QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO NA SUPERINTENDENCIA DA POLÍCIA FEDERAL NO RIO GRANDE DO NORTE
Valter Solano Vale – Bel. em Administração – Hab em Gestão de Organizações a Faculdade de Natal
M. Sc Carlos Eduardo Cavalcante – Prof. da Faculdade de Natal
e-mail: cecav@bol.com.br
83-99798837
Resumo: O presente estudo visou
identificar o nível de qualidade de vida dos colaboradores da Policia Federal,
Superintendência Natal, a partir do modelo de Trabalho proposto por Hackman e
Oldham (1980), o qual justifica-se pela percepção do desenvolvimento da
qualidade de vida, pois esta influencia em toda a organização, fazendo com que
seus colaboradores sintam-se integrantes da empresa, e posteriormente mais
motivados. O estudo teve como tipo de
pesquisa o estudo de caso, de classificação descritiva-exploratória, com uma
amostragem de 30% do efetivo, quanto à coleta de dados, esta baseou-se em
questionário estruturado, e o seu levantamento de dados, utilizou de técnicas
do programa Excel, criando-se gráficos para uma melhor ilustração. Depois de realizada esta etapa, conclui-se
que a empresa vem atendendo as expectativas dos colaboradores, que fazem uso de
sua autonomia, importância para empresa e para as atividades, como também para
as pessoas que ajudam, contudo a empresa necessita estar sempre tendo este
contato com seus colaboradores, pois assim poderá moldar-se a eles, fazendo com
que sintam-se satisfeitos e motivados a realização das tarefas do dia-a-dia.
Palavras-Chave: Hackman e Oldham; Organização;
Satisfação.
O tema “Qualidade de
Vida no Trabalho - QVT” tem se mostrado como uma preocupação crescente por
muitas organizações que procuram tornar-se competitivas em tempos
globalizados. Não é recente o interesse
sobre o assunto que, desde a década de 50, tem sido preocupação de diversos
estudiosos como: Trist; Huse e Cummings; dentre outros.
Há
algum tempo a QVT deixou de ser associada apenas à prática de exercícios
físicos ou considerada um sonho pessoal; migrou para as empresas e vem
conquistando força, já que os investimentos nos colaboradores podem ser um
fator decisivo na retenção dos talentos; o problema é que algumas organizações
não sabem como estruturar uma política sólida e investem em ações que não
garantem retorno.
A QVT é a percepção de
bem-estar quanto às expectativas de satisfação das necessidades e do estado de
motivação e é possível levar e manter a QVT nas organizações desde que, existam
atividades e competências específicas que gerem percepção de bem-estar,
associada às evidências de preservação e de desenvolvimento das pessoas durante
o trabalho.
A área de RH tem sido
muito solicitada para desenvolver os programas de qualidade, pois acredita-se
que seja o melhor caminho, incluindo aqui as áreas afins, como as áreas de
saúde e segurança, benefícios, comunicação interna, gestão e certificação da
qualidade, entre outras. Apesar de ser um tema em evidência, existem empresas
que sentem dificuldade em realizar ações voltadas para a qualidade de vida. Por que isso ainda ocorre? Acredita-se que: pode ser que os servidores
não tenham conhecimento da importância da QVT; ou que, talvez os servidores não
tenham assimilado as informações para um melhor aprimoramento da QVT; ou ainda,
que as medidas já implantadas pela empresa não viabilizem as condições do
ambiente.
Assim, Roesch (1999, p. 123) diz que o estudo de caso não é “um método, mas a escolha de um objeto a ser estudado”.
Quanto à classificação, a pesquisa foi descritiva-exploratória, conforme conceituação de Vergara (2003, p.47) que afirma que “é fundamentalmente motivada pela necessidade de resolver problemas concretos, mais imediato, ou não”.
Ainda, pode-se justificar a afirmação quanto ao caráter descritivo porque visa identificar as necessidades para melhorar a qualidade de vida dos funcionários, a partir das percepções, expectativas e sugestões dos mesmos.
A amostragem foi composta por uma margem de 30% do efetivo dos Policiais Federais da Superintendência Natal.
A amostra do referido estudo foi por conveniência, que entende-se
como sendo aquela que é empregada quando se deseja obter informações de maneira
rápida e barata. Segundo Gouvêa (1997), uma vez que esse procedimento consiste
em simplesmente contatar unidades convenientes da amostragem, é possível
recrutar respondentes tais como estudantes em sala de aula, mulheres no shopping,
alguns amigos e vizinhos, entre outros. Os autores comentam que este método
também pode ser empregado em pré-testes de questionários.
A coleta dos dados foi realizada por meio de questionário que para Roesch (1999, p. 142), “não é apenas um formulário, ou conjunto de questões listadas sem muita reflexão [...] é um instrumento de coleta de dados que busca mensurar alguma coisa”. Composto por perguntas fechadas de múltipla escolha.
Quanto ao tratamento dos dados, após a coleta das informações, eles foram tratados estatisticamente de modo descritivo, retirando-se os percentuais que possibilitarão a análise quantitativa, apoiando-se no que Marconi e Lakatos (2001, p. 109) coloca, “não é complicação do modelo estatístico que conta, mas sim a obtenção dos resultados que a pesquisa se propôs a descobrir”.
As principais medidas estatísticas utilizadas foram: medidas de posição (percentuais); de freqüência (porcentagens) e de dados (série estatística - gráficos).
É neste contexto que este trabalho pretende saber, a partir do modelo de Qualidade de Vida no Trabalho proposto por Hackman e Oldham (1980) qual o nível de qualidade de vida no trabalho dos Policiais Federais da Superintendência Natal?
REFERÊNCIAL
TEÓRICO
Neste século, vive-se a preocupação com o binômio indivíduo x trabalho. Nas primeiras décadas desse século a racionalização do trabalho a partir de métodos científicos foi predominante o objetivo era elevar a produtividade, gerando maiores ganhos de capital nas três décadas subseqüente, a preocupação volta-se para o comportamento do indivíduo.
A escolha que norteou o modo de pesquisar, caracterizado
como estudo de caso, remete
à busca de possíveis compreensões e interpretações acerca de temas emergentes
na contemporaneidade. Tal busca acena, desde já, para a relevância social
assumida na produção de conhecimento.
As idéias apresentadas, até então, objetivaram dar a conhecer alguns dos alicerces que sustentaram a construção desta pesquisa. Elas pressupõem que a natureza do trabalho e a qualidade de vida no trabalho atuam entrelaçados, agindo um sobre o outro, em termos de produção com intercorrências diretas à produtividade. Além disto, como nos diz França (1996, p. 81), “a qualidade de vida no trabalho deve estar num contexto mais amplo de qualidade total e de gestão.”
A partir de Mayo (1933), fundador da Teoria das Relações Humanas, sabemos que a organização eficiente, por si só, não leva à melhor produção: é incapaz de elevar a produtividade se as necessidades psicológicas do trabalhador não forem devidamente descobertas, localizadas e satisfeitas. Entendemos como Relações Humanas, as ações e atitudes desenvolvidas pelos contatos entre pessoas e grupos. Além disso,
Inúmeros trabalhos dentro de uma ótica objetivista têm identificado uma
diversidade de variáveis organizacionais contributivas a situações provocadoras
de reações psicológicas e psicossomáticas agudas, entre elas: fatores do
trabalho em si; do papel exercido dentro da organização e sua relação com
outros papéis; questões de carreira; relações interpessoais; de estrutura e de
clima organizacional (SPINK, 1992, p. 64).
Não se pode esquecer que as pessoas esperam mais que uma remuneração justa pelo seu trabalho. Na sua equação de eqüidade observamos que, mais que a remuneração,
Elas procuram outros retornos que justifiquem o tempo, a energia e o
esforço mental e emocional que dedicam à empresa. A eqüidade requer que a
empresa contribua para satisfazer as necessidades de auto-estima, criatividade,
crescimento profissional e socialização dos funcionários na mesma medida em que
eles contribuem para o alcance dos objetivos da empresa. (DEEPROSE, 1999, p.
69).
Neste sentido, Kaplan e Norton (1997) relatam a respeito da ausência ou escassez de medidas específicas que levem em consideração estes fatores.
Funcionários felizes nem sempre são aqueles que ganham mais, em geral são aqueles que gostam do que fazem e têm reconhecimento pelos resultados alcançados.
Segundo Fernandes (1996, p. 87),
[...] entre tantos outros fatores que são apontados por interferirem na
Qualidade de Vida no Trabalho, os mais relevantes foram: realização no
trabalho, oportunidade de aprender, informação científica para realizar o
trabalho, equipamentos para o trabalho, segurança no emprego e proporções
justas na compensação.
Quando Kaplan e Norton (1997) falam sobre a medição do nível de satisfação dos colaboradores, citam como elementos importantes a serem pesquisados o envolvimento nas decisões, o reconhecimento pela realização de um bom trabalho, o acesso a informações suficientes para o bom desempenho da função, o incentivo constante ao uso de criatividade e iniciativa, a qualidade do apoio administrativo e a satisfação geral com a empresa. Funcionários satisfeitos são uma precondição para o aumento da produtividade, da capacidade de resposta, da qualidade e da melhoria do serviço aos clientes.
Ratificando estas afirmações, destaca-se também, Alencar (1996, p. 59) quando cita os fatores que influenciam na expressão da criatividade das pessoas:
[...] no âmbito das organizações, a criatividade depende também em
larga escala das características do ambiente interno, como práticas
