A Necessidade de Inovar .
Autor: Glauco Coutinho de Carvalho
Professor da Faculdade de Natal nos cursos de Administração e
Ciências Contábeis.
Tel: (084)222-9536 / 9451-0062 – E-mail: glaucoccarvalho@msn.com
Resumo: Com o advento das inovações tecnológicas, da globalização, competitividade, das mudanças e perspectivas de novo modelo econômico mundial, as organizações precisam estar atentas para acompanhar a evolução eminente, gerindo de forma adequada, seus recursos para enfrentar as incertezas que irão surgir e que provavelmente, desestabilizarão diversas empresas em segmentos variados, espalhados pelo universo. Pretende-se mostrar as tendências vislumbradas por diversos pensadores e apresentar um modelo de gestão diferenciado para fazer frente às dificuldades previstas para o futuro. A principal característica deste modelo será a inclusão de desempregados no mercado consumidor, através de qualificação diferenciada, dirigida para as necessidades das organizações que irão utilizar criatividade, desenvolvimento e inovação. Serão necessários colaboradores que pensem diferente, que sejam radicais e até rebeldes. Possivelmente será necessário mudar a forma de gerir as organizações, inventar um novo modelo, adequado às mudanças, centrado nas inovações e que possibilite obter lucro para desenvolver novos produtos ou serviços para estar sempre à frente no seu segmento de mercado.
Palavras-chave: Inovações tecnológicas; globalização; acompanhamento da evolução.
Introdução
O mundo assiste a um cenário de incertezas, onde parece que tudo que foi dito, realizado até então, não está funcionando ou respondendo a contento, em virtude das mudanças, inovações tecnológicas, globalização,competitividade, que geram desemprego, e conseqüentemente, redução da massa consumidora. Imaginem, o capitalismo diminuindo a base consumidora mundial.
Alguns autores defendem posições diferentes das perspectivas de soluções para esses novos desafios:
Robert Boguslaw, em seu livro The New Utopians, declara que “o desenho de sistemas não é assunto puramente técnico, mas deveria envolver uma sistemática preocupação com as conseqüências, avaliadas do ponto de vista de valores humanos. No entanto, os atuais planejadores de sistemas enfocam esses problemas organizacionais, usando instrumentos conceptuais e operacionais que só têm coerência em termos de status quo tecnológico” (BOGUSLAW, 1965).
Peter Druker, defende uma sociedade pós capitalista. “ a única coisa da qual podemos ter certeza é que o mundo que irá emergir do atual rearranjo de valores, crenças, estruturas econômicas e sociais, de conceitos políticos, de visões mundiais, será diferente daquilo que qualquer um imagina hoje”.
Druker acredita em uma sociedade não socialista, pós-capitalista, onde as organizações dominarão e cujo principal recurso será o conhecimento.
Já Schaff (1993), em seu livro Sociedade Informática, onde trata das conseqüências sociais da segunda revolução industrial, defende um modelo baseado no Marxismo, onde propõe a redistribuição do volume de trabalho, mediante redução da jornada de trabalho individual, com ônus para os empresários, como forma de evitar o caos social criado pelo desemprego estrutural, além de infringir o direito da propriedade privada.
Para Schaff, a diminuição da jornada de trabalho aliada à quebra do direito de propriedade, levarão à redistribuição de renda e conseqüentemente a elevação do consumo global.
Gary Hamel, em seu livro Liderando a Revolução, afirma que “na era da revolução, não será o conhecimento que produzirá a nova riqueza, mas o insight, o vislumbre de oportunidades para inovações descontínuas”.
Ele fala que apenas o conhecimento não fará a diferença, mais a criatividade, a inovação, a quebra de paradigmas, a atitude de fazer diferente, buscar o que os outros não acreditam e sair na frente.
“ Segundo Hamel (2000) “No mundo não linear, apenas as idéias não lineares criarão novas riquezas”.
Hamel enfoca que a diferença poderá estar exatamente nas idéias diferentes, que não seguem as tendências atuais. No entanto, relata que as organizações contam com pouco ou nenhum indivíduo que saiba inventar conceitos de negócios inteiramente novos ou capazes de efetuar mudanças radicais nos existentes.
Reich (1998), em seu livro “O Futuro do Sucesso”, Cita que “estamos entrando na era da Oportunidade Fantástica, em que as escolhas são quase ilimitadas e é fácil mudar para algo melhor. Esse é o primeiro princípio da Nova Economia, que está baseada na tecnologia e na imaginação”.
