ESTRESSE NOS PROFESSORES DE UMA
ESCOLA PÚBLICA DE ENSINO MÉDIO DE NATAL/RN.
Autores:
Dr. Carlos Alberto Nicolete da Silva
Professor da Faculdade de
Natal, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e aluno do 3º Ano de
Psicologia.
nicolas@falnatal.com.br / nicolas041051@uol.com.br - (084) 231-8017 / 615-
8033
Msc. Juarez e Silva Chagas
Professor da Universidade Federal do Rio
Grande do Norte e aluno do 3º Ano de Psicologia.
Juarez_chagas@ig.com.br - (084) 234-5839
Resumo: Este é um estudo de casos que teve como objetivo, desenvolver uma
intervenção psicoterapeutica de escuta em um grupo de 16 professores de
ensino médio de uma escola pública de Natal, com a finalidade de detectar
os fatores causadores de estresse na vida diária dos mesmos, bem como,
propiciando um espaço de reflexão sobre as vivências, experiências desses
professores e como os mesmos lidam com as situações de estresse no mundo
de seu trabalho diário. A intervenção foi realizada através de quatro
sessões, onde foram apresentados problemas de relacionamento com
companheiros, infra-estrutura física da escolha, o meio ambiente (barulho,
falta de espaço para repouso, som ambiente), quantidade de alunos em sala
de aula e indisciplina, e tais problemas os deixavam estressados. Dentre os
principais sintomas, foram abordados irritação, sufoco, pressão alta,
depressão, angústia, nervosismo, vontade de gritar etc. Quando questionados
sobre o que faziam para amenizarem tais problemas, alegaram não saber lidar
com problemas de estresse, usa a música como terapia e aconselho às colegas
fazerem a mesma coisa, depois que chega em casa procura desabafar, grita
com os alunos ficando mais calma, procura extravasar batendo pelada no
final de semana. Já é uma maneira liberar o estresse, está aprendendo a
lidar com o estresse, perde o apetite e se alimenta mal, sente vontade de
comer compulsivamente, procura assistir desenhos animados nos finais de
semana. É uma maneira de me acalmar e liberar o estresse. Observamos na
conclusão do trabalho que o preparo psicológico do professor, aluno e
direção da escola é algo a ser perseguido com determinação, para um melhor
desenvolvimento do ensino-aprendizagem. baseado nosso resultados obtidos,
fomos inclusive estimulados, tanto pelos entrevistados como pela própria
conclusão do trabalho, a sugerirmos algumas medidas psicologicamente
profiláticas, contra o estresse, tais como: Informações atuais e mais
amplas sobre o tema; exercícios físicos e recreativos; repouso; viagens de
férias; diálogo mais aberto com os próprios colegas de trabalho;
alimentação anti-estresse e valorização do próprio ser como sujeito útil no
contexto social.
Palavras-chave: psicoterapia, grupo, professores de ensino médio, escola
pública.
Introdução
Na atualidade, o trabalho é considerado um dos fatores mais importantes na vida das pessoas que começam a nele ingressar cada vez mais jovens. Um indicador disso é que as pessoas ao serem apresentadas geralmente se perguntam o que fazem e onde trabalham. Na maioria das vezes é percebido como indesejado, como um fardo pesado, que acaba nos impedindo de viver. No entanto, o trabalho também percebido como algo que dá sentido à vida, eleva status, define identidade pessoal e impulsiona o crescimento do ser humano. No entanto, o trabalho pode tornar-se indesejado para alguns tipos de profissionais, justamente porque na atual conjuntura da sociedade, ele se apresenta de forma fragmentada e sem sentido, burocratizado, cheio de normas e rotinas, ou então, cheio de exigências as quais conflitam com a vida social ou familiar. Mesmo assim, a existência de adversidades é importante para o ser humano na atual sociedade, apesar de existirem fatores negativos que podem interferir na saúde e qualidade de vida do trabalhador, como é o caso do estresse ocupacional.
Hoje em dia é comum muitas pessoas adoecem por causa do trabalho, mas por outro lado verificamos que por causa dele também se adoece, dependendo do tipo de trabalho, local, condições de trabalho e etc.