interpessoais, sistemas de normas e valores, presença de incentivos e desafios,
que podem estimular ou obstruir a criatividade dos funcionários.
Sabe-se, então que qualquer tentativa de se saber mais a respeito da Qualidade de Vida no Trabalho nos leva a pesquisar a percepção destes fatores pelos trabalhadores; não se explorou outros aspectos, tais como: temperatura ambiente, nível de ruído, nível de esforço físico (FRANÇA, 1996); tampouco outros aspectos gerais como: tabagismo, alcoolismo, estresse, etc.
Existem também aqueles relacionados com o aspecto demográfico, socioeconômico, cultural e político e que, de alguma forma, influenciam as atitudes dos trabalhadores frente ao trabalho. Ou seja, a sua vida no trabalho é afetada pela vida fora da empresa e vice-versa. O interessante seria saber como isto acontece.
Neste trabalho enfocar-se-á a pesquisar, junto aos fatores internos, ou seja, aquilo que pode ser medido e cujas decisões possam ser tomadas no âmago da organização, sem nenhuma interferência externa.
O’toole (1977, p. 54) nos diz que “as pessoas diferem em relação aos aspectos psicológicos e inteligência e, por isso, têm diferentes necessidades em seus trabalhos”.
Apesar destas diferenças, Levering (1997), depois de entrevistar centenas de empregados, percebeu que as características que as pessoas apontavam como importantes numa organização de trabalho convergiam para um grupo de características semelhantes. Empregados de diferentes empresas citavam termos como confiança, orgulho, liberdade, família, ser tratado de maneira justa, poder cometer enganos, como elementos a serem considerados na avaliação da empresa.
Ainda O’toole mostra que ciclos curtos de trabalho, pouca autonomia, controle sobre o ritmo de trabalho e falta de desafios estão relacionados com absenteísmo, rotação de pessoal e greves; levando os trabalhadores a um sentimento de impotência e isolamento.
Temos que pesquisar, portanto, quais os fatores ou dimensões do trabalho que resultariam para o indivíduo numa melhora da qualidade de vida no trabalho.
Desta forma, a definição de alguns fatores como sendo comuns aos empregados e a investigação da percepção em relação a eles. Sentir que se trabalha num ambiente amigo onde se possa conversar informalmente com os colegas sem ter a preocupação de estar sendo vigiado ou, que o presidente ou função afim, carregam suas próprias bandejas e comem nos refeitórios dos empregados, faz com que os empregados se sintam num ambiente de mútuo respeito e consideração.
É fundamental que haja uma cultura de confiança e respeito mútuo dentro
da empresa. Se existe respeito mútuo, é possível aprender com as opiniões
diferentes das outras pessoas. A confiança é necessária porque assenta as bases
de um ambiente no qual todos se consideram vencedores (ADIZES, 1998, p. 39).
Trabalhar num ambiente onde não haja favoritismo ou qualquer tipo de discriminação, também estimula os empregados a ter um nível de competição saudável onde não se destaque a preocupação em serem traídos pelas costas. Num ambiente de trabalho onde a política de interesses pessoais dite as regras, o senso de comunidade e a amizade ficam seriamente comprometidos, chegando à destruição do sentimento de unidade que faria com que todos se sentissem trabalhando para uma causa comum.
Os empregados precisam sentir seus direitos básicos de cidadania respeitados. Eles devem sentir que a empresa leva à sério as suas queixas e atue no sentido de resolvê-las, além de oferecer-lhes a proteção que necessitam. Precisam sentir que são tratados de maneira justa e que podem discordar do seu superior sem medo de represália ou vingança. O verdadeiro compromisso com a justiça pressupõe, inclusive, confrontar a autoridade de um supervisor caso ele tenha sido injusto com algum de seus subordinados. Manter um padrão de justiça que seja perceptível pelos empregados não é nada fácil, diz ainda Levering (1997).
O trabalho é tão importante nas nossas vidas, ele diz, que costumamos usar como identidade pessoal aquilo que temos como ocupação, ou seja, somos aquilo que fazemos. E podemos fazer de modo diferente e ser o diferencial com relação ao jeito de fazer melhor.
O trabalho deve ter significado na vida dos empregados e, para tanto, ele deve ter conhecimento de todo o processo e da importância da sua contribuição neste todo. Ele deve saber de que maneira a parte que produz está relacionada com o produto final. E desta forma, se sentir mais responsável por aquilo que produz. Além disto, o fato de sentir que o seu trabalho têm uma importante contribuição à sociedade, e que ele é feito levando em consideração o cuidado com o meio ambiente, faz o empregado sentir-se importante na sua função. A expressão “vestir a camisa” é ampla no seu significado deixando clara a postura positiva do empregado em relação à empresa e àquilo que nela faz.
O autor considera que os empregados querem sentir-se
valorizados como indivíduos. Querem sentir que seus pares e supervisores se
interessam pelas suas vidas pessoais. Querem sentir que, num momento difícil a
empresa decidirá, num primeiro momento, por outras saídas que não aquela de
dispensá-los, ou seja, que a organização também tem um compromisso de lealdade
para com eles. Presumese que todos possam desempenhar um papel distinto e
valioso, como se todos fizessem parte de uma família e, segundo Levering (1997,
p. 72) “dentro de uma organização este sentimento faz mais do que construir o
coleguismo. Também ajuda a organização a atingir suas metas de maneira mais
eficaz”.
Se os empregados tiverem uma percepção positiva em relação ao fato de serem parceiros, ou colaboradores na organização, estas tenderão a ser mais produtivas e lucrativas.
Ao falar sobre os colaboradores e a qualidade, Juran (1993, p. 48) diz que, “gerentes devem procurar entender as percepções da mão-de-obra e usar essas percepções como dados aos empreendimentos de melhoramento da qualidade proposto”.
Em geral, o que acontece é que o empregado passa a maior parte do seu tempo na empresa, com seus colegas de trabalho e, desta forma, a organização deveria proporcionar a eles a oportunidade de uma agradável convivência. Criar um bom ambiente de trabalho deveria ser uma das metas mais importantes da organização.
Para Levering (1997, p. 76), relata que do ponto de vista de um empregado, um excelente local de trabalho é “aquele em que você confia na pessoa pra quem trabalha, tem orgulho pelo que faz, e gosta das pessoas com quem está trabalhando”.
Além do mais, um empregado motivado, com alto grau de envolvimento, apresentará certamente alto nível de dedicação ao trabalho. Um grande aliado desta motivação é a clareza com que a empresa define e divulga seus sistemas gerenciais; conforme Hammer e Champy (1994), o critério definido para estabelecer a remuneração e os indicadores utilizados para tal, tais como contribuição e desempenho, entre outros, são os principais moldadores dos valores e das crenças dos empregados. Por valores e crenças, dizem eles, entende-se as questões e preocupações que os membros da organização julgam importantes e às quais dão uma atenção significativa.
Como disse Aguiar (1999), a forma pela qual esse conjunto é atendido, determina maiores ou menores níveis de percepção positiva, de forma que, medidas de caráter genérico e impessoal podem ser percebidas de maneira extremamente negativa.
De acordo com Fernandes (1996), deveremos estar atentos aos seguintes aspectos:
Quando Herzberg (1966) fala sobre a teoria dos fatores higiênicos e motivacionais ele aponta que os fatores higiênicos são: políticas e administração da empresa, supervisão recebida para fazer a tarefa, salário, relações interpessoais e condições de trabalho. Já os fatores motivacionais são: auto-realização na tarefa, reconhecimento quanto à realização da tarefa, autonomia na tarefa (o trabalho em si), responsabilidade em relação à tarefa e evolução profissional. Ele nos mostra que os fatores higiênicos são os causadores das insatisfações no trabalho e, ao contrário, os fatores motivacionais são os responsáveis pelas satisfações.
Os fatores de insatisfação (higiênicos) essencialmente descrevem o meio ambiente e servem basicamente para prevenir a insatisfação no trabalho, tendo um efeito pequeno nas atitudes positivas frente a ele.
Os fatores de satisfação são chamados de motivacionais por serem eficazes na motivação do indivíduo, estimulando-o a melhorar seu desempenho e esforço. Ou seja, com os fatores higiênicos atendidos, a empresa tem apenas a garantia da não insatisfação dos empregados. Para ter a garantia da satisfação dos mesmos é necessário investir nos fatores motivacionais.
Em geral, o objetivo primeiro da organização é o de atender aos fatores higiênicos para não provocar insatisfação no seu quadro de funcionários, mas isto não é suficiente, pois não garante funcionários satisfeitos.
Nos anos 60 a sociedade viveu um período de convulsão social os movimentos reivindicatórios dos trabalhadores norte americanos e a não passividade dos estudantes franceses marcaram esta fase.
Na década de 70 acontece a mudança no enfoque organizacional é nessa década que surge os primeiros movimentos e aplicações estruturadas e sistematizadas no interior da organização utilizando Qualidade de Vida no Trabalho –QVT.
Na década de 80 acontece o salto tecnológico e a conseqüente modernizações das organizações. A automação dos meios de produção e as constantes mudanças políticas, econômicas, sócias e tecnológica fizeram com que essa década fosse a mais dinâmica e estável.
