O SIGNIFICADO DO TRABALHO

Dr. Carlos Alberto Nicolete da Silva – Prof. da Faculdade de Natal, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e aluno do 3º Ano de Psicologia.

e-mail: nicolas@falnatal.com.br / nicolas041051@uol.com.br

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Msc. Élson Vilela – Prof. da Faculdade de Natal e do Curso de Psicologia da Universidade Potiguar.

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Resumo: Este trabalho caracteriza-se como um estudo bibliográfico, uma vez que foi fundamentado através de fontes secundárias e teve como objetivo identificar a importância do significado do trabalho, sua importância, divisão e aplicabilidade real dentro de uma estrutura organizacional, como também, conhecer as estratégias utilizadas dentro dos Recursos Humanos. A iniciativa deste trabalho surgiu a partir das várias leituras realizadas sobre a disciplina de Psicologia Organizacional, onde foram abordados aspectos importantes sobre o trabalho dentro de uma estrutura organizacional nas empresas. Nesse sentido, verifica-se que a estrutura organizacional, tanto quanto as regras políticas, administrativas, os objetivos, as missões, descrições de cargos e procedimentos operacionais padronizadas são entendidas como funções interpretativas e, portanto, existentes muito mais nas mentes dos seus membros, do que nos elementos formais e objetivos das organizações.

Palavras-chave: Trabalho; significado; organizações; estratégias; recursos humanos.

Introdução

Antes de se falar sobre o significado do trabalho, é importante saber que a história do trabalho começa quando o homem buscou os meios de satisfazer suas necessidades - a produção da vida material. Essa busca se reproduz historicamente em toda ação humana para que o homem possa continuar sobrevivendo. Na medida em que a satisfação é atingida, ampliam-se as necessidades a outros homens e criam-se as relações sociais que determinam a condição histórica do trabalho. O trabalho fica então subordinado a determinadas fontes sociais historicamente limitadas e a correspondentes organizações técnicas, o que caracteriza o chamado modo de produção (BERLINGER, 1983).

Dentro do chamado modo de produção, é importante salientar que o trabalho é designado como uma atividade que altera o estado natural das pessoas, transformando-as para melhor satisfazer suas necessidades, podendo ser visto como um processo através do qual, o homem produz coisas necessárias à sua existência, através da transformação da natureza.

Por sua vez, o processo de trabalho é entendido como o resultado da combinação do objeto, dos meios, da força e do produto do trabalho. O objeto é a matéria com que se trabalha(...) Os meios de trabalho são os instrumentos que o homem utiliza(...) A força de trabalho é a energia humana empregada no processo de transformação(...) O produto é o valor de uso (SANTOS, 1989).

Garrafa (1990) comenta que ao ser aplicada á produção, simplificando, padronizando as tarefas, estreitando as qualificações, é gerada a despersonalização do trabalhador, acarretando na degradação e esvaziamento da substância do trabalho. As formas nocivas contribuem para abalar a psique. Surge então a insatisfação que suscita a depressão, tensão nervosa, doenças coronarianas e outros tipos de doenças. Essa insatisfação constitui um dos aspectos de alienação dos trabalhadores

Certo tipo de tensão é normal na vida das pessoas e a vida seria enfadonha sem ela contudo, se a tensão for repetida, prolongada ou contínua, o corpo se desgastará, podendo resultar várias enfermidades. A tensão pode realmente desgastar o corpo e acelerar o envelhecimento.

As fontes laborais de tensão são de natureza múltipla: física, químicas, biológicas, sociais, econômicas, culturais e políticas, que exercem efeitos nefastos, abalando crucialmente a estrutura física e mental da saúde do trabalhador.

Muniz (1992) preconiza que o trabalhador reduzido à condição de um serviço simples, onde lhe é exigido apenas a repetição de gestos marginais, o faz porque é obrigado a fazê-lo, para garantir a sua sobrevivência. E não pode deixar de cumprir tais exigências porque são essas as relações entre capital e trabalho, no modo de produção capitalista e monopolista. Sem escolher, se submeter às relações, organizações, condições e ambientes de trabalho, expondo-se fisicamente à poeira, vapores, gases, calor, barulhos, acidentes, jornadas de trabalho sobre os quais não tem nenhum controle.

Fundamentação Teórica

Há algum tempo estão sendo observadas algumas mudanças, tanto na estrutura do mercado laboral como nos valores dominantes, que fazem com que seja questionado o papel que o trabalho ocupa em nossa sociedade.

De acordo com Offe (1992), a existência de um desemprego não só estrutural, mas estruturado, de uma precariedade igualmente diferencial, assim como de diferenciação nos sistemas de valores de trabalho, nos propõe em primeiro lugar, se o feito em si de trabalhar significa objetivamente o mesmo para todas as pessoas que estão em disposição de trabalhar, e se o trabalho continua sendo postulado como um veículo solidário básico. A concepção do trabalho como fundamento da solidariedade na sociedade moderna se fundamentou na concepção do trabalho como mercadoria dentro de um mercado.

A idéia da organização racional do trabalho livre, era uma característica central, segundo MAX WEBER, da economia central. O que encontraríamos em uma situação na qual, em lugar de haver progressos cada vez maiores de racionalização econômica universalizante, haveria produzido uma diversificação e relativa particularização dos sistemas de valorização do trabalho.