Independente do sistema político, o mundo do trabalho moderno parece tomar uma configuração sentida pelo homem como mental e espiritualmente pouco saudável. Em decorrência disso, estão surgindo indicadores negativos com relação a saúde e qualidade de vida do trabalhador tais como: aumento dos índices de acidentes, surgimento de novas doenças, alcoolismo, fumo, crescente consumo de drogas, estresse, doenças cardiovasculares e perda de contato do homem com a natureza e consigo mesmo.
Bacarro (1990) mostra que as condições de trabalho não são externas ao trabalhador, e sim, formas de existência social, biológica e psicológica. São processos que demoram anos para concretizar-se como patologias específicas. O "estresse" e a fadiga não matam a curto prazo, mas minam o organismo ao longo do tempo. Por isso, se diz que a história da doença é social e não natural.
Quanto à questão dos efeitos psíquicos do labore, observa-se que quanto mais prolongada for uma jornada de trabalho, na qual o trabalhador necessite concentrar sua atenção, maior será o cansaço tanto físico quanto mental e emocional, tornando-se impossível distinguir fadiga física e mental. E quando o cansaço passa de fisiológico a patológico, quanto o repouso e o sono habituais não são capazes de superá-los nem recompor seu estado normal, surge a fadiga crônica. Resultante do cansaço acumulado, a fadiga patológica se constitui em síndrome, cujas características e sintomas são: sensação de cansaço, distúrbios de sono, mal-estar que não cede ao repouso; desânimo, perda da disposição, isolamento social, alheamento profundo da realidade familiar e social.
Pini (1978) constata que as fadigas musculares, nervosas, psicológicas e mentais, não permitem a rigor, uma nítida separação entre elas, porque, cada tipo de trabalho, físico ou de atividade intelectual, tem as suas repercussões análogas ou de diversos graus, afetam o organismo como um todo. Clinicamente, através do jogo alternado de vários fatores agressivos e das respostas da unidade orgânica e psíquica que conduzem à fadiga, é possível evidenciar-se algumas formas diferentes deste estado: fadiga patológica, aguda e crônica. Frankenhaeuser (apud SANTOS, 1992) mostra que o estresse provocado através da irritação foi mais intenso quando o trabalhador efetuava um trabalho repetitivo. A sobrecarga psíquica é acentuadamente influenciada pela sobrecarga horária, aumento da jornada de trabalho, não sendo surpreendente que a sensação de estar sendo perseguido e respostas paranóides se apareçam na vida do indivíduo, nas atitudes e condutas das pessoas.
De acordo com Santos (1995), os efeitos cumulativos que agem sobre os trabalhadores podem ser apontados como sistema nervoso abalado, problema de ordem auditiva, calor, abafamento, aflição, barulho, conflitos que permeiam o seu relacionamento.
Ainda de acordo com o mesmo autor, a insatisfação e a insegurança do emprego, contribuem bastante para aumentar a sobrecarga psíquica. O esgotamento nervoso é proveniente do ritmo de trabalho desregulado de cada pessoa. A tensão nervosa é uma das formas de desgaste oriunda da intensidade da produção. A neurose representa uma doença de difusão entre os trabalhadores especializados.
Dejours (1988) evidencia que o medo e a ansiedade são oriundos do
ritmo forçado de trabalho ou dos riscos das condições de trabalho que
destrói a saúde física e mental dos trabalhadores. O medo é uma das causas
importantes da inadaptação profissional, uma vez que inibe e tolhe qualquer
manifestação conflitante, sempre respeitando a hierarquia. A ansiedade
participa do mesmo modo, provocando através da carga física o esgotamento
progressivo e o desgaste do trabalhador. É a seqüela psíquica do risco que
a nocividade das condições de trabalho oferecem ao trabalhador.
É importante compreender que os fatores físicos, psíquicos, sociais e
ambientais na atividade do magistério, tendo em vista que a existência de
novas demandas e tecnologias avançadas do meio ambiente vem exigindo cada
vez mais uma crescente eficiência e eficácia dos professores, os quais
acabam, por isso mesmo, desempenhando funções tanto dentro quanto fora das
escolas, no sentido de melhor desenvolver seu trabalho quando, muitas vezes
o próprio ambiente não lhe proporciona adequadamente. Por outro lado, a
maior conscientização desses profissionais tem levado a constantes
reivindicações, no sentido de um trabalho mais humano e compensador.