O crescimento acelerado da população mundial, a produção em grande escala estimulada pelo mercado consumidor e o aprimoramento tecnológico produzem grandes mudanças nos processos industriais, inicio do século XVIII.
A hegemonia tecnológica da Inglaterra através das conquistas coloniais e os domínios dos mares, os ingleses tinham o indispensável para ativar suas industrias: o mercado consumidos e o transporte. O liberalismo clássico era a base teórica e filosófica sobre a natureza e o comportamento do homem e como orientação dos processos produtivos. Acumular capital era palavra de ordem entre os donos de fabricas e comerciantes.
E nesse contexto que surgem as primeiras preocupações com a racionalização da produção e com o comportamento do trabalhador. O trabalhador vivia em condições desumanas trabalhando até 18 horas por dia. O trabalhador tinha assim uma vida no trabalho onde suas necessidades básicas não eram consideradas.
No século XIX a eficiência da produção continuou sendo muito questionada a divisão da tarefa, através da especialização sugeria salário proporcional a produção de cada trabalhador.
Como os princípios de Taylor, ou seja, a divisão do trabalho em tarefas simples e previamente definidas a utilização de mãos-de-obra não especializada passou a ser amplamente possível e inviável.
FORD que foi um adepto de taylorismo acreditava que uma das necessidades básicas para a prosperidade do trabalhador era os aspectos físicos do local de trabalho ele acreditava que as condições essenciais para se conseguir unir o melhor rendimento a melhor humanidade na produção é dispor de acomodações amplas, limpas e devidamente ventiladas.
O taylorismo e o fordismo proporcionaram aos trabalhadores da época melhores condições de trabalho.
A conceituação de Qualidade de Vida no trabalho evoluiu ao longo das pesquisas realizadas nas organizações.
Conforme França (1997, p.80)
Qualidade
de vida no trabalho (QVT) é o conjunto das ações de uma empresa que envolvem a
implantação de melhorias e inovações gerenciais e tecnológicas no ambiente de
trabalho. A construção da qualidade de vida no trabalho ocorre a partir do
momento em que se olha a empresa e as pessoas como um todo, o que chamamos de
enfoque biopsicossocial. O posicionamento biopsicossocial representa o fator
diferencial para a realização de diagnostico, campanhas, criação e
desenvolvimento das pessoas, durante o trabalho na empresa.
Para Walton (apud RODRIGUES, 1994) destaca que “[...] a qualidade de vida tem sido usada como crescente freqüência para descrever certos valores ambientais e humanos, negligenciados pelas sociedades industriais em favor do avanço tecnológico da produtividade e do crescimento econômico”.
Nessa linha faz-se necessário implementação de ações que proporcionem uma efetiva QVT objetivando o bem estar do trabalhador e a conseqüente melhor da produtividade.
Com o intuito de amenizar os conflitos existentes entre o capital e o trabalho, buscando melhorias para a humanização do emprego Vieira e Hasnashiro (apud Vieira, 1996) conceituam QVT como a melhoria das condições no ambiente de trabalho a partir de uma aliança da política de Recursos Humanos com as variáveis comportamentais e organizacionais.
Segundo Rodrigues (1999), com outros títulos e com contextos, mas sempre voltada para facilitar ou trazer satisfação e bem-estar ao trabalhador na execução de suas tarefas, a qualidade de vida sempre foi objeto de preocupação da raça humana. Por isso que, historicamente exemplificado, os ensinamentos de Euclides (300 a.C.) de Alexandria sobe os princípios da geometria serviram de inspiração para a melhoria do método de trabalho dos agricultores à margem do Nilo, assim como a Lei das Alavancas, de Arquimedes, formulada em 287 a.C., veio a diminuir o esforço de muitos trabalhadores.
No século XX, muitos pesquisadores contribuíram para o estudo sobre a satisfação do individuo no trabalho. Entre eles destacamos Elton Mayo (1959), cujas pesquisas, conforme Ferreira, Reis e Pereira (1999), Hampton (1991) e Rodrigues (1999), são altamente relevantes para o estudo do comportamento humano, da motivação dos individuos para obtenção das metas orgnizacionais e da Qualidade de Vida do Trabalhador, principalmente a partir das pesquisas organizacionais e estudos efetuados na Westerm Eletric Company (Hawthorne, Chicago) no inicio dos anos 20, que culminaram com a escola de Relações Humanas.
Merece igualmente crédito o trabalho de Abrahan H. Maslow (1971), que concebeu a hierarquia das necessidades, composta de cinco necessidades fundamentais: fisiológicas, segurança, amor, estima e auto-realizaçao. Douglas McGregor (1980), agrupou todas as idéias relacionadas à indivíduos – o trabalho e as denominou de Teoria X e Teoria Y. Na abordagem moderna da Teoria X autor afirma que a autoridade e o controle cerrado sob os subordinados são ingredientes indispensáveis à função da gerencia e estabeleceu as seguintes proposições sobre o comportamento humano.
1. Todo ser humano tem aversão essencial ao trabalho e o evita sempre que é possível;
2. Devido a aversão do homem pelo trabalho a maioria das pessoas precisam ser coagidas, controladas, dirigidas e ameaçadas de punição para que se esforcem no sentido da consecução dos objetivos organizacionais;
3. O ser humano, de modo geral, prefere ser dirigido, quer evitar responsabilidade, tem relativamente pouca ambição e quer garantia acima de tudo;
Através da Teoria Y, McGregor (1980), propõe uma outra forma de ver o individuo no trabalho, cujo objetivo esta em alcançar uma verdadeira conjugação entre as metas do individuo e as da organização, apresenta da seguinte forma:
1. Dispêndio do esforço físico e mental do trabalhador é tão natural como um jogo ou o descanso;
2. O homem esta sempre disposto a se autodirigir a se autocontrolar a serviços objetivos com os quais se compromete;
3. O compromisso com os objetivos é dependente das recompensas associadas a sua consecução;
4. O ser humano comum aprende, sob condições adequadas, não só a aceitar responsabilidades como a procura-las.
Vale mencionar também Frederick Herzberg (1968). As pesquisas desse autor detectaram que os entrevistados (engenheiros e contadores) associavam a insatisfação com o trabalho ao ambiente de trabalho e a satisfação com o trabalho com o trabalho ao conteúdo. Assim, os fatores higiênicos - capazes de produzir insatisfação – compreendem: a política e a administração da empresa, as relações interpessoais com os supervisores, supervisão, condições de trabalho, salários, status e segurança no trabalho. Os fatores motivadores – geradores de satisfação – abrangem: realização, reconhecimento, o próprio trabalho, responsabilidade e progresso ou desenvolvimento (FERREIRA apud RODRIGUES, 1999).
Satisfação e motivação são temas muito estudados em diversas áreas. Este tema desperta interesse devido a razoes culturais, funcionais e históricas, segundo Muchinsky (1994).
Kolb (1990) cita que com muita freqüência os administradores hipotetizam sobre os próprios motivos e dos seus empregados de forma simplista. Nesta visão, os empregados seriam motivados por forças externas a eles; bastaria dar-lhes dinheiro e condições de trabalho e eles prontamente responderiam satisfatoriamente.
Entretanto, muito se evoluiu a partir dessa forma simplista de enxergar a motivação e satisfação humana nas organizações, trazendo a tona suas relações com diversas outras variáveis presentes no ambiente de trabalho e, conseqüentemente, relacionadas com a QVT.
Dentre os modelos existentes e os fatores que pretendem mensurar, Walton (apud FERNANDES, 1996) propõe um modelo para analise dos fatores determinados da QVT. Os critérios citados por este modelo incluem oito critérios:
a) Em compensação justa e adequada busca-se obtenção de remuneração adequada pelo trabalho realizado, assim como o respeito à equidade interna (comparação com outros colegas) e à equidade externa (mercado de trabalho).
b) Em condições de trabalho mede-se condições prevalecentes no ambiente de trabalho. Envolve a jornada e carga de trabalho, materiais e equipamentos disponibilizados para a execução das tarefas e ambiente saudável (preservação da saúde do trabalhador). Ou seja, esse tópico analisa as condições reais oferecidas ao empregado para a consecução das suas tarefas.
c) O fator uso e desenvolvimento de capacidades implica o aproveitamento do talento humano, ou capital intelectual, como esta em voga atualmente. É forçoso, portanto, reconhecer a necessidade de concessão de autonomia (empowerment), incentivo a utilização da capacidade plena de cada individuo no desempenho de suas funções e feedbacks constantes acerca dos resultados obtidos no trabalho e do processo como um todo.
d) Oportunidade de crescimento e segurança abarca as políticas da instituição no que concerne ao desenvolvimento, crescimento e segurança de seus empregados, ou seja, possibilidade de carreira, crescimento pessoal e segurança no emprego. Nesse fator pode-se observar, através das ações implementadas pelas empresas, o quanto a prática empresarial esta de fato sintonizada com o respeito e a valorização dos empregados .
e) Essencialmente, em integração social na organização pode-se efetivamente observar se há igualdade de oportunidades, independente da orientação sexual, classes social, idade e outras forma de discriminação, bem como se há o cultivo ao bom relacionamento.
f) Constitucionalismo mede o grau em que os direitos do empregado são cumpridos na instituição. Implica o respeito aos direitos trabalhistas, à privacidade pessoal (praticamente inexistente no mundo empresarial moderno), à liberdade de expressão (altamente em cheque, tendo-se em vista as enormes dificuldades de trabalho com registro em carteira).