Esta idéia de uma racionalidade abstrata e universal está presente em outra faceta da concepção clássica do trabalho como é a idéia do “baixo trabalho em geral”, como trabalho separado de suas formas particulares de realização, sejam agrícolas, artesanais ou fabris, e que seja segundo Godelier (1980), é a característica principal da moderna economia política.

A utopia marxista seria, até certa medida, um desenvolvimento desta idéia de racionalidade universalizante cujo germen se encontra no trabalho em geral. Seria uma forma completa de racionalização: unidade da razão e a vida, do trabalho social e a atividade pessoal. O que a situação atual planejaria é até que ponto existe algum fundamento para falar de trabalho em geral e, concomitantemente, de uma racionalidade instrumental generalizada, na legitimidade, em definitivo, se identifica com a lógica.

Junto a essas mudanças no mercado de trabalho, fala-se igualmente, da aparição de uma série de novos sistemas de crenças e valores a respeito do trabalho e da vida em geral (pós-materialistas, pós-industriais, novas éticas do trabalho etc) que levam a questionar-se se o trabalho significa, não objetiva mas subjetivamente, o mesmo que significava antes.

Este tipo de situação tem propiciado uma reflexão sobre o significado do trabalho em nossa sociedade.

O significado do trabalho

Os textos abordam uma explicação para o significado do trabalho. Em alguns capítulos o conceito de trabalho está relacionado a funções que determinam a vida dos indivíduos. Na teoria de Albornoz (1994), Brief (1990) e trabalhos realizados pela Meaning of Working International Research Team - Mow (1986), entre outros, relatam o termo trabalho como um uso “Plurivariado” a partir do momento em que se produz alguma coisa. Essa produção necessita de esforço físico e mental e adquire concepções das ciências humanas e sociais, ou seja, o trabalho é uma atividade que envolve o homem nos aspectos físicos , mental e social, no seu cotidiano é exercido um papel importante na construção da subjetividade humana.

Na teoria de Borges (1998:41) o significado do trabalho varia individualmente e assume aspecto de um caráter social, associado às condições históricas da sociedade, onde os mesmos indivíduos estão inseridos e podem ser tomados como uma representação social. Portanto, o trabalho está relacionado aos valores que cada indivíduo associa ao ato de trabalhar. É multifacetado no sentido de assumir diversos aspectos através dos quais o indivíduo pode atribuir vários significados sobre a cognição do trabalho. Esse processo dinâmico pode ser muito bem explorado quando da empregabilidade da representação social quando questiona o próprio trabalhador sobre o que seria o significado do trabalho para ele. Vários são os significados atribuídos, tudo vai depender do tipo de compreensão, necessidades, interesse, valores pessoais, políticos e sociais de cada indivíduo. Ora, se o trabalho é um dos pontos centrais da vida social, cabe perguntar como os trabalhadores o percebem e que significado atribuem a ele. A maior ou menor importância do trabalho relaciona-se aos valores que cada indivíduo associa ao ato de trabalhar.

Tipos de valores e padrões do significado do trabalho

Segundo Ross e Grad (1991), os valores humanos básicos e os valores do trabalho, têm uma relação de entendimento de uma abordagem bidimensional, podendo ser dividida em algumas dimensões:

• Abertura à mudança Versus conservação – Refere-se ao interesses intelectuais e afetivos direcionados a caminhos incertos (valores de estimulação e autodeterminação, em oposição à preservação do status);

• Auto promoção Versus Autotranscendência – Essa dimensão mostra interesses individualistas à custa do coletivo ( valores, poder, realização e hedonismo) promove o bem-estar coletivo e da natureza.

Dentro do significado de trabalho, a equipe Mow (1986), baseada em pesquisas percebeu que existem quatro padrões:

• Padrão Instrumental – Atribuem as pessoas que dão a importância aos resultados econômicos do trabalho e menos valorizam aos seus aspectos intrínsecos.

• Padrão Expressivo e de Centralidade – Há uma importância acentuada das pessoas se expressarem por meio do trabalho, que para elas existe um significado de uma esfera de vida, ou seja o salário não é visto como um resultado importante.

• Padrão de significado com orientação para o Direito e Contato – Nesse padrão inclui as pessoas que apresentam altas taxas de normas de direito, estabelecida por deveres e atribuído alto valor à dimensão do contato social.

• O padrão de significado com baixo direito – Está relacionada àquelas pessoas que apresentam orientação extremamente baixa para as normas de direito, adquirido ligeiramente contrabalançados por uma orientação média para obrigação. Entretanto ,conclui que a equipe MOW tem um significado de trabalho para os indivíduos de acordo com as características e qualidades das experiências, ocupações e outros antecedentes.

Estudo feito por FREEDMAN e CRESPO (1996) que utilizou um método de discussão em grupo é focado o trabalho com as pessoas incapazes e com suas famílias. As autoras consideram que as pessoas com incapacidade são fontes essenciais de formação sobre aspectos qualitativos do emprego, fazendo com que exista um significado do trabalho em suas vidas.