Reich cita a facilidade que temos hoje de escolher o que queremos adquirir, de onde e por quanto, buscando sempre a qualidade e o melhor preço, utilizando o recurso da internet em função da quebra das barreiras geográficas causada pela globalização.
Para Reich o capitalismo só poderá existir se houver demanda para os melhores negócios. Sabendo que os consumidores estão cada dia mais exigentes, buscando os melhores produtos pelos menores preços ou produtos mais baratos e de mesma qualidade e que os empresários visam receber os melhores retornos sobre o capital investido e que as pessoas estão procurando mudar para um emprego melhor ou uma comunidade melhor para viver.
Na visão de Kotler (2000, p. 45), em seu livro Administração de Marketing, “Podemos afirmar, com certo grau de confiança, que o mercado não é mais o mesmo. Ele está mudando radicalmente como resultado de grandes forças, como avanços tecnológicos, globalização e desregulamentação. Essas grandes forças têm criado novos comportamentos e desafios”.
Para Rifkin (1995, p. 18), “Na economia de rede, as transações de mercado estão dando lugar a alianças estratégicas, ao uso conjunto de recursos e a acordos para a divisão de ganhos. Muitas empresas já não vendem mais coisas umas às outras, mas reúnem e repartem seus recursos coletivos, criando vastas redes de fornecedor-usuário que gerenciam conjuntamente os negócios uns dos outros.
Todos, apesar das divergências com relação à orientação do modelo econômico, prevêem mudanças, inovações, criatividade, busca pelo melhor negócio, e uma solução para o desemprego como alternativa para uma nova forma de gerir as organizações que irão continuar a existir neste mercado de competitividade globalizada. Aa organizações precisam pensar em concorrência espalhada pelo mundo todo, bem como no mercado consumidor como sendo também o mundo. As barreiras geográficas deixaram de existir com o conceito de mercado global e as economias nacionais relutam em buscar formas de deter o crescimento do comércio internacional, criando barreiras à entrada de alguns produtos, com o intuito de proteger as empresas locais, contudo os consumidores não estão mais dispostos a pagar mais, por produtos de baixa qualidade, ou até de qualidade semelhante, querem o melhor, pelo melhor preço, seja qual for a origem.
Inovação
O que podemos entender por inovação?
Inovar significa fazer diferente, criar, sonhar, desenvolver algo que não exista ou simplesmente redesenhar algo existente, de forma a reacender o mercado.
Hamel (2000), fala que as organizações precisam inovar sempre, buscar produtos e serviços novos, criar a necessidade de consumo, sair na frente e não apenas realizar benchmarking.
Imaginemos um mercado monopolista por determinado período de tempo, onde possamos ampliar a margem de lucro e assim, investir em desenvolvimento, inovação, tecnologia, para que novamente tenhamos um mercado monopolista.
Para que as organizações possam estar sempre na frente, se faz necessário criar condições diferenciadas das demais, obter lucro acima da média, pois desta forma, os concorrentes terão que seguir o líder do mercado, copiando sempre seus produtos, processos, modelos de gestão.
O caminho mais seguro para a inovação é o desenvolvimento do conhecimento e da criatividade dentro da organização, evitando que consultores aproveitem as boas idéias e passe aos demais concorrentes, quebrando esse diferencial (DRUCKER, 1994).
Faz-se necessário pensar além de novos produtos e serviços e raciocinar em termos de novos negócios, de inovações capazes de atender à necessidades dos clientes de maneira não convencional
Há oito mudanças fundamentais em andamento e as empresas precisam reavaliar urgentemente suas competências essenciais diante disso.
São elas:
• Globalização;
• Desregulamentação e Privatização;
• Volatilidade;
• Convergência;
• Fronteiras tênues entre os setores;
• Padrões;
• Fim da intermediação;
• Consciência Ecológica.
Segundo Guerreiro Ramos, “O campo da organização não consegue compreender a peculiaridade histórica das organizações de caráter econômico e de suas funções. A organização que constitui o foco da atenção da teoria organizacional, em stricto sensu, é, intrinsecamente, vinculada a uma sociedade de tipo sem precedentes – a sociedade de mercado”.
De acordo com Ramos, “As finalidades da vida humana são diversas e só umas poucas, dentre elas, pertencem, essencialmente, à esfera das organizações econômicas formais. Na tentativa de criar e maximizar os recursos necessários ao seu bem-estar material, o indivíduo pode-se permitir atividades mecanomórficas, que são aquelas específicas da organização econômica formal. No entanto, regras operacionais, mecânicas, não se ajustam a todo o espectro da conduta humana”.