g) Fator trabalho e o espaço total de vida devem-se encontrar o equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho. Todavia, como ver-se-á mais adiante, estar-se muito distante de uma prática minimamente ideal nesse campo.
h) Relevância do trabalho na vida investiga-se a percepção do empregado em relação a imagem da empresa, a responsabilidade social da instituição social na comunidade, a qualidade dos produtos e a prestação dos serviços.
Assim, os fatos citados são essenciais para o desenvolvimento de uma boa e adequada qualidade de vida, e já pode-se perceber esses em todo o campo empresarial.
O modelo de Qualidade de Vida no Trabalho proposto por Westley estabelece que a qualidade de vida nas organizações pode ser avaliada por quatro indicadores:
a) Político – muito relacionado à segurança no emprego, uma vez que a organização, detentora do poder, pode dispensar o individuo. Avalia, portanto, a insegurança;
b) Econômico – diz respeito à forma como os lucros são repartidos, ou seja, se há equidade salarial;
c) Psicológico – refere-se à auto-realização no ambiente de trabalho. Propõe a avaliação do grau de desinteresse com o próprio ser. Portanto, avalia o grau de alienação;
d) Sociológico – relacionado à falta de envolvimento moral com as próprias tarefas. Procura identificar o grau de anomia.
QUADRO 01 - Origens da Qualidade de Vida do Trabalho
|
NATUREZA DO
PROBLEMA |
SINTOMA DO
PROBLEMA |
AÇAO PARA
SOLUCIONAR O PROBLEMA |
INDICADORES |
PROPOSTAS |
|
Econômico(1850) |
Injustiça |
União dos trabalhadores |
Insatisfação Greves |
Cooperação Divisão dos lucros Participação nas decisões |
|
Político (1950-1950) |
Insegurança |
Posições políticas |
Insatisfação Greves |
Trabalho
auto-supervisionado Conselho de trabalhadores Participação nas decisões |
|
Psicológico (1950) |
Alienação |
Agentes de mudanças |
Desinteresse Absenteísmo |
Enriquecimento de tarefas |
|
Sociológico |
Anomia |
Autodesenvolvimento |
Ausência de significação
do trabalho Absenteísmo e “turnorver” |
Métodos sócio-técnicos
aplicados aos grupos. |
Fonte: Rodrigues, 1994,
p.88. Qualidade de Vida no Trabalho.
Fernandes (1996) acrescenta que os modelos já mencionados são suficientes para se avaliar o nível de qualidade de vida nas organizações, podendo, evidentemente, ser incorporados novos fatores determinantes da QVT. Através desses instrumentos, as empresas poderão identificar em suas diversas áreas o grau de condições em que trabalham seus membros.
Como conceito de Qualidade de Vida no Trabalho (QVT),
destaca-se que:
A partir da
literatura que trata do assunto, pode se dizer que o conceito da QVT é muito
amplo e em virtude disso, observa-se que, por prevalecer uma visão parcial do
conceito, os debates sobre o tema têm sido bastante prejudicados. Mesmo assim a
QVT tem sido objeto de estudo de várias ciências como: saúde, ecologia,
ergonomia, psicologia, administração e engenharia, afirma Knierim (1999, p.36).
Segundo Vieira (1996), autores clássicos como Maslowe Herzberg, investigaram a QVT enquanto fatores motivacionais ligados ao desempenho, e Lippit (1999), baseando-se nestes autores considera que existe qualidade de vida no trabalho quando os indivíduos podem satisfazer suas necessidades pessoais importantes, através da organização em que atuam.
Para Ouelhas e Morgado (1993), a Qualidade de Vida no Trabalho pode ser entendida como um bem-estar relacionado ao emprego do indivíduo e a extensão em que sua experiência de trabalho é compensadora, satisfatória, despojada de stress e outras conseqüências negativas.
Para Walton (apud VASCONCELOS, 2001), a expressão Qualidade de Vida tem sido usada com crescente freqüência para descrever certos valores ambientais e humanos, negligenciados pelas sociedades industriais em favor do avanço tecnológico e do crescimento econômico.
Conforme França (apud VASCONCELOS, 2001), a origem do conceito
vem da medicina psicossomática que propõe uma visão integrada, holística do ser
humano, em oposição à abordagem cartesiana que divide o ser humano em partes.
Já, Albuquerque (apud CORREIA, 2000), define a QTV como um
conjunto de ações de uma empresa que envolve diagnósticos e implantação de
melhorias e inovações gerenciais, tecnológicas e estruturais, dentro e fora do
ambiente de trabalho, visando proporcionar condições plenas de desenvolvimento
humano para e durante a realização do trabalho.
O estudo aqui apresentado, no que se refere à QVT, usou como base teórica o modelo de Hackman e Oldham (1975), que consideram as características da tarefa do indivíduo como viabilizadoras de satisfação através da criação de estados psicológicos críticos. Relevância Percebida é o primeiro destes estados psicológicos e diz respeito ao grau em que o indivíduo percebe o seu trabalho como importante e significativo. O segundo estado é a Responsabilidade Percebida pelo trabalhador em relação ao seu trabalho, ou seja, o grau em que se sente responsável pelos resultados do trabalho que executa. Em terceiro lugar está o estado que diz respeito ao Conhecimento dos Resultados do Trabalho pelo trabalhador, isto é, o grau com que o indivíduo conhece e entende seu desempenho efetivo na tarefa. A presença desses estados psicológicos é considerada como um indicador de motivação.
Segundo os autores, as dimensões da tarefa capazes de criar os estados psicológicos críticos acima citados anteriormente são: variedade de habilidades e talentos exigidos na realização da atividade; identidade da tarefa, ou seja, o nível em que é possível na realização da tarefa, identificar o desenvolvimento de um trabalho completo; significado da tarefa, isto é, o grau em que a tarefa influencia a vida ou o trabalho de outras pessoas; autonomia, liberdade do indivíduo de planejar a forma de realização do trabalho; feedback extrínseco decorrente da avaliação do desempenho realizada por terceiros; feedback intrínseco, verificado quando a própria atividade fornece ao indivíduo possibilidade de avaliar seu desempenho e interrelacionamento, que se refere ao contato com pessoas - colegas, clientes, etc. - na realização das atividades do seu cargo.
Esse modelo traz ainda a variável resultados pessoais e de trabalho que se refere à sentimentos decorrentes da realização do trabalho e da geração de resultados. Outra categoria constante do modelo são as satisfações contextuais, que avalia a satisfação com possibilidade de crescimento, supervisão, segurança no trabalho, compensação e ambiente social. Existe ainda a variável necessidade individual de crescimento, relacionando características da tarefa e respostas individuais. Assim, o modelo de diagnóstico desenvolvido por Hackman e Oldham (1975), denominado Job Diagnostic Survey, foi adotado como instrumento básico desta pesquisa.
Os três primeiros fatores - Variedade de Habilidade, Identidade de Tarefa e Significação da Tarefa - de acordo com Hackman e Oldham (1975), contribuem para dar maior importância ao trabalho; a Autonomia faz o trabalhador sentir o crescimento de sua responsabilidade pelo trabalho, enquanto o Feedback proporciona ao trabalhador o conhecimento dos resultados de seu trabalho.
Para elevar o nível dos fatores identificados, propõe cinco formas de atuação, que denominaram de Conceitos Implementadores do Enriquecimento de Cargos, a saber:
1.
Tarefas combinadas: consiste no agrupamento sempre
que possível de tarefas fracionadas formando módulos de trabalho ampliados
horizontalmente, aumentando a Variedade de Habilidades e Identidade de Tarefa;
neste sentido, conforme Orlean (1983), a linha de montagem tradicional é
substituída pela montagem de todo o produto pela mesma pessoa.
2. Formação de unidades naturais de trabalho: consiste em identificar diferentes tarefas e agrupá-las em módulos significativos numa estrutura lógica, o que induziria à maior Significação da Tarefa e também reforçaria a Identidade da Tarefa. Através destes dois primeiros conceitos, portanto, tarefas curtas seriam agrupadas formando operações, podendo mesmo chegar a constituir uma atividade (4).
3. Estabelecimento de relações diretas com o cliente: consiste em estabelecer comunicações diretas entre o funcionário e os vários clientes externos ou internos de seu serviço, dando a cada cargo um cliente, de maneira que os problemas e as dúvidas são encaminhadas para solução diretamente ao empregado que produziu, o que proporciona Retroação e Autonomia envolvendo ainda maior Variedade de Habilidade.
4. Carga vertical: consiste na integração vertical que enriquece o cargo com a adição de tarefas mais elevadas ou mesmo atividades gerenciais. Através da carga vertical (ampliação vertical) seria obtida uma maior satisfação, pois seria reduzida a distância entre planejamento, execução e controle do trabalho, que passa a ser atribuição do indivíduo, aumentando desta forma a Autonomia.
5. Abertura de canais de retroação (feedback): significa proporcionar uma tarefa que permita informação sobre como a pessoa está realizando o seu trabalho (feedback intrínseco), em vez de depender da gerência, de colegas ou supervisores; ou seja, o próprio trabalhador deve ter possibilidade de aferir o resultado de seu trabalho, o que vai depender do estabelecimento e disseminação de normas e padrões, assim como da disponibilidade de mecanismos de aferição.
A seguir serão expostas as análises dos dados coletados junto aos funcionários da Superintendência Regional no Rio Grande do Norte (SR/DPF/RN).