Na concepção religiosa, o significado do trabalho apresenta um estudo transacional na teoria de Dejours (1994), através de amostras representativas examinadas relacionadas com a força do trabalho na Alemanha, Israel e Holanda. O autor questiona que o trabalho e a religião estão interligados, revelam fundações da sociedade humana, considerando que a ética do trabalho é o foco relevante do velho e novo testamento.

2.3. Pesquisas realizadas sobre o significado do trabalho

Varias foram as pesquisas realizadas sobre o significado do trabalho, tanto nacional quanto internacional com diferentes categorias de profissionais e classes sociais. Nestes tipos de pesquisas, utiliza-se a representação social, trabalhando os dados qualitativa e quantitativamente o significado do objeto de estudo. Os resultados das pesquisas demonstraram que existem distintos padrões de respostas sobre o significado do trabalho. Um desses trabalhos foi o realizado por Crespo (1998), que procurou identificar o significado do trabalho através da análise lexicográfica das respostas de perguntas abertas contidas em um questionário mais amplo sobre o trabalho e a análise (diferencial por variáveis) de vários grupos de discussão realizada sobre este mesmo tema. Estes grupos foram destinados a responder sobre diferentes tipos de ocupações e situações laborais, conforme os critérios de emprego/desemprego, estabilidade laboral e status laboral.

Na análise lexicográfica, foram elaboradas duas perguntas abertas, procurando identificar as palavras que tivessem maior significado de trabalho através da freqüência das mesmas. Para tal, foram feitas as seguintes perguntas:

1. O que é mais importante para você a respeito do trabalho em geral? As que apresentaram maior freqüência, foram: dinheiro, trabalho e gosto(prazer)

2. O que você encontra de mais negativo no trabalho? As que apresentaram maior freqüência foram: tempo, horas e pouco.

Na análise diferencial, foram apresentadas variáveis níveis de estudos, que constituem um indicador de classe social, o que se pode conseguir com isso, é saber que termos léxicos acerca do trabalho são usados de forma mais diferencial, segundo o nível de estudo.

A segunda parte do trabalho, foi identificar as estruturas discursivas dos grupos. São explicações que as pessoas constroem quanto tentam dar sentido às contradições que supõem que têm que trabalhar. As principais antinomias ou dilemas que se constrói sobre o significado do trabalho são gosto/sofrimento e, de modo mais básico, o dilema liberdade/submissão.

Os resultados demonstraram que, dentro do discurso de coerção, existe a ampla presença de um discurso em que a necessidade de trabalhar se emprega como uma imposição não intereriorizada, que pode ser classificada como discurso de coerção, no qual, se trabalha porque não há mais remédio. Mais que viver, o trabalho serve para sobreviver. O tipo de vínculo que se estabelece com o trabalho é similar ao que Kelman (1984) caracterizou como submissão, e dentro destas características encontram-se:

a) Imposição externa - que exige obediência e submissão, entrando em contradição com o desejo de liberdade. Nos grupos de executivos, a imposição e a relação de obediência é, em geral, uma das características consideradas como negativas a respeito do trabalho. As ordens devem ser obedecidas. Existe ainda a pressão ambiental, dos próprios companheiros que tornam-se inimigos, devido aos mecanismos de competência.

b) Escassez de sentido de obrigação interiorizado - no discurso de coerção, o trabalho não é considerado claramente como uma obrigação universal. Quem tem dinheiro não se considera que tenha que trabalhar. Existe os que trabalham, não por obrigação, mas para que não se sintam mal.

c) Escassa presença de uma dimensão social, produtiva, de utilidade social do trabalho – é a concepção do trabalho do ponto de vista instrumental e individual, como meio de obter recursos, mas não de gerá-los, se converte em uma atividade alienada ao sujeito. Esta ausência de perspectiva social, faz com que este tipo de discurso se caracterize por certo fatalismo e passividade, segundo o qual não se considera que a ação modifique muito a situação.

Ainda dentro dos resultados de pesquisas realizadas, pode-se aferir que no significado do trabalho, também pode ser observado o discurso de obrigação interiorizada, cuja característica é considerar do trabalho como uma atividade não só legítima mas dignificante. Neste discurso são consideradas duas dimensões, uma por orientação indvidualista e outra por orientação social, classificada como ética obreira, realizada coletivamente.

a) Ética obreira – aparece nos grupos de trabalhadores industriais. O fundamento do trabalho se situa na necessidade, vinculada à sobrevivência, mas é diferenciada do discurso da coerção, existindo uma certa consciência social. A característica deste tipo de discurso é a expressão do orgulho profissional e a satisfação com o trabalho cumprido.

b) Discurso da responsabilidade individual – a característica deste discurso seria no sentido mais individual de obrigação. O sentido de responsabilidade supõe uma fase diferente ao do mero conformismo com a imposição do trabalho. Implica uma característica moral, pessoal. Parte-se da suposição de que é imprescindível viver com o trabalho. Em um grupo de empresários, se planeja para que as coisas funcionem, é necessário esforço e dedicação.