No caso dos professores de uma escola pública de ensino médio de
Natal, se faz necessário conhecer as condições de trabalho, ambiente,
conhecimento adequado do programa e sua flexibilidade, tal qual, condições
de atuação de transversalidade no ensino e, por fim, qualidade de vida dos
mesmos, por saber que esta é uma atividade profissional que pode
desencadear problemas de nervosismo, ansiedade, insônia e até de afecções
físicas, entre outros problemas. Por outro lado, estando o professor
consciente de que a sua saúde poderá interferir na sua produtividade, o
mesmo poderá utilizar medidas preventivas ou lutar por melhores condições
de trabalho, evitando assim, possíveis transtornos à sua saúde.
Objetivos do estudo
Desenvolver uma intervenção de escuta em um grupo entre
professores de ensino médio de uma escola pública de Natal, com a
finalidade de detectar os fatores causadores de estresse na vida diária
dos mesmos, bem como, propiciando um espaço de reflexão sobre as vivências,
experiências desses professores e como os mesmos lidam com as situações de
estresse no mundo de seu trabalho diário.
O ESTRESSE NOS PROFESSORES DE ENSINO FUNDAMENTAL
E MÉDIO DE UMA ESCOLA PÚBLICA DE NATAL/RN.
O trabalho é designado como uma atividade que altera o estado natural
(da natureza), transformando-a para melhor satisfazer suas necessidades.
Também pode ser considerado como uma atividade física ou mental que venha a
atender algum objetivo.
Conforme examina Lipp (1987) trabalho é a atividade produtiva, prática do manejo dos instrumentos essenciais a todos os ofícios, associada à teoria como estudo da própria realidade e dos elementos e princípios fundamentais das ciências.
O autor acima citado enfatiza que o trabalho é a própria forma do ser humano participar ativamente na vida da natureza, a fim de a transformar e socializar.
Laurell e Noriega (1989) salientam que o trabalho é alienado porque implica no uso deformado e deformante tanto do corpo como das potencialidades psíquicas, converte-se numa atividade cujo componente desgaste é muito maior que o da reposição e desenvolvimento da capacidade física e intelectual.
Kaplan & Sadock (1990) argumentam que a Organização Científica
do Trabalho, ao ser aplicada à produção, simplificando, padronizando as
tarefas, estreitando as qualificações, gerou a despersonalização,
acarretando na degradação e esvaziamento pela insatisfação no trabalho, em
função dos aspectos alienantes do mundo capitalista.
Definindo o estresse
O termo é usado livremente por pessoas e grupos diferentes
para exprimir significados diversos. Os médicos falam em termos de
mecanismos fisiológicos; os engenheiros, em resistência; os psicólogos, em
mudança comportamental; os consultores gerenciais, em desafio
organizacional; os lingüistas, em acento tônico; e os leigos se utilizam
desta palavra para definir quase tudo, desde as complexidades de se
equilibrar o orçamento doméstico até os problemas dos pais quanto á
orientação de seus filhos (SEYLE, 1974).
Examinando a origem da palavra, ela parece ter vindo para a língua inglesa (stress, por volta de 1100-1500) da antiga palavra francesa distress, que significava "ser colocado sob aperto ou opressão" (francês arcaico stress). Portanto, sua forma em inglês médio era distress. Ao longo dos séculos, o di se perdeu, e ficamos com duas palavras, estresse e destresse, as quais possuem hoje significados bastante diversos: um ambivalente (necessário e sob pressão) e outro sempre indicando algo desagradável.
Portanto, quanto a sua origem, a palavra estresse refere-se a aperto ou opressão de alguma espécie, e destresse é o estado em que se padece desse aperto ou opressão. Entretanto, o inglês moderno parecia necessitar de uma palavra que ficasse a meio caminho entre "pressão" e "ênfase", tendo algo das conotações potencialmente dolorosas da primeira e algo das conotações mais neutras da segunda (Albrecht, 1988).