Gráfico 01 – Recebe autorização de superior para decidir o que fazer e como fazer o trabalho.
Fonte:
Dados de pesquisa, 2005.
Conforme os dados do gráfico acima, verifica-se que 44% dos entrevistados às vezes recebem autorização de superiores para decidir o que fazer e/ou como fazer o trabalho, seguidos de 32% que afirmaram que raramente isso acontece, já 16% afirmam que isso quase sempre acontece, já 8% afirmam que isso sempre acontece e nenhum dos entrevistados afirmou que isso nunca acontece. Comprova-se então que a delegação de tarefas pode ser considerada constante por parte da empresa, pois existe autorização para decidirem que medidas devem tomar durante o desenvolvimento do trabalho.

Gráfico 02 – O Trabalho permite decidir pela ordem da realização das coisas.
Fonte:
Dados de pesquisa, 2005.
De acordo com a ilustração do gráfico 02, comprova-se que segundo 44% dos entrevistados o trabalho sempre permite decidir pela ordem da realização das coisas, seguidos de 32% que afirmam que quase sempre, outros 18% dizem que às vezes, 6% afirmou que raramente e nenhum dos entrevistados afirmou que nunca acontece. Por terem compromisso com suas funções, este gráfico evidencia que estes decidem sobre a realização das tarefas, enquanto que uma pequena parcela afirmou que isso raramente acontece.

Gráfico 03 – O Trabalho permite planejar as tarefas.
Fonte:
Dados de pesquisa, 2005.
A percentagem mostra que 44% afirmaram que quase sempre o trabalho permite planejar as tarefas, seguidos de 34% que dizem que sempre permite planejar, 16% afirmam que às vezes permite o planejamento, já 6% dizem que raramente, e nenhum dos entrevistados afirmou que nunca permite. Comprova-se que o planejamento é contínuo e grupal, pois estes participam e sabem de todo o planejamento, enquanto que para uma minoria dos entrevistados isso não acontece.

Gráfico 04 – O Trabalho permite tomar decisões sozinho.
Fonte:
Dados de pesquisa, 2005.
Conforme amostragem do gráfico acima, constata-se que 36% dos entrevistados afirmaram que o trabalho sempre permite tomar decisões sozinho, enquanto que 22% dizem que quase sempre isso ocorre, seguidos de 26% que afirmam que às vezes isso acontece, já 16% dizem que isso raramente acontece e nenhum dos entrevistados afirmou que isso nunca acontece.

Gráfico 05 – Tem conhecimento para decidir o que fazer e como fazer o trabalho.
Fonte:
Dados de pesquisa, 2005.
Sobre o conhecimento para tomada de decisão, verifica-se que 42% dos entrevistados dizem que têm muito conhecimento, seguidos de outros 42% que afirmam ter bastante conhecimento, já 12% dizem que o seu conhecimento é mais ou menos, 4% afirmam ter pouco conhecimento e nenhum entrevistado afirmou não ter nenhum conhecimento. Através desses dados, fica exposto que os funcionários mostram-se capacitados para desempenhar suas funções, contudo alguns dizem que têm pouco conhecimento.

Gráfico 06 – O Trabalho exige uso de várias habilidades.
Fonte:
Dados de pesquisa, 2005.
No gráfico 06, comprova-se que para 38% dos entrevistados o trabalho sempre exige uso de várias habilidades, enquanto que para 24% às vezes o trabalho exige uso de várias habilidades, 22% dizem que isso ocorre quase sempre, 16% afirmam que raramente, e nenhum dos entrevistados disse que isso nunca acontece. Entende-se que os funcionários usam de muitas habilidades, conforme a maioria dos entrevistados, que para tanto precisam estar em aprimoramento contínuo, para que assim desenvolvam com maior eficácia suas funções, enquanto que uma parcela afirma que raramente acontece de fazer uso de várias habilidades.

Gráfico 07 – O Trabalho permite a utilização de conhecimento, experiência e habilidades.
Fonte:
Dados de pesquisa, 2005.
Os dados do gráfico 07, comprova-se que para 46% dos entrevistados o trabalho permite a utilização de conhecimentos, experiências e habilidades, seguidos de 36% que dizem que isso quase sempre acontece, outros 14% dizem que às vezes é utilizado, 4% dizem que raramente ocorre o uso de conhecimentos, experiências e habilidades, e nenhum dos entrevistados fez a opção pela resposta nunca. Assim, entende-se que para maioria dos funcionários o trabalho permite utilizar de conhecimentos, experiências e habilidades, enquanto que uma minoria afirma que raramente faz uso desses conhecimentos, experiências e habilidades.

Gráfico 08 – Aplica no dia-a-dia os conhecimentos
adquiridos ao longo da formação acadêmica.
Fonte:
Dados de pesquisa, 2005.
Em relação à aplicação dos conhecimentos adquiridos ao longo da formação acadêmica, entende-se que 46% sempre fazem uso, 26% quase sempre, 18% às vezes, 10% raramente e nenhum entrevistado respondeu nunca como resposta ao questionamento, conforme demonstra o gráfico acima. Comprova-se então, que os conhecimentos adquiridos são importantes para o desenvolvimento das funções, já que a maioria assim afirmou, e uma parcela disse que raramente isso ocorre.

Gráfico 09 – Conhece o processo de planejamento até a execução do serviço.
Fonte:
Dados de pesquisa, 2005.
Conforme os dados do gráfico 09, verifica-se que 40% dos entrevistados sempre conhecem o processo de planejamento até a sua execução do serviço, já para 34% isso quase sempre acontece, 18% dizem que às vezes acontece, 8% afirmaram que isso ocorre raramente, e nenhum dos entrevistados fez opção pela resposta nunca. Comprovando-se que o planejamento da empresa a aberto a todos da instituição, enquanto que para uma parcela isso raramente acontece.

Gráfico 10 – Deixa parte da tarefa para outra pessoa executar.
Fonte:
Dados de pesquisa, 2005.
Em relação à execução da tarefa, verificou-se que para 40% dos entrevistos às vezes esses deixam a tarefa para outra pessoa executar, seguidos de 28% que afirmaram que raramente, 16% dizem que quase sempre, 10% afirmaram que sempre, e 6% dizem que nunca. De acordo com esses dados, comprova-se que existe cumplicidade na divisão das tarefas, onde um pode terminar o trabalho do outro e assim por diante, contudo alguns afirmaram que isso nunca acontece.

Gráfico 11 – O Trabalho permite completar o que começa.
Fonte:
Dados de pesquisa, 2005.
Quando questionados, no gráfico 11, 42% afirmaram que o trabalho quase sempre permite completar o que começa, seguidos de 40% que afirmaram que às vezes, 18% dizem que sempre, e nenhum dos entrevistados fez opção pela resposta raramente ou nunca. Entende-se então, o comprometimento do funcionário com sua tarefa, já que estes sempre procuram completar o que começam.

Gráfico 12 – Executa tarefas iniciadas por outras pessoas.
Fonte:
Dados de pesquisa, 2005.
Em relação a executar as tarefas iniciadas por outras pessoas, 54% dos entrevistados afirmaram que às vezes isso acontece, seguidos de 20% que dizem que raramente acontece, 12% dizem que quase sempre, 10% dizem que sempre, e 4% afirmam que nunca acontece. Mais uma vez comprova-se que os existe cumplicidade entre os funcionários, e além disso, não há problemas em terminar o trabalho que outro iniciou, apesar disso, alguns afirmaram que isso nunca acontece.

Gráfico 13 – Considera-se uma pessoa importante para a empresa.
Fonte:
Dados de pesquisa, 2005.
Conforme os dados do gráfico 13, compreende-se que para 48% dos entrevistados é considerado uma pessoa bastante importante na empresa, já 34% dizem que é muito importante, 14% dizem que mais ou menos, 4% afirmam ser pouco importante e nenhum dos entrevistados disse ser nada importante para a empresa. Verifica-se neste gráfico que a auto-estima dos funcionários esta bem definida, pois para eles a empresa os considera como parte integrante da instituição e não apenas como um servidor, contudo alguns entrevistados afirmaram que eles são pouco importes para a empresa.

Gráfico 14 – Os resultados do trabalho afetam as vidas de outras pessoas.
Fonte:
Dados de pesquisa, 2005.
O gráfico 14 demonstra que 50% dos entrevistados dizem que os resultados do trabalho afetam bastante as vidas de outras pessoas, seguidos de 34% que dizem afetar muito, 12% dizem que afetam mais ou menos, 4% dizem que afetam pouco, e nenhum dos entrevistados fez a opção pela resposta nada. Verificando-se então, que o trabalho desenvolvimento por esses funcionários é importante para todos não apenas para eles, mas para toda a sociedade, contudo alguns responderam que isso não afeta nenhum pouco a sociedade.

Gráfico 15 - O Trabalho que realiza é importante.
Fonte:
Dados de pesquisa, 2005.
Os dados demonstram que para 58% dos entrevistados o trabalho que realiza sempre é importante, seguidos de 38% que considera quase sempre importante, 4% dizem que às vezes é importante, e nenhum dos entrevistados dizem raramente ou nunca é importante o trabalho que realiza, conforme mostra o gráfico 15. Compreende-se, através desses dados que estes funcionários sentem-se importantes devido ao trabalho realizado, apesar de alguns afirmaram que às vezes é importante o trabalho desenvolvido.

Gráfico 16 – Se deixasse de ser voluntário, sua falta seria notada pelas pessoas que ajuda.
Fonte:
Dados de pesquisa, 2005.
O gráfico 16 comprova que para 38% dos
entrevistados, se estes deixassem de ser voluntários, sua falta seria quase
sempre notada, seguidos de 32% que afirmam que às vezes seria notada, 22% dizem
que sempre seria notada, 8% dizem que raramente, e nenhum dos entrevistados
respondeu nunca como resposta.
Verifica-se assim que a entre a sociedade assistida com seus serviços já
são conhecidos por algumas pessoas da sociedade, pois estes acham que as
pessoas irão notar sua falta, enquanto que uma parcela desses entrevistados
acreditam que raramente as pessoas irão sentir sua falta.

Gráfico 17 – Valia os resultados e processos do trabalho que realiza.
Fonte:
Dados de pesquisa, 2005.
Em relação à avaliação dos resultados e
processos do trabalho que realiza, para 34% dos entrevistados sempre são
avaliados, 28% dizem que quase sempre, 30% dizem que às vezes, 8% dizem que
raramente e nenhum dos entrevistados afirmou que nunca é avaliado os resultados
do trabalho realizado. Comprova-se que
a empresa procura avaliar seus funcionários, e isso torna-se um ponto positivo
para a instituição que poderá avaliar os resultados encontrados, como também
seus executores, para maioria dos entrevistados, enquanto para alguns isso não
acontece.

Gráfico 18 – Os superiores apontam erros cometidos de forma clara e objetiva.
Fonte:
Dados de pesquisa, 2005.
No gráfico 18, constata-se que 40% dos
entrevistados afirmaram que quase sempre os superiores apontam erros cometidos
de forma clara e objetiva, seguidos de 26% que dizem que às vezes isso
acontece, 18% dizem que sempre acontece, 8% afirmam que raramente acontece, e
outros 8% dizem que isso nunca acontece.
Nestes dados, fica evidenciado que os superiores têm um relacionamento
bem aberto, para que assim apontem os erros cometidos de forma clara e
objetiva, conforme maioria dos entrevistados, enquanto que uma pequena parcela
afirma que isso nunca acontece.

Gráfico 19 – Recebe informações de seu superior e colegas sobre o desempenho.
Fonte:
Dados de pesquisa, 2005.
Conforme a exposição do gráfico 19,
compreende-se que para 42% dos entrevistados quase sempre recebem informações
de seu superior e colegas sobre o seu desempenho, seguidos de 34% que afirmam
que às vezes, 18% que sempre acontece, 6% que afirmam que raramente isso
acontece, e nenhum dos entrevistados fez a opção pela resposta nunca. Este é um ponto que esta sendo bem
trabalhado na empresa, pois a maioria dos entrevistados afirmou que quase
sempre recebem informações de seu superior e colegas sobre o seu desempenho,
contudo uma parcela afirmou que raramente isso acontece.

Gráfico 20 – Recebe feedback sobre a atuação.
Fonte:
Dados de pesquisa, 2005.
No gráfico 20, compreende-se que para 40% dos entrevistados recebe feedback sobre sua atuação, seguidos de 22% que afirmam que às vezes, 18% dizem que sempre, 12% dizem que nunca, e 8% dizem que raramente recebem feedback sobre a sua atuação. Comprova-se então que o uso de feedback é constante na empresa, apesar que alguns entrevistados afirmarem que isso raramente acontece.
Depois de realizada as análises dos
dados, fazem-se necessário às considerações finais para o aprimoramento das
técnicas de qualidade de vida na Superintendência da Policia Federal, conforme
o modelo proposto por Hackman
e Oldham (1980),
promovendo dessa forma uma melhor desenvoltura de seu quadro funcional.
Esse modelo proposto visa atender
necessidades de autonomia, variedade de habilidades, identidade das tarefas,
seu significado e por fim o feedback, para assim, garantir uma melhor qualidade
de vida aos colaboradores, para que estes sintam-se parte integrante da
instituição, pois assim sentiram-se mais satisfeitos e posteriormente com maior
motivação para o desenvolvimento de suas atividades.
Os dados comprovam que quanto à
autonomia, a maioria dos entrevistados afirmou que às vezes recebem autorização
de superiores para decidir o que fazer e como fazer o trabalho, contudo o
trabalho permite decidir pela ordem da realização das coisas, e também pelo
planejamento, e, além disso, verificou-se que estes podem ainda, tomar decisões
sobre os trabalhos sozinhos, o que promove uma maior efetivação das tarefas,
ocorrendo assim uma maior agilidade.
Em se tratando da variedade de
habilidades constataram-se que a maioria dos funcionários tem conhecimento para
decidir o que fazer e como fazer o trabalho, além disso, comprovou-se que o
trabalho exige sempre o uso de várias habilidades como também, permite a
utilização de conhecimentos, experiências e habilidades, onde estes
conhecimentos, na maioria das vezes, são aqueles adquiridos ao longo da
formação acadêmica.
Na identidade da tarefa, ficou claro que
os entrevistados conhecem o processo de planejamento até a execução da tarefa,
contudo na maioria das vezes deixam parte dessa tarefa para outra pessoa
executar ou iniciam tarefas que outras pessoas já haviam iniciado, apesar de
afirmarem que o trabalho sempre permite completar o que começa.
No tópico seguinte, que trata do
significado da tarefa, segundo o modelo proposto por Hackman e Oldham (1980), verificou-se que
para a maioria dos funcionários entrevistados estes se consideram uma pessoa
bastante importante para a empresa, como também, afirmou que o seu trabalho
afeta as vidas de outras pessoas, além disso, dizem que o seu trabalho sempre é
importante.
Por fim, tratou-se do feedback, e conclui-se que os entrevistados
são sempre avaliados, como também, os superiores sempre apontam os erros
cometidos de forma clara e objetiva, procurando assim, a realização de novos
aprendizados para os funcionários, além disso, estes sempre recebem informações
de seus superiores e colegas sobre o seu desempenho, promovendo um maior
contado, ou seja, socialização, e ainda, quase sempre recebem feedback sobre
sua atuação na empresa.
Esses dados comprovam a situação atual da empresa para com
seus colaboradores, fazendo com que a mesma conheça melhor os pontos positivos
e negativos, procurando assim, desenvolver uma sistemática de aperfeiçoamento
para que a empresa se adapte cada vez mais aos colaboradores, pois assim, estes
poderão realizar suas funções dentro do esperado pela empresa. Concluiu-se que,
é primordial melhorar continuamente a empresa, de modo que proporcione maior
satisfação aos funcionários da mesma, em relação à qualidade de vida no
trabalho.
Quanto à limitação do estudo, evidencia-se que o mesmo
possuiu tempo relativamente curto, não podendo obter maior investigação, com um
aprofundamento de maiores detalhes, devido ser realizada a aplicação e o
levantamento da pesquisa em apenas algumas semanas; em se tratando dos
recursos, utilizou-se de livros, periódicos, orientações, e ainda de recursos
próprios, ou seja, a própria pesquisa, por exemplo, sua aplicação e tabulação,
contudo para elaboração dos gráficos foi utilizado o programa do Excel.
Contudo, espera-se ter contribuído para o desenvolvimento da QVT na instituição
e, ainda, para que este estudo sirva de modelo e até mesmo de continuação para
pesquisas posteriores.
Key-words:
Hackman e Oldham; Satisfaction in work; Organizations.
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