências individuais?
Entrevistado 1: “sim, porém
ainda há casos de indicações políticas de ordem interna que atropelam as
competências individuais. Mesmo assim, essas indicações também ocorrem em
consonância com avaliação prévia de competências para assunção de cargos.”
Entrevistado 2: “sim, tem
avaliação por mérito, por titulação e por tempo de serviço.”
Pergunta 10.
Adota o trabalho cooperativo e de equipe, a falta de demarcação das tarefas a
partir dos postos de trabalho e tarefas prescritivas a indivíduos?
Entrevistado 1: “sim, porém
no serviço público ainda há muita demarcação de tarefas para determinados
indivíduos proveniente de uma cultura organizacional que estamos tentando
mudar.”
Entrevistado 2: “às vezes
adota trabalho cooperativo, pois cada um tem suas tarefas específicas.”
Pergunta 11.
Oferece treinamentos focando habilidades no relacionamento interpessoal?
Entrevistado 1: “pelo menos
deveria, porém neste curto período à frente desta gerência, ainda não tivemos
recursos suficiente para realizar os cursos e treinamentos necessários. Porém,
em todos que foram programados para 2005 haverá nova focalização para as
habilidades no relacionamento interpessoal.”
Entrevistado 2: “às vezes
tem treinamentos nesta área, deveria haver mais.”
Pergunta 12.
Tem o funcionário como participante essencial para que implemente sua
estratégia e crie vantagem competitiva?
Entrevistado
1: “sim.”
Entrevistado
1: “dá uma certa flexibilidade nas suas
atribuições.”
Os
itens 8,9,10,11 e 12 mostram uma proximidade maior com o sistema de gestão por
competências, onde a instituição assume uma
avaliação por mérito e por titulação, porém, mais uma vez, o Sistema de
Serviço Público aparece com a sua cultura organizacional dando ênfase ao
sistema tradicional.
Pergunta 13.
Utiliza alguma técnica específica para atualização de cargos?
Entrevistado 1: “não, a
atualização de cargos não é realizada pelas instituições, e sim pelo Governo
Federal. O Governo atualiza os cargos baseando-se em necessidades e demandas.”
Entrevistado
2: “Os cargos são específicos das
carreiras do serviço Público Federal. “
Pergunta 14.
O valor do cargo é definido em termos relativos, comparadamente com as outras
posições existentes?
Entrevistado 1: “Sim,
atualmente está sendo implantado um novo plano de carreira para os
técnicos-administrativos onde a planilha de cargos e salários está bem
definida. Para os docentes também há uma planilha de cargos e salários bem
definida.”
Entrevistado
2: “sim, e existe uma tabela de cargos e
salários.”
Pergunta 15.
Atrela competências a cargos específicos?
Entrevistado
1: “sim.”
Entrevistado
2: ”sim, existe manual de competências
para cada cargo.”
Pergunta 16.
Utiliza metas coletivas, por meio de bônus variáveis empregados para premiação
e recompensa?
Entrevistado
1: “sim, porém sem a atualização de bônus
para premiação.”
Entrevistado
2: “não utiliza bônus, o incentivo são as
progressões funcionais.”
Pergunta 17. Adota sistemas de cargos e salários com
eqüidade externa, ou seja, os cargos e remunerações são comparados aos de
mercado?
Entrevistado
1: “não, depende do Governo Federal.”
Entrevistado 2: “não, os
cargos e remunerações são específicos do Serviço Público Federal, não compara
salários com os de outras empresas.”
Pergunta 18.
Os gerentes responsáveis pelo dia-a-dia dos funcionários, opinam nas decisões
salariais?
Entrevistado
1: “opinam, mas não decidem.”
Entrevistado
2: “não, eles não opinam quanto as
decisões salariais. “
Pergunta 19.
Usa faixas salariais de modo que possibilite o estabelecimento de faixas
maiores para a promoção de funcionários, diferenciando profissionais da mesma
faixa salarial mas que possuem qualificação ligeiramente diferente?
Entrevistado 1: “sim, mas
dentro das limitações dos planos de carreira elaborados pelo Governo Federal.”
Entrevistado 2: “Usa-se a
progressão funcional por titulação para definir remunerações para um mesmo
cargo.”
Pergunta 20.
A remuneração dos funcionários é fixa ou existe bônus variáveis para remunerar
competências temporárias?
Entrevistado 1: “sim, não há
bônus temporários, a não ser que seja coparticipante de um projeto e tenha
remuneração no mesmo.”
Entrevistado
2: “é fixa, o funcionário não recebe
bônus de gratificação. “
Pergunta 21.
Utiliza método dos pontos para uma avaliação quantitativa dos cargos para
determinar a remuneração?
Entrevistado 1: “sim, pois o
sistema de progressão funcional, por mérito, depende de avaliação de desempenho
através de pontuação específica, que, por sua vez, altera o salário no caso de
aprovação na avaliação. A avaliação por tempo de serviço faz parte da avaliação
para progressão por permanência no cargo e é automática a cada quatro anos.”
Entrevistado 2: “a avaliação
é feita por tempo de serviço e também por méritos, que inclui pontualidade,
assiduidade, cooperação, participação em treinamentos, adequação ao serviço,
etc.”