Mesmo Guerreiro Ramos, com sua visão extremamente socialista, admite a necessidade das organizações de se ajustarem aos modelos econômicos (de mercado) e suas conseqüências.
Em razão desta necessidade, apresentaremos uma nova visão para as organizações que pretendam continuar a existir, lutando contra todas as mudanças e incertezas que provavelmente irão surgir no futuro próximo.
Uma forma diferente de gerenciar organizações
A reengenharia e o avanço tecnológico trouxeram a redução dos quadros de mão-de-obra das organizações, como forma de redução dos custos dos produtos ou serviços.
À medida que as organizações partem para um modelo de administração baseado nesses conceitos, elas estão reduzindo a quantidade de consumidores, o que de forma mais drástica, reduz o total de consumo mundial de mercado, fazendo-se necessária a redução das quantidades produzidas, minimizando também as margens de lucro.
Deve-se repensar o modelo de gestão a ser praticado pelas organizações, pois desta forma, elas próprias estão destruindo a base de consumidores e entrando numa espiral de redução de mercado e de produção, catalisando problemas sociais decorrentes da falta de acesso de seres humanos ao mercado consumidor.
A principal característica do novo modelo de gestão será a de incluir na base de consumo, os desempregados, porém que têm necessidades e portanto, são potenciais consumidores, que estarão alimentando o crescimento da produção de bens e serviços, e conseqüentemente, precisará de mais mão-de-obra para criar, desenvolver, inovar.
Será uma verdadeira revolução de conhecimento, criatividade, diferenciação, inovação e de gestão.
Imagina-se que ações sociais devam fazer parte do dia-a-dia das organizações, porém diferentemente da forma como se faz hoje, incluindo pessoas em programas de qualificação diferenciada, desenvolvendo habilidades e competências essenciais para preencher as novas necessidades dessas organizações, pois poucas têm em seus quadros pessoal preparado para enfrentar os desafios e incertezas da nova economia.
Rifkin (1995), afirma que “ a economia física está encolhendo. Se a era industrial foi caracterizada pelo acúmulo de capital e de propriedade, a nova era valoriza as formas intangíveis de poder vinculadas a conjuntos de informações e ativos intelectuais. O fato é que os produtos tangíveis, que durante muito tempo foram uma medida da riqueza no mundo industrial, estão se desmaterializando”.
As organizações precisam estar preparadas para enfrentar as mudanças que já começam a ser notadas e também se ajustar às exigências deste novo modelo econômico que deverá entrar em funcionamento, de comum acordo, entre todos os países do mundo, como forma de evitar uma catástrofe mundial, causada pelo desemprego e, conseqüentemente, pela exclusão de milhões de seres humanos do acesso às suas necessidades essenciais.
“O objetivo de toda e qualquer empresa é alcançar a lucratividade máxima. A receita para atingir essa meta, prescrevem os executivos, combina ingredientes como maximização dos recursos, eliminação de ineficiências, melhoria da produtividade e implantação de modernas formas de administração, entre as quais qualidade total e benchmarking. Há vários anos, a fórmula vem sendo aplicada com bons resultados em todo o mundo, no Brasil inclusive”. Para Porter, apenas estas ferramentas não bastam.
Segundo Porter, existem somente duas maneiras de obter vantagem competitiva: custos baixos e diferenciação. Esses dois conceitos formam a base de toda a estratégia ante a concorrência, juntamente, com o terreno no qual se aplicam - mercado de massa ou segmentos do mercado.
Modelos convencionais de gestão não sobreviverão à nova revolução, visto que somente ações e idéias novas farão a diferença.
A guerra hoje é pela disputa da informação, a principal matéria-prima do poder, e nesse contexto a inteligência competitiva ganha crescente importância como poderosa ferramenta de planejamento político-estratégico, aplicada ao campo da Prospectiva.
Inteligência Competitiva é o método de identificação e avaliação de informações na área empresarial com o objetivo de tomada de decisão no ambiente complexo da globalização, marcado pela competitividade, concorrência acirrada e excesso de informações.
Para Hamel (2000), “As oportunidades são fugazes, e os "insurgentes" ganham mercado e reúnem os melhores talentos. Com suas armas estratégicas originais, desafiam os "titulares" do mercado. A velha-guarda versus a vanguarda. O poderio do estabelecido versus a força da imaginação. Nesta nova era, que oferece oportunidades inéditas, o desafio é superar as inovações dos inovadores. Não basta reformular o produto ou o serviço; é preciso reformular também o conceito do negócio, imaginando soluções completamente novas para as necessidades dos clientes”
Segundo Hamel (2000), “Definitivamente, o segredo é elaborar estratégias que gerem novas receitas e sejam tão revolucionárias como os novos tempos. Os inovadores são os "novos alquimistas", capazes de produzir algo do nada e de lutar contra a hegemonia das práticas estabelecidas em seu setor de atividade”.
O que se espera das organizações é que procurem adaptar-se aos novos tempos, planejando suas ações baseado nas novas necessidades dos consumidores, de forma mais rápida, apresentando soluções inteligentes, criativas e antecipadas para se manter na liderança do mercado.
Segundo Rifkin, “Na economia de rede, tanto a propriedade física quanto a intelectual têm mais probabilidade de ser acessada pelas empresas do que ser trocada; O capital intelectual é a força propulsora da nova era. Conceitos, idéias e imagens, não coisas, são os verdadeiros itens de valor na nova economia. A riqueza já não é mais investida no capital físico, mas na imaginação e na criatividade humana. O capital intelectual é detido pelos fornecedores, alugado ou licenciado para terceiros para uso limitado”.
Considerações Finais
Diversos conceitos, ferramentas e orientações para empresas, voltados para a gestão, visualizando as mudanças que estão por vir, deverão estar centrados na inovação, inteligência competitiva, criatividade, capacidade de pensar de forma heterodoxa, ou seja, de forma diferente que os demais gestores, pois segundo, Druker, o que virá com o futuro será muito diferente de tudo que se pensa hoje, portanto, dificilmente será contemplado nos planejamentos estratégicos das organizações.
As pessoas precisam aproveitar mais a vida em família, nos momentos de lazer, de diversão, reduzindo a dependência da cultura organizacional, e de certa forma, ter um padrão de consumo mais elevado, assim sendo, criam-se outras possibilidades de geração de emprego e renda, alimentando a cadeia produtiva mundial
A necessidade de adaptação às mudanças é de fundamental importância para a sobrevivência das organizações neste novo cenário, onde se imagina o que poderá acontecer, porém não se pode prever com exatidão e conseqüentemente, programar ações para reagir às intempéries previstas.
As organizações terão que preparar seu quadro de pessoal com indivíduos capazes de criar modelos novos de gestão, desenvolver produtos e serviços altamente avançados e até criar nos consumidores a necessidade de consumo de bens, que os mesmos nunca imaginaram que iriam consumir. Toda a base dessa mudança será o conhecimento, a utilização de habilidades e competências voltadas para a inovação e a inteligência competitiva.
Abstract: With the coming of the technological innovations the globalization, the competitiveness, and the changes and perspectives of a new world economical model, the organizations need to be attentive to follow the eminent evolution, managing in an appropriate way, its resources to face the uncertainties that will appear and that probably will desestabilizate several companies in varied segments, spreaded around the universe. It intends to show the tendencies shimmered by several thinkers and to present an administration model differentiated to do front to the difficulties foreseen for the future. The main characteristic of this model it will be the unemployed inclusion in the consuming market, through differentiated qualification, driven for the needs of the organizations that will use creativity, development and innovation. There will be necessary collaborators that think different by that are radical and even rebellious. Possibly it will be necessary to change the form of managing the organizations, to invent a new model, to appropriate the changes, centered in the innovations, and that makes possible to obtain profit to develop new products or services to be always ahead in its market segment.
Key words: technological Innovations; globalization; accompaniment of the evolution.
Referências Bibliografias
DRUKER, Peter F. Sociedade Pós Capitalista, São Paulo: Pioneira, 1994.
HAMEL, Gary. Liderando a Revolução. Rio de Janeiro: Campus, 2000.
KOTLER, Pilip. Administração de Marketing: A Edição do Novo Milênio. São Paulo: Prentice Hall, 2000.
LAKATOS, Eva Maria. Metodologia Científica. 28 São Paulo: Cortez, 1992
REICH, Robert B. O Futuro do Sucesso. São Paulo: Manole, 1998.
RIFKIN, Jeremy. A Era do Acesso. São Paulo: Makron Books, 1995.
SCHAFF, Adam. A Sociedade Informática. São Paul: Brasiliense, 1993.