Este tipo de discurso pode caracterizar-se como a reconciliação entre as exigências do trabalho e a natureza humana. Cada pessoa é um ser humano e necessita motivar-se e realizar-se. Este tipo de realização pessoal aparece em diversos estudos sobre os novos valores do trabalho. A característica principal desta ética é seu individualismo, vinculado a uma psicologia humanista popularizada. A idéia de realização não é social, mas pessoal e psicológica. Realizar-se está associado ao prazer, a fazer algo com gosto. É uma forma de reconciliação (psicológica) do esforço e o prazer.

2.4. A Psicologia Organizacional do Trabalho e as demais áreas do conhecimento

Dentre as diferentes especialidades da Psicologia, a que se relaciona mais de perto e intervém em qualquer tipo de organização social de produção, no caso, é a Psicologia do Trabalho.

Esta especialização pode ser considerada como um campo de trabalho privilegiado da Psi cologia, na medida em que a própria natureza da organização social de produção favorece estu dos e observações variadas, amplas possibilidades de atuação e um razoável grau de controle ci entífico de variáveis, no campo de pesquisa aplicada (Crespo et alii, 1998).

No que concerne ao seu objeto: o homem em situação de trabalho concentra-se um pon to crítico da atividade humana. Em outras palavras, ao enfocar o processo de trabalho e suas relações, interfere diretamente no bem-estar físico, psíquico e social do trabalhador.

Como ciência aplicada, produz um tipo de conhecimento que contribui eficazmente para o desenvolvimento econômico, uma vez que os seus frutos são aplicados na produção, embora não visem, necessariamente, a produtividade.

Ao permear questões cruciais e de grande abrangência (ideológicas, econômicas, políticas etc), pode sofrer interferências diretas e imediatas na sua forma de aplicação. Quando isto ocorre, a Psicologia do Trabalho vê-se restringida na sua possibilidade de atuação, por fatores que ultrapassam seu limite de intervenção.

Por outro lado, é exatamente esta dinâmica de interpretação de problemas em diferentes níveis — e que são objeto de estudo de outras áreas do conhecimento — que propicia uma melhor compreensão dos fenômenos e maior eficácia na intervenção do Psicólogo do Trabalho.

Daí a alusão à interdisciplinaridade. Em resumo, o caráter interdisciplinar da Psicologia do Trabalho decorre, por um lado, da complexidade do seu objeto de estudo e campo de atua ção por outro, da necessidade de compatibilizar as limitações que sofre com a busca de uma atuação mais eficaz na preservação do homem e seu trabalho. A Figura 2-1 esquematiza as áreas de conhecimento que contribuem mais diretamente, a nosso ver, para a Psicologia do trabalho.

No primeiro bloco, encontramos as matérias relacionadas ao estudo dos grupos humanos, produção, distribuição, consumo de bens e mercado de trabalho; aos estudos dos pontos crí ticos no desenvolvimento humano.

No segundo, incluímos conhecimentos que propiciam a compreensão de fenômenos gru pal de liderança, comunicação, produção, pressão, conformismo etc e de fenômenos próprios organizações sociais estruturadas.

No terceiro bloco, são inseridas as áreas ligadas a estudos e definição de estratégias para atingir objetivos da organização, através da colaboração dos empregados e das estratégias e processos utilizados pelos trabalhadores para se defenderem dos patrões ou conquistarem benefícios.

No quarto bloco, estão incluídas as questões relativas ao diagnóstico e tratamento de problemas físicos e mentais. Em outras palavras, como sentem, reagem, se defendem e se adaptam os trabalhadores.

Por último, incluem-se todos os estudos e pesquisas referentes a processos cognitivos (atenção, memória, percepção etc.), sensoriais (visão, audição, equilíbrio etc.), psicomotores (rapidez de reação, destreza, resistência a fadiga etc.), psicossomáticos (ansiedade, angústia, medo stress, alcoolismo, sono etc.), considerados essenciais para a compreensão do indivíduo em situação de trabalho.

Sistemas técnicos em administração de pessoal e psicologia do trabalho.

Dentre os elementos característicos da organização e planejamentos, é necessário intensificar a consecução dos objetivos, onde são destacados a divisão de trabalho, poder de responsabilidade de comunicação e a presença de centros de poder a fim de combinar contra os esforços desnecessários.

As organizações, como organismos complexos possuem vários objetivos. Alguns são claramente explicitados, outros embora reais nem sempre explícitos e existem casos onde não são intencionalmente explicitados.

A Organização também se encontra em Interação dinâmica com um meio social mutável e está sujeita às exigências que, por ele, lhe são impostas. Conseqüentemente, para garantir sua sobrevivência e o desenvolvimento organizacional é preciso que se modifique e se adapte às imposições.

A organização precisa finalmente ser eficiente e eficaz, ou seja, necessita maximizar a utilização dos recursos de que dispõe e precisa cumprir seu objetivo frente ao meio.

A perspectiva sistêmica favorece a compreensão da relação organização x meio, pois ressalta o caráter dinâmico, adaptativo e ativo dos fenômenos.

Em que pese a importância dos temas acima tratados não podemos, aqui, aprofundá-los, pois fugiríamos de nosso propósito. Nossa pretensão é de apenas enquadrar este tópico dentro de uma perspectiva de sistema aberto.