Para Bauk (1985, p.29), o estresse "está intimamente ligado com o
sentido de mudança" e o define como o "conjunto de reações físicas,
químicas e mentais do organismo a circunstâncias que excitam, amedrontam,
confundem, colocam em perigo ou irritam", por isso, não deve ser rotulado
como bom ou ruim. O que define a rotulação de um estresse bom ou ruim, são
as condições ou sintomas físicos e psíquicos apresentados pelos
trabalhadores. Tais condições ou sintomas, poderão ser observados nos
tópicos que se seguem.
O estresse no trabalho
O impacto do trabalho e do ambiente do trabalho sobre a saúde
mental do indivíduo tornou-se tópico de crescente discussão nas últimas
décadas. Alguns autores, em revisões mais completas, focalizaram as
relações existentes entre as características organizacionais e o estresse
no trabalho e saúde física e mental (BAUK, 1J985).
Há até bem pouco tempo, o estresse ocupacional era associado aos problemas emocionais de executivos de primeira linha, com manifestações típicas em forma de úlceras, que espantosamente revestiam-se de significados de status e poder. Entretanto, com o desenvolvimento de pesquisas acadêmicas e médicas sobre o assunto, a caracterização do problema assumiu uma proporção bem mais extensa, desvendando uma nova realidade do estresse ocupacional, bem mais cruel. Já é possível afirmar que o estresse não só está presente em quase todos os contextos de trabalho, como também em todos os níveis da estrutura organizacional - do chão de fábrica ao mais alto executivo.
O estresse enfrentado pelas pessoas que trabalham é substancial. Para muitas profissões, ele é intrínseco ao próprio cargo, onde não se pode escapar às pressões e às exigências decorrentes. O simples volume de trabalho também torna-se, às vezes, opressivo, quer a pessoa seja assistente social, professora, médica ou gerente. Qualquer um que trabalhe nessas condições sabe, por experiência própria ou pela observação dos colegas, que o estresse pode ter conseqüências muito sérias. Não raro ele se transforma em um verdadeiro pesadelo, onde se corre cada vez mais rápido para se permanecer no mesmo lugar. A pessoa estressada sente-se desvalorizada, incapaz de dizer "não" a qualquer solicitação, incapaz de trabalhar de forma produtiva. Os sinais de estresse incluem insônia, dores e, algumas vezes, sintomas físicos de ansiedade quando se trata de ir ao trabalho. Não é fácil trabalhar com pessoas cronicamente estressadas, uma vez que mostram-se irritadas, sem energia nem comprometimento, absortas em si mesmas. Encontram dificuldade para se concentrar em qualquer tarefa, por isso não se pode confiar que a cumpram (ROMANO, 1993).
O referido autor salienta ainda que "cada um possui um limiar e capacidade para tolerar o estresse", no entanto, com a freqüente exposição aos fatores estressantes, o profissional passa a responder de maneira estereotipada, ou seja, o organismo desse profissional se torna incapaz de produzir resposta que o adapte de maneira favorável a essas situações. Mas não implica dizer que toda doença ocorre em decorrência do estresse. Daí a importância em reconhecer os sinais e sintomas do estresse diferenciando-os de outras doenças.
Os profissionais, na maioria das vezes, queixam-se de enxaqueca, cefaléia, palpitações, umidade nas extremidades dos membros inferiores e superiores. Ocorrendo ainda, grande propensão às doenças cardiovasculares como hipertensão arterial e problemas coronarianos; diarréia , náuseas, vômitos, pirose (sensação de queima no estomago, azia), disfagia (deglutinção difícil), aerofagia penetração de ar no estomago), meteorismo (distensão do abdômen por gases contidos no tubo digestivo), predisposição a úlceras e colite, aumento da freqüência urinária; dores nas costas, no pescoço, tiques nervosos; doenças alérgicas, dermatológicas, endócrinas, reumatológicas, predisposição à infecções em geral; alteração do sono, anemia, ansiedade, dificuldade em respirar profundamente, tonturas, depressão, diminuição da memória e do poder de concentração, cansaço fácil, alterações visuais, diminuição da libido e potência sexual. Esses sintomas ocasionam diminuição da produtividade de qualquer trabalhador, já que o acesso aos serviços de saúde torna-se difícil.