Na gestão
por competências é necessário a montagem de um modelo de planejamento de
carreira que enfoque as progressões horizontais dos empregados, em um plano de
carreira ligado às competências (KOCHANSKI, 1998) – apesar das adaptações do
sistema baseado em cargos, eles não resolvem por completo os problemas que a
estrutura por cargos apresenta, pois continuá-se a manter centralizadas as
decisões salariais, tornando a estrutura lenta face às necessidades de mudanças
(HIPÓLITO, 2000) – quanto mais atreladas a um cargo específico, menos gerais se
tornam as competências (LAWLER III, 1998) – bônus variáveis utilizados como
premiação para metas coletivas é um dos meios de aperfeiçoar o sistema baseado
nos cargos (WOOD E PICCARELLI, 1999) – como a maior parte das empresas adotam
hoje sistemas de cargos e salários, pode-se dizer que a remuneração funcional
permite eqüidade externa (WOOD E PICCARELLI, 1999) – centralização das decisões
na área de Recurso Humanos, impedindo que os gerentes possam opinar nas
decisões salariais, nos sistemas tradicionais a descentralização das decisões salariais
é inviável (HIPÓLITO, 2000) – broadbanding facilita a tomada de decisão por
parte dos gerentes no sentido de se utilizar a remuneração como incentivo ao
desenvolvimento dos funcionários (HOFRICHTER, 1993) – especialistas aconselham
a utilização de pagamento fixo para competências duráveis e bônus variáveis
para remunerar competências temporárias (LAWLER III, 1998) – o método dos
pontos, que é uma forma de avaliação quantitativa dos cargos para determinar a
remuneração é o método mais utilizado no mundo (CHIAVENATO, 1999).
Os itens
13,14,15,16,17,18,19, 20 e 21 identificam um maior envolvimento da instituição
com o sistema tradicional. A atualização dos cargos e remunerações não são
feitos pela instituição, mas pelo Governo Federal. Isso deixa lacunas no seu
objetivo de desenvolvimento. Utiliza método dos pontos, que é a principal
característica do sistema tradicional, avaliando o funcionário por tempo de
serviço, pontualidade, onde a progressão por permanência no cargo é automática
a cada quatro anos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES
Entende-se que uma das
principais ferramentas estratégicas de uma organização são os talentos humanos
utilizados atualmente para que as empresas estejam inseridas na competitividade
empresarial. As pessoas passaram a significar o diferencial competitivo que
mantém e promove o sucesso organizacional: elas constituem a competência básica
da organização, a sua principal vantagem competitiva. Segundo Moscovici (2000:
p.14) a maior riqueza de uma organização são as pessoas que nela trabalham.
Nesse
sentido, investir nas pessoas, dando-lhes condições de trabalho adequados que
assegurem bem-estar físico e psíquico; prover condições de aperfeiçoamento, no
trabalho, permitir a atualização de potencialidades não exploradas pelas
tarefas rotineiras, levando-as ao desenvolvimento, como pessoa integral,
torna-se um imperativo tão importante quanto a modernização tecnológica.
Face
à uniformidade tecnológica e grande competitividade, as diferenças entre as
organizações se fazem pela qualidade dos seus recursos humanos. São as pessoas
que fornecem as habilidades, conhecimentos e experiências necessárias ao
desenvolvimento organizacional. Portanto, estímulo a produtividade e qualidade
corresponde a um maior cuidado com as aspirações e o desenvolvimento das
pessoas. Assim, faz-se necessário aperfeiçoar e adaptar o ambiente
organizacional, procurando atender as necessidades e expectativas dos seres
humanos que dele fazem parte.
Torna-se
difícil para a instituição, implementar, na sua totalidade, o sistema de Gestão
de Pessoas por Competências. Os principais fatores que fortalecem esse sistema,
não são definidos pela instituição, mas pelo Serviço Público Federal.
Portanto,
pelo fato constatado, recomendo que em outra oportunidade de pesquisa, possa
ser feito um estudo, nesta área, tanto para o Serviço Público Estadual como
para o Serviço Público Municipal.
Abstract: The
present study deals with the recognition of the System of Management of People
for Abilities in the Human resources of the CEFET-RN. This System, with a new
concept, appeared for the constant changes in the enterprise environment,
caused for the perfection of the Traditional System, that although its
deficiencies and disadvantages still are used in the majority of companies. It
looks in such a way to identify the Traditional System of Management as the
System of Management of People for Abilities, defining arguments so that if it
perceives its advantages and disadvantages in intention to obtain a comparative
analysis between the two Systems. The Traditional System of Management, if
characterizes for using the method of the points to evaluate quantitatively the
positions, looking for to determine promotions and remunerations It is a
inflexible system with the new organizational forms and the speed of the
organization of the work. The System of Management of People for Abilities has
as characteristic flexibility, learning, innovation, communication,
contribution, creative reasoning, technological knowledge and business-oriented
global, the development of leadership, the career management, among others
concepts. The institution, in the
majority of its attributions assumed for the employees, shows to a transaction
trend pair the new system. The fact of the decisions to be taken for another
agency intervenes with the evolution of this transaction, blocking its
development.
Key-words: Human Resources; Organizations;
Management.
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