A organização social de produção, em termos gerais, pode ser encarada a partir de elementos formais. Estamos nos referindo ao Organograma, Estatutos, Objetivos, Normas e fim, aspectos que são definidos tendo em vista as metas organizacionais.

Esta planificação leva, necessariamente, à articulação e definição de papéis, ou seja, explicitação e delimitação de atribuições funcionais. Como vemos, podemos reduzir esta questão comportamento e sua articulação, a fim de atingir os objetivos da organização. Portanto, seria lícito afirmar que o aspecto preponderante não é o material nem a técnica e sim o conjunto de comportamento exibido no desempenho de cada papel. Conseqüentemente, acabamos por colocar a organização social de produção diante dos seguintes desafios: satisfazer os compromissos do meio do qual depende e dependerá do desempenho de seus recursos humanos para poder satisfazer as exigências do meio (MUNIZ, 1992).

Dentro desta perspectiva tanto a eficiência quanto a eficácia organizacional subordinam-se funcionamento dos recursos humanos. Ou ainda, a sobrevivência da organização envolve tanto a satisfação das necessidades do meio quanto a dos seus recursos humanos.

Quando nos referimos à satisfação de necessidades no homem, implicitamente, estamos nos referindo à questão da motivação humana. Tema, aliás, complexo, controverso e de vital importância para a apreensão da dialética ajustamento — desajustamento, ou mesmo da saúde mental.

Encarado como “enigma do comportamento”, “caixa preta”, “variáveis intervenientes ou “aleatórias”, “função probabilística” etc., encarnam a problemática básica da administração que assiste impotente às suas normas, controles e demais racionalidades serem respectivamente quebradas, burladas e abandonadas devido à sua inoperância.

Dejours (1988), afirma que existe uma continuidade nas necessidades do homem que se estende do nascimento até a morte. Preconiza que uma necessidade satisfeita não é mantenedora de comportamento (se o indivíduo está satisfeito, não sente a carência ou necessidade e não se envolvem comportamentos para supri-la, pois ela não existe). Propõe uma hierarquia de necessidades e explica que quando uma necessidade é satisfeita surge, imediatamente, outra de nível superior.

Deve-se notar que é principalmente neste último ponto que resiste a maior complexidade da questão, pois se deve compatibilizar diferentes formas de satisfação de necessidades e distintos níveis considerando-se não só a presença de um grande grupo de trabalhadores, pelo fato de que se trata de um contexto dinâmico e variável no tempo. Acrescente-se, ainda, que o próprio “Efeito da Satisfação” gera novas necessidades que precisam ser satisfeitas para não comprometer os efeitos passados e, conseqüentemente, garantir a eficácia futura.

Por último, não esqueçamos que a organização precisa enfrentar o desafio de compatibilizar ao mesmo tempo as necessidades e exigências tanto de si quanto dos trabalhadores.

No que concerne à questão da avaliação dos dados provenientes da análise de trabalho, dentro de uma perspectiva informacional, dois aspectos merecem ser destacados: a adaptação do trabalho às exigências da tarefa e a comunicação.

Este tipo de avaliação propicia uma série de informações fundamentais para a avaliação riscos, acidentes de trabalho, falhas de desempenho, estruturação de conteúdo e sistema de treinamento, carga de trabalho, planejamento e correção de todos e hábitos de trabalho bem como o planejamento e correção de dispositivos e equipamentos em moldes ergonômicos.

Assim, dentro desta perspectiva informacional, o trabalho é descrito em termos da comunicação entre o homem e a máquina (H x M) ou mesmo do conjunto de homens e máquina trabalhador é encarado como receptor transmissor e emissor da comunicação. Como sabe a informação é emitida por uma fonte sob a forma de mensagem que precisa ser codificada pelo emissor para ser transmitida. Esta codificação significa a transformação de mensagem em sinais que então passam pelo canal de comunicação e são decodificadas pelo receptor serem utilizados.

Cabe lembrar que a alteração de informação na transmissão e nos processos de condição seja por diferenças de interpretação ou outras causas — chamam-se ruídos e se constituem num ponto crítico de análise dos processos de trabalho, de problemas de desempenho e até das dificuldades de relacionamento interpessoa.

Também é importante verificar, no quadro a seguir, os fatores, efeitos e conseqüências de variáveis que podem influenciar na produtividade do trabalhador, interferindo negativamente nos sistemas ambientais, técnicos, organizacionais, sociais e econômicos de uma empresa.

  FATORES EFEITOS CONSEQUÊNCIAS


Ambientais
Como por exemplo:iluminação, ruído, vibrações, temperatura, umidade, calor, etc Físicos (postura, etc)
Mentais (carga de trabalho)
Para a saúde do trabalhador, deficiências, doenças, acidentes etc.
Técnico Como por exemplo: equipamento (design, tamanho, disposição, adequabilidade). Físicas( dificuldades, desgastes etc)
Mentais (isolamento, stress, etc.)
Para a saúde do trabalhador. Deficiências, doenças, acidentes etc.
Organizacionais Como por exemplo: políticas, normas, diretrizes, clima etc. Facilitadores ou dificultadores nas possibilidades de correção ou planejamento de novos processos, de equipamentos etc. Desmotivação, apatia etc.
Sociais Como por exemplo: liderança, poder, autoridade, relações interpessoais etc. Facilitadores ou dificultadores Desmotivação, apatia, etc.
Econômicos Como por exemplo: nível de investimento possível, estabilidade etc. Facilitadores ou dificultadores. Desmotivação, apatia, etc.

A Organização como um fenômeno socialmente construído

Tradicionalmente, toda atividade humana articulada visa atingir determinados fins, seja uma organização pública ou privada, empresarial ou sem fins lucrativos, apresenta três níveis inter-relacionados: (1) nível político ou institucional: que decide a estratégia de toda a organização. Em geral, emanada da cúpula: (2) nível intermediário: que interpreta e traduz a estratégia em termos operacionais ou táticas especificas: (3) nível operacional que executa as atividades previstas, no exercício cotidiano.

O nível institucional congrega a direção central e atrai os principais tomadores de decisão. É o principal elo ou interface do sistema com o macro ambiente. Sujeito aos eventos ambientais, tem que lidar com a incerteza, ao mesmo tempo em que é pressionado a prever e conduzir em face de uma diversidade de interesses e expectativas. Internas e externas. É o segmento do sistema mais direta e freqüentemente cobrado pela eficácia do sistema, através de quanto alcança os resultados prometidos ou justifica os motivos de sua existência. Responsabiliza-se, no âmbito de uma estratégia global consistente com a missão, pelo formato estrutural, tecnologia, composição dos recursos financeiros, produtos e prestação de serviços, política de pessoal e tantas outras conjunções. Em nível institucional, as atividades concretas do dia-a-dia devem ser preocupação para a transformação na tomada de decisões amplas e abstratas em programas concretos de ação nível operacional que compõe a base ou o núcleo de todo sistema. Responsável pela continuidade das rotinas, programas e utilização eficiente dos recursos disponíveis. Na linguagem administrativa corrente, sua medida de execução traduz-se na eficiência do sistema.

A organização insere-se em um contexto complexo composto pelo macro-ambiente, mais especificamente. Outras organizações de seu ramo de atuação, o que implica em elementos comuns como os clientes, provedores, comunidade, competidores e outros. Tem uma —história que permite compreender seu estado atual e fazer inferências sobre as possibilidades de seu futuro. Integra sub-sistemas que regulam os processos gerenciais, operacionais e informacionais sob uma estrutura organizativa e uma estratégia. Deste modo, uma organização, como qualquer outro sistema aberto, é um conjunto de partes inter-relacionadas que se relacionam, por sua vez, com o ambiente mediato e imediato, enquanto suas fronteiras apresentam-se e permeáveis. Nem sempre claramente delimitadas, mas mutantes ao íon do tempo. As coalizões entre as partes constituem um processo instável que varia conforme a articulação dos interesses diversos.

Liderança, Participação e Construção de Equipes.

Tradicionalmente a cúpula administrativa decide e emana a estratégia para toda a organização. Enquanto os níveis intermediário e operacional se encarregam de interpretá-la e executá-la no dia a dia. Contudo, sabe-se que o pressuposto difundido pelo “manda quem pode e obedece quem tem juízo” não se mostra compatível com as expectativas de atividades das novas formas de gestão. Onde os executores são solicitados a apontar os problemas e possíveis soluções em seu âmbito de trabalho. Isto representa uma reviravolta na dissociação entre o pensar e o fazer, evidente na administração clássica.

Administrar uma organização de trabalho requer, em grande medida, compreender e lidar com os processos de resistência à mudança e com o aprendizado individual e coletivo. A dinâmica da gestão. Em qualquer das formas propostas nos últimos anos, envolve a comunicação dirigida para criar oportunidades de participação em todos os níveis, procura conjunta de solução dos problemas e acompanhamento dos processos de mudança. Ter profunda clareza de quais são os valores nucleares e duradouros, bem como a visão e as estratégias organizacionais, é um passo primordial dos dirigentes. Eles precisam também definir os comportamentos de apoio à estratégia e quais serão considerados inaceitáveis. Obter o alinhamento é o que mais exige esforço revela Brief (1990).

Disseminar uma visão, por sua vez, depende da interação construída e do grau de identidade existente entre as pessoas. Pressupõe respeito, confiança e solidariedade, permeando as relações. A administração central pode, ou não, estar interessada ou colocar ênfase na difusão de tais valores em toda organização e, sem dúvida, agir orientada coerentemente por eles.

Desenvolver um conjunto de pessoas em torno de um propósito único requer sustentar a gestão pelo pensamento sistêmico. Significa perseguir um quadro referencial para analisar inter-relacionamentos, em vez de eventos estáticos; analisar os padrões de mudança, em vez das ocorrências momentâneas: apreender as estruturas subjacentes às situações complexas e localizar as mudanças, tanto de baixa como de alta alavancagem; descobrir ações e mudanças na estrutura e na estratégia que podem trazer resultados significativos e duradouros.