Problemas de estresse fisiológicos, psicológicos e ambientais que podem afetar os professores Para falar sobre estresse fisiológico, seria conveniente lembrar o que é homeostase. A homeostase é o equilíbrio mantido pelo organismo em seu conjunto, apesar da grande variedade de suas funções e sistemas. Esse equilíbrio homeostático pode ser alterado por estímulos, tais como calor, frio, emoções, traumatismos, esforço físico etc.
Sendo a capacidade de adaptação uma das características fundamentais dos seres vivos, a ocorrência de um estímulo provocará uma imediata reação de múltiplos componentes orgânicos (células, órgãos, tecidos) em busca do restabelecimento do equilíbrio. Selye (1974) chamou a isso de Síndrome Geral de Adaptação. Também pode ser considerada como o estado de um organismo ao reagir a um agente de agressão (agressor) qualquer: ferimento, infecção, esforço, dor etc. Qualquer que seja o agressor, o estresse manifesta-se por uma síndrome geral , interessando especialmente: hipotálamo, ante-hipófise, córtico-supra-renais, timo, tubo digestivo. Esse estado evolui em função da intensidade e duração (ou repetição) da agressão (PINI, 1978).
Portanto, o estresse fisiológico é um mecanismo da maior importância na sobrevivência do ser humano. É o nosso melhor amigo, porque é baseado em substâncias hormonais de alta densidade, de qualidade exuberante, que levam o indivíduo a reagir, num determinado momento, diante de um desafio, com todas as suas forças.
Para Albrecht (1988), não existe desempenho sem estresse. O estresse é benéfico. Mas se for levado às últimas conseqüências, vira a pior arma que existe, no conceito de saúde. O estresse, em alta densidade, chega a destruir suas moléculas básicas, da proteína essencial. Um estresse permanente acaba com tudo. Ele pode gerar um câncer, e todas as doenças, desde uma Para o referido autor, a sobrecarga de trabalho, causada pela designação de muitas tarefas com prazos curtos para sua execução, e com muitas interrupções, a ambigüidade de prioridades, o nível de autoridade e de autonomia, a incerteza quanto ao futuro, o convívio com colegas insatisfeitos são fatores estressantes relacionados ao stress ocupacional. estresse pode ser um agente desencadeador de: doenças cardiovasculares; obesidade; diabetes; afecções cutâneas; úlceras; gastrites; o sistema imunológico; tabagismo; distúrbios mentais; insônia; abuso de medicamentos; lombalgias e cefaléias; problemas sexuais; fadiga física e mental; e tensão muscular.
Dentro do estresse psicológico certo níveis parecem benéficos, uma vez que podem renovar, nosso interesse pela vida, ajudar-nos a pensar mais rápido e a trabalhar com mais afinco, e nos incentivam a nos sentir úteis e valorizados, com finalidades e objetivos definidos a atingir. Quando o estresse ultrapassa os níveis ótimos, porém, ele esgota nossa energia psicológica, prejudica nosso desempenho e, muitas vezes, faz- nos sentir inúteis e desvalorizados, com finalidade reduzida e objetivos inatingíveis.
Em termos dos efeitos psicológicos, benéficos ou prejudicais do estresse nos professores, o primeiro se aplica até certo ponto, durante a fase de resistência (o ponto exato depende das avaliações cognitivas, pelo indivíduo, da utilidade do estressor, e de suas forças de resistência e sua necessidade de desafios), e o segundo assume o controle durante a fase de exaustão (IMBERNON, 1990). Esses efeitos prejudiciais variam de indivíduo para indivíduo, mas os mais importantes podem ser resumidos em efeitos ligados a pensamento e conhecimento (efeitos cognitivos), efeitos ligados a sentimentos, emoções e personalidade (efeitos emocionais) e efeitos relacionados igualmente a fatores cognitivos e afetivos (efeitos comportamentais gerais). Lazarus (1966) nos mostra na teoria e na prática que o objetivo do estudo do estresse focaliza-se na avaliação cognitiva e adaptação do indivíduo a essa nova realidade.
Um rápido olhar como tentativa de entender o estresse psicológico através da análise de como as pessoas avaliam o significado do encontro do seu próprio bem-estar. De modo similar, uma análise também sobre a teoria das emoções, de alguma forma, um assunto mais amplo, pois parece que as emoções, assim como estresse psicológico, são produtos de como as pessoas interpretam as mudanças, momento a momento. Há, entretanto, uma implicação nessa maneira de pensar sobre emoções, o que implica em terapia particular. Ocasionalmente nem todo mundo procura,por ajuda terapêutica individual, mesmo assim um outro episodio pode aliviar o estresse. Segundo a teoria transaccional, a condição de estressor depende do tipo de avaliação que a pessoa faz da situação, da sua vulnerabilidade à mesma, ou seja, das suas características individuais e das estratégias de coping.
Dentre os efeitos psicológicos que podem afetar o desempenho
acadêmico dos professores, Lipp (1987, p. 91) aponta os cognitivos, os
emocionais e os comportamentais.
a) Efeitos cognitivos do excesso de estresse
- decréscimo da concentração e da extensão da atenção;
aumenta a desatenção;
deteriora-se a memória de curto e longo prazos;
a velocidade de resposta torna-se imprevisível;
aumenta o índice de erros;
deterioram-se os poderes de organização e planejamento a longo prazo;
aumentam as ilusões e os distúrbios de pensamentos.
b) Efeitos emocionais do excesso de estresse
aumentam as tensões físicas e psicológicas;
aumenta a hipocondria;
ocorrem mudanças nos traços de personalidade;
crescem os problemas de personalidade existentes;
enfraquecem-se as restrições de ordem moral e emocional;
aparecem a depressão e a sensação de desamparo;
auto-estima diminui de forma aguda.
c) Efeitos comportamentais gerais do excesso de estresse
- aumentam os problemas de articulação verbal;
diminuem os interesses e o entusiasmo;
aumenta o absenteísmo;
cresce o uso de drogas;
abaixam os níveis de energia;
rompem-se os padrões de sono;
- aumenta o cinismo a respeito dos alunos e colegas;
Além do estresse físico e psicológico, também devemos levar em consideração os fatores ambientais que podem afetar o desempenho dos professores. Nesse caso, é importante atentar tanto para os problemas internos quanto externos do ambiente que podem levar ao estresse, quanto às nossas capacidades pessoais. Como reagimos ao estresse e como nossas reações podem ser modificadas de acordo com as necessidades do meio ambiente. Devemos ainda reconhecer, desde o início, que, assim como as exigências podem variar de uma situação para outra, também as capacidades podem variar de uma pessoa para outra, ou na mesma pessoa, de um dia, mês ou ano para o outro.
Segundo Couto (1987), qualquer pessoa estressada deve atentar, em primeiro lugar, para o ambiente, a fim de identificar as exigências que lhe estão sendo impostas e saber se elas podem ser alteradas ou reduzidas de alguma forma; e, em segundo lugar, para si mesma, para saber se as reações pessoais a essas necessidades também podem ser modificadas, aumentando assim a capacidade ou fazendo melhor uso daquela já disponível. Se, por outro lado, estivermos entediados ou desestimulados, precisaremos identificar quantas exigências adicionais do ambiente podemos suportar e como podemos ampliar nossa capacidade de estímulo por aquelas já existentes.
O estresse é um fato natural e inevitável na vida diária das pessoas. Em comunidades subdesenvolvidas, a influência do estresse pode estar relacionada principalmente à necessidade de sobrevivência no meio ambiente. Por exemplo, encontrar comida e abrigo ou encontrar segurança e um parceiro para procriar a espécie. Em culturas desenvolvidas, em especial aquelas do mundo ocidental moderno, os estressores costumam ter pouca relação com a sobrevivência básica e mais com o sucesso social, com a criação de padrões de vida sempre elevados e com a satisfação de nossas expectativas e da dos outros.
Algumas pessoas podem gostar também de pressionar outras, e isto deve ser considerado ao se desenvolver estratégias para lidar com colegas e superiores no trabalho. Agir como um estressor para os outros pode aumentar a sensação de poder de um indivíduo e seu prestígio pessoal, ou pode simplesmente despertar o sadismo que existe nele por mais que tente racionalizar, justificando-se com conversas de manutenção de padrões e de "obtenção do melhor" das pessoas.
No caso dos profissionais da educação, mais especificamente os professores de escolas públicas e privadas, as relações interhumanas estão se tornando cada vez mais difíceis nas salas de aula, pois os alunos - que na maioria das vezes precisam trabalhar para ajudar com as despesas da casa ou quando não têm alimentação vão para a escola apenas para comer - tornam- se desinteressados. Por outro lado, os empregadores (Estado) não oferecem condições dignas de trabalho; a falta de material é clara e evidente, os salários são irrisórios, levando-os a trabalharem em várias escolas para sustentarem suas famílias; não há políticas sócio-econômicas decentes (KILIMNIK, 1996).
De acordo com a literatura que norteia essa investigação, observa-se que as dificuldades encontradas pelos professores no desempenho de seu trabalho pode ocasionar transtornos físicos e psíquicos, diminuindo o seu rendimento no trabalho.
Lipp (1991, p. 104) cita que "a falta de treinamento do profissional, má chefia ou direção, ambiente físico pequeno e com ruídos, má iluminação, trabalho repetitivo e de responsabilidade com exigência e pressão", correspondem exatamente ao dia-a-dia do professor.
Daí, como o estresse não é fantasia, ou seja, existe e pode levar a
conseqüências sérias, é necessário utilizar medidas preventivas como:
alimentação adequada, relaxamento (diminuindo a ansiedade e tornando o
indivíduo emocionalmente melhor e com isso interagir adequadamente nas
situações e atividades físicas.
Caracterizando a atividade docente
A capacitação pessoal (psico-social) dos cidadãos para atuar eficiente e criticamente na sociedade, é uma exigência essencial das sociedades avançadas.
A medida que a sociedade atual pós-industrial e informatizada adquire maiores índices de desenvolvimento, requer de seus membros níveis mais elevados de conhecimentos, e para contraste e complemento, faz-se imprescindível uma preparação global e intensa daqueles que são responsáveis pela incessante transformação das atividades laborais, científicas e tecnológicas. Essa preparação global e intensa faz parte da formação daquelas pessoas cuja tarefa consiste em educar e transmitir conhecimentos aos outros (POPKEWITZ, 1997).
Este tipo de profissional é caracterizado como professor, o qual Torre (1993, p. 285) o define como: " profissional do ensino cujas funções principais são: planificar, desenhar, aplicar e avaliar currículos; motivar para a aprendizagem; tutorar ao aluno e orientar aos pais e alunos sobre o rendimento dos mesmos, e por último, melhorar sua prática docente através de uma formação permanente". Em princípio, o estresse do professor, no Brasil, parece estar relacionado ao salário não-digno, à precariedade das condições de trabalho, ao alto volume de atribuições burocráticas, ao elevado número de turmas assumidas e de alunos por sala, ao mau comportamento desses alunos, ao treinamento inadequado do professor diante de novas situações e emergências da época. O professor sofre, ainda, com as pressões de tempo, pressões dos pais dos alunos e de suas preocupações pessoais extra-escola.
A formação do professor é uma forma natural de ser e assumir-se como tal, tornando-se no seu cotidiano, uma trajetória permanente a fim de responder as contínuas e cada vez mais complexas demandas dos outros com relação ao seu ser pessoal e sua interação social.
O professor é um tipo de profissional que prepara os alunos e futuros profissionais para alcançarem um estilo novo de aprender e exercer sua profissão, este novo estilo se concretiza através de diálogos ou relações comunicativas em torno de conhecimentos formalizados em disciplinas, que contribuem para a aquisição de modos formativos de pensar e atuar.
O que uma sociedade tecnológica demanda ao profissional da educação (professor) dentro de sua formação inicial e permanente, é uma oferta clara sobre o modelo de homem-educado e nova comunidade no processo de formação, que haverá de preparar para enfrentar aos desafios do próximo milênio. O professor precisa de uma reflexão profunda sobre o sentido, orientação e modelo que haverá de responder através de uma ótima formação nas demandas do presente e do futuro (IMBERNON, 1994).
Estes tipos de desafios pelos quais passam os professores, podem levá-los a realizarem tarefas que na realidade requerem esforços não só mental, mas também, físicos, que por sua vez, poderão desencadear fatores de estresse físicos e psíquicos.
A compreensão básica do estresse, seus sinais, fontes e sintomas, aumentará as chances de fazer a escolha apropriada das soluções e aplicá- las em nossas vidas pessoais e profissionais. Este tipo de atitude nos ajudará a melhorar a saúde e a qualidade de vida, tanto nossa como a dos que nos cercam (COUTO, 1987). Romano (1993) diz que o estresse, presente na maioria dos indivíduos, é um dos grandes responsáveis pela baixa qualidade de vida e infelicidade das pessoas. Nesse sentido, devemos ajudá-las a compreender que o homem traça seu próprio caminho, podendo modificá-lo. Esta é a chave para a felicidade individual e, conseqüentemente, de todo um grupo.
Diante dos autores consultados, verifica-se que existe uma vasta
sintomatologia do estresse que pode ser desencadeado nos professores e
demais profissionais, que vai desde os aspectos físicos até os mentais e
ambientais. E vale ressaltar que estes sintomas são sentidos,
diferentemente, pelos indivíduos, uma vez que alguns manifestam poucos
sintomas e outros mais. Além disto esta vulnerabilidade psicológica varia,
conseqüentemente, de acordo com a estrutura psíquica de cada um.
Metodologia
O presente trabalho caracteriza-se como um estudo de casos, de cunho
interventivo, o qual levou em consideração as semelhanças e/ou diferenças
dos relatos entre as diversas pessoas que fizeram parte do grupo analisado.
Este método realiza comparações com a finalidade de verificar similitudes e
explicar as diferenças entre os grupos e sociedades existentes de iguais ou
de diferentes estágios de desenvolvimento (BISQUERRA, 1989).
População Alvo do estudo
Esta é uma amostragem não-probabilística por acessibilidade, uma vez
que fizeram parte da mesma, os professores que se propuserem de livre e
espontânea vontade a participar do presente trabalho, e que ministram aulas
no ensino médio de uma escola pública de Natal/RN.
Desenvolvimento do trabalho
Em primeiro foi desenvolvido um projeto de estudo de acordo com o
objetivo especificado, posteriormente o projeto foi submetido à apreciação
da orientadora deste estudo, e a partir de então, foi feito um contato com
a direção da escola escolhida, solicitando autorização da direção para
realizar o trabalho com os professores, levando-se em consideração o dia e
horário mais adequado, para que não se interferisse na atividade
profissional dos mesmos.
O trabalho desenvolveu-se através da apresentação dos alunos de psicologia e explanação de forma sucinta sobre o tema abordado, bem como, explicações sobre os procedimentos a serem adotados no desenvolvimento do trabalho, o que implica em uma forma de contrato.
Nas quatro sessões realizadas, foram abordados e anotados
aspectos tais como: influência do estresse no desempenho da atividade
profissional; conhecimento dos professores sobre o estresse; a existência
de sintomas de estresse físico, psicológico e ambiental; e se as
intervenções realizadas durante as sessões ajudaram na utilização de
estratégias para combater o estresse no dia-a-dia de trabalho.
ANÁLISE DIAGNÓSTICA DAS INTERVENÇÕES
O presente trabalho se caracteriza como um estudo de casos, uma vez que fizeram parte de uma intervenção psicoterapêutica (composta de quatro sessões), sobre problemas de estresse, 16 professores de ensino fundamental e médio de uma Escola Estadual de Natal/RN. Primeira intervenção. Cada um falou sobre sua atividade ocupacional Houve a apresentação dos mediadores da intervenção psicoterapeutica e a seguir, os professores se apