O Processo de Avaliação e a Cola nas Instituições de Ensino Superior

Autor: Carlos Alberto Nicoletti

nicolas@falnatal.com.br

Com base nos meus 35 anos de experiência como professor e aluno, tenho observado que as pessoas geralmente apresentam certo estado de ansiedade no dia de avaliação. Então me pergunto: Que tipo de ensino é esse que leva as pessoas a estados de angústia e ansiedade, provocando na maioria das vezes o estresse psicológico? Que tipo de ensino é esse que no lugar de deixar as pessoas tranqüilas e conscientes para transmitirem com segurança e satisfação os conhecimentos aprendido em sala de aula, ao contrário, umas ficam tensas, outras dizem que deu “um branco” – esquecimento temporário, outras apelam para a famosa cola. Nesse sentido, é importante que os educadores façam uma reflexão sobre o processo e modelo de avaliação realizada para verificar a aprendizagem de seus alunos, evitando assim, o problema da tradicional cola.

O modelo tradicional de aprendizagem leva os educandos a colarem já na educação infantil. Nessa fase, os alunos desejam demonstrar os professores e aos pais que estão aprendendo. Tal tipo de atitude é respaldado pelo comportamento dos responsáveis pelos mesmos, uma vez que exigimos o máximo das crianças, principalmente no que concerne à leitura e à escrita.

A forma de avaliação tradicional, que também ocorre na maioria das escolas brasileiras, em regime seriado e no final do processo ensino-aprendizagem, a chamada avaliação somativa, que é uma forma falha de avaliar alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem e uma das principais causas do fracasso escolar no Brasil.

No ensino fundamental os alunos exercitam a cola como afirmação de maturidade, de afirmação pessoal: "Eu não estudei e se não colar, serei reprovado". No ensino médio também não é tão diferente porque os alunos já se habituaram a colar e, finalmente, os alunos na educação superior aperfeiçoam a cola, se acham no direito de colar através de conversas paralelas e participativas antes e durante a aplicação de provas, exercícios, tarefas ou outros meios de observação que têm por fim a verificação de desempenho da aprendizagem, em situações de atribuição de notas, os alunos colam para enfrentar a pressão dos professores e dos gestores dos estabelecimentos de ensino, por fim, colam para evitar atraso escolar, repetência e evasão escolar.

Nesse contexto, o professor deve optar por mais de uma forma de avaliar o conhecimento dos alunos, podendo recorrer a: observação participativa em sala de aula, trabalhos individuais e em grupo, exposições orais em pequenos e grandes grupos, debates, exposições de filmes. Todos esses processos avaliativos podem ser acompanhados de um relatório, além de trabalhos de pesquisa, de extensão, uma prova escrita e auto-avaliação, uma vez que a função do atual professor, dentro de uma pedagogia inovadora, é o de educar, modificar comportamento do aluno, levá-lo adiante, faze-lo avançar não só nos aspectos quantitativos, mas também nos aspectos qualitativos, onde exista transparência, sem clandestinidade ou ilegalidade. Nessa situação, não se justifica a cola, e sim, um maior envolvimento e solidariedade do aluno no processo de ensino proposto pelo professor. Se, eventualmente, o aluno obtiver uma nota baixa, o professor deverá estar ao seu lado para ajudá-lo a superar a deficiência de aprendizagem, evitando assim, o terrorismo psicológico no dia da prova, ocasionado por determinados professores tradicionalistas e muitas vezes, despreparados, procurando se impor através do terrorismo pedagógico. Haja vista que nos países de primeiro mundo, como Estados Unidos, Japão, alguns países da Europa e até mesmo as Academias Militares do Brasil, os alunos que cometem meios ilícitos como colas, plágios entre outros para obterem boas notas, tentando ultrapassar os demais colegas por meios desleais, geralmente são desligados ou expulsos das escolas, faculdades ou cursos que estejam realizando, uma vez que esse tipo de atitude não faz parte da educação moral e ética de um futuro profissional, isto é, retirar algo dos outros e fazer uso do mesmo em seu próprio benefício. Tais atitudes devem ser terminantemente coibidas durante toda a vida pessoal, acadêmica e profissional dos educandos, e essa é uma tarefa árdua onde o professor deve atuar.

A Cola via Internet

A cópia de trabalhos acadêmicos via Internet não é novidade da tecnologia atual. Antes do computador, o aluno desonesto copiava ou comprava trabalhos datilografados. Chamadas do seguinte tipo são conhecidas no mundo acadêmico: “Se você não tem tempo, anda estressado, cansado e sobrecarregado de trabalhos, nós temos a solução”.

O que está em jogo é a formação dos alunos nos ensinos Fundamental e Médio e a seriedade do Ensino Superior. É grande a quantidade de alunos que vêm até a universidade semi-alfabetizados, com baixo rendimento escolar e com incapacidade para escrever e ler – apesar das boas notas.

Algumas escolas de ensino Médio e Fundamental, bem como algumas Faculdades e Universidades produzem uma gama enorme de pessoas despreparadas a cada ano que se passa. Tais Instituições de Ensino, por sua vez, estão pouco interessadas no processo de construção de conhecimento, reproduzindo sempre o mesmo modelo, havendo uma espécie de cumplicidade e promoção da ignorância do conhecimento.

Alguns professores mais radicais afirmam que a Internet se tornou um convite à desonestidade. O problema não está na Internet, o problema está no professor e no aluno, nas relações e no conhecimento desenvolvido e produzido em aula. É preciso estabelecer contratos e comprometimento do fazer pedagógico. É preciso acabar com o professor fazendo de conta que ensina e o aluno fazendo de conta que aprende. O conhecimento, por definição, envolve compromisso, responsabilidade e ética. A desonestidade da sociedade civil está na escola e na universidade. É preciso encontrar novas formas que suplantem esse modelo arcaico de formar cidadãos do mundo, para que eles estejam comprometidos com uma ética fundada na co-responsabilidade e no bem comum.

Para coibir tais tipos de colas, os professores estão aprimorando os métodos de avaliação para voltar a formar bons estudantes em vez de hábeis copiadores. Grande parte dos mestres viu-se obrigada a se precaver, restringindo a abrangência dos temas das pesquisas. A conclusão é de que não há mais espaço para pedidos clássicos como “Fale sobre a Revolução Russa”. O tema precisa, se possível, associar a pesquisa a situações reais para evitar cópias idênticas de trabalhos acadêmicos e científicos.

Bibliografia Consultada

CAVALHEIRO, Rodrigo. Mau uso da Internet sabota estudo. Jornal Zero Hora - Porto Alegre http://zh.clicrbs.com.br/24/05/2002.

LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL (LDB). 1996.

MARTINS, Vicente. A auto-avaliação como forma de favorecer a educação em valores. 2002

MARTINS, Vicente. Política educacional a partir da nova LDB. 2004.

THUMS, Jorge. Cola online e ética no conhecimento. Salamanca/Espanha: Ulbra, 2002.

VAZ, Conrado Adolpho. A falta de ética através da cola na Internet. 2003.