A Prática do Pensamento de liderança

Os líderes, nos diversos níveis organizacionais, têm papel fundamental nos processos interativos. Um líder, é claro, não se constitui como tal apenas pela autoridade que a organização lhe transmitiu formalmente (cargos atribuídos). O fato de alguém deter poder não significa, por si exercício de liderança. Geralmente, entende-se que líderes contam com liderados e usam a influência além da autoridade formal. A liderança depende da situação em que se manifesta, da tarefa a ser realizada e das características dos liderados. É vital para a organização reconhecer aqueles participantes que conseguem “fazer as coisas acontecerem” Tais pessoas detêm papel central nos processos de mudança.

De acordo com Muniz (1992), a liderança é um processo, um evento de interação e algo que pode ser aprendido, seja por estratégias de ensino planejadas ou pela experiência de vida, mas depende das condições organizacionais. De qualquer modo, hoje, a liderança é compreendida como habilidade de relacionamento. O líder que obtém resultados depende das conexões entre suas próprias características com as das pessoas com as características da organização. Tais características envolvem pessoas, tarefas e gestão, que variam no decurso do tempo e, também. de lugar para outro. Pode-se deduzir que um único estilo de liderança não será eficaz em todas as circunstâncias.

Rodrigues (1994), coloca que as mudanças em uma organização dependem de outros lideres envolvidos e também do comprometimento dos liderados. Líderes são capazes não somente de enxergar as inter-relações dos acontecimentos e suas implicações, mas também revelar os pressupostos que influenciam os comportamentos das pessoas no grupo de trabalho.

Dentro das organizações de trabalho, ou fora delas, quando o jogo de influência entre as partes é desigual. Podemos falar em assimetria nas interações. Relações assimétricas dificultam o exercício participativo.

Participação tem a ver com o exercício da autoridade, com a visão compartilhada e com as intenções de cada pessoa. Requer consciência do papel de todos na organização e discernimento de um alinhamento comum. Se o exercício da autoridade não é democrático, prejudicam-se as condições para a visão compartilhada e para o alinhamento. A participação é um processo que resulta do entusiasmo relativo a uma visão e de atitudes que tenham base no respeito pelas escolhas de cada um. Demanda uma mudança nos modelos de pensamento e ação estabelecidos pelos processos de socialização de nossas instituições autoritárias (MOURÃO, 2001).

Enunciada de um modo simples a idéia de comprometimento organizacional implica em quanto uma pessoa identifica-se com os valores e objetivos da organização. Diz respeito, portanto, ao vinculo estabelecido entre o empregado e a organização onde trabalha. E um conceito que de um modo ou outro, reapresenta questões tradicionais concernentes ao contrato psicológico à motivação e ao clima organizacional.

Comprometimento, Aprendizagem e Construção de Competências.

Para Muniz (1992), as mudanças do ambiente de trabalho estão exigindo, em muitos aspectos, reconsiderar as organizações e o próprio significado de ser profissional. O aumento da competitividade e do uso do conhecimento como um valor diferencial entre organizações tem ocasionado uma nova postura e necessidade de fortalecer o comprometimento. O alcance dos objetivos organizacionais depende do envolvimento ativo dos empregados. Daí uma administração ciente e articulada empenha-se em escolhas estratégicas fundadas em percepções e atitudes compartilhadas. Ainda mais, a condução estratégica perspicaz ancora-se em conexões por todas as partes da organização, procura atingir a consciência coletiva e o comprometimento pretendido com o processo de consolidação estratégica. Isto implica em investir no apoio dos empregados às diretrizes centrais e em transparência administrativa, embora se considere o fato que aceitar as regras não significa que as pessoas estejam comprometidas com as mudanças.

O comprometimento fundamenta-se nas atitudes que, por sua vez, estão calcadas em valores e predispõem para ações. Tais ações, no caso, são favoráveis à consecução dos objetivos organizacionais. Em poucas palavras, as pessoas agem de maneira distinta se acreditam ou não nos objetivos organizacionais como válidos, para si mesmas e para a sociedade.

Melhoria no trabalho, saúde e qualidade de vida

As agências de socialização interagem continuamente na construção psicossocial da vida humana em sociedade. Na fase adulta, a maioria das pessoas, as organizações de trabalho ou o vasto mundo paralelo formado pelas atividades informais de trabalho e pelo subemprego têm clara influência na estruturação da subjetividade e estabelecimento da identidade de cada um (ROMERO, 1993).

Os processos de socialização nos preparam para o trabalho quando ainda não entendemos seus significados, são fundamentais para o desenvolvimento humano. O trabalho influencia, ao longo do tempo, as aspirações e o estilo de vida e coloca-se entre as atividades mais relevantes e, de alguma maneira, firma-se como a principal fonte de significados na constituição da vida daqueles que o exercem em atividades formais ou informais.

Quando o ambiente de trabalho e as atividades são dotados de sentido ou significado consistente com o conjunto de valores que é peculiar ao executor, o trabalho pode ser visto como significativo.

Na perspectiva psicológica, o trabalho é uma categoria central no desenvolvimento do conceito de si mesmo e uma fonte de auto-estima. Ao perder o emprego muitas pessoas ficam desorientadas, desestruturam-se emocionalmente, sentem-se inúteis, destituídas da possibilidade de contribuição e cobradas por isso, passam a procurar em outras coisas substitutivas às vezes inadequados para aquilo que o emprego proporcionava.

Em suma, o trabalho é um forte elemento na construção da pessoa que convive bem consigo mesma, acredita em si e sente-se digna. Atividades que são de alguma forma impostas a um empregado que não consegue perceber sua finalidade ou destinação põem em risco sua sanidade mental.

Para Bulhões (1994), no processo produtivo, em que o ser humano transforma e é transformado, o trabalho, como ação humanizada, impõe assimilações em aspectos fisiológicos, morais, sociais e econômicos. Cada mundo concreto do trabalho constitui um subsistema social específico, com seus interesses grupais, seus valores e seus princípios, suas normas e sua maneira peculiar. Contudo, há uma tendência à escassez de contatos sociais positivos ou, pior, conflitos e frustrações que se estabelecem, seja pelas pressões de produção, pelas exigências da tecnologia ou pela arquitetura psicossocial do ambiente de trabalho.

As oportunidades de trabalho significativo e satisfatório tornam-se, em muitas situações, cada vez menos possíveis na sociedade contemporânea.

O ritmo e a carga de trabalho têm aumentado em muitos setores, simultâneo à solicitação de maior participação e procedimentos que deixam mensagens subjacentes de falta de confiança nos empregados. Em contrapartida, muitas pessoas não percebem seus esforços como justamente recompensados principalmente na forma de remuneração. É ainda pior quando há falta responsabilidades ou carga & trabalho, recebendo privilégios e valores iguais ou até maiores. Às vezes isto está ligado a valores em forte conflito, como é o caso da execução de atividades sob a ética “dos fins que justificam os meios” para obtenção de favores das fontes de poder.

Qualidade de vida diz respeito a desenvolver hábitos saudáveis, enfrentamento das tensões cotidianas, consciência dos impactos dos fatores do ambiente, desenvolvimento permanente do equilíbrio interior e na relação como os outros.

A qualidade de vida, restrita ao ambiente de trabalho, considera aspectos como o significado do trabalho para o executor, as condições de trabalho, a segurança e os riscos envolvidos, abertura para a criatividade e inovação, as conseqüências da participação efetiva nos processos de decisão, a percepção que se tem da remuneração e recompensas, possibilidades de desenvolvimento profissional e pessoal, o tratamento recebido, a sinceridade nas relações interpessoais e assim por diante (BERLINGUER, 1983).

CONCLUSÃO

Com base nas colocações dos autores estudados, pode-se concluir que o significado do trabalho está presente nos diversos momentos de nosso cotidiano, seja no meio social , familiar e na religião. Também ficou claro que existem normas sociais estabelecidas, que devem ser seguidas para que possibilite uma ética profissional no trabalho. Os distintos discursos reconstruídos pela análise não são conjuntos totalmente coerentes de posições, mas refletem a ambigüidade e contradições da situação em que se vive. No discurso do cotidiano, as distintas teorias morais, sociais, políticas e profissionais se cruzam e coexistem em um mesmo espaço discursivo. Nesse sentido, Crespo (1998) diz haver um certo fundamento para afirmar uma distribuição social das teorias morais, sociais, políticas e profissionais sobre o trabalho. Quando diz que os setores economicamente mais desfavorecidos são os que mantêm discursos mais heterogêneos e coercitivos; em determinados momentos as explicações se vinculam à situação social que padecem da injustiça de tal situação. Os setores, pelo contrário, econômica e socialmente melhor situados (executivos e pequenos empresários) se movem em um nível discursivo muito mais próximo da ética da realização pessoal.

Também é importante lembrar que o ritmo, o horário e a carga de trabalho, bem como o desgaste físico e emocional levam à erosão da dignidade e da vontade do trabalhador. Revela-se no que é conhecido como estresse: um estado intermediário entre saúde e doença, com sintomas que evoluem de pouco aparentes, no estágio inicial, até ocorrências que podem ser muito graves, quando passa a ser doença, podendo afetar a saúde e qualidade de vida do trabalhador. O estresse pode durar anos, agindo furtivamente durante um longo tempo ter uma evolução acelerada se, por exemplo, houver um acúmulo de estressores.

As causas do estresse podem ser expressas, dependendo da forma de encarar as interações humanas, como responsabilidade da organização, do empregado ou de ambos.

De qualquer maneira, as conseqüências do desgaste físico e mental podem acabar afetando, é claro, não apenas o empregado e sua família, mas também a organização. Em muitos casos, mais que mudanças no indivíduo, o que é necessário são mudanças no local de trabalho.

Abstract: This work can be seen as a bibliographical study, once it was based on secondary sources and aims to identify the importance of the meaning of the word work, its importance, division and real applicability inside of an organizational structure, as well as to know the strategies used inside of the human resources. This work started from several readings focused on Psychology Organizational discipline, where important aspects were approached inside of the work of an organizational structure in the companies. In was verified that the organizational structure, as well as the political and administrative rules, the objectives, the missions, descriptions of positions and standardized operational procedures are understood as interpretative functions and, therefore, existent much more in the minds of its members, that in its formal and objective elements of the organizations.

Key words: Work; meaning; organizations; strategies; human resources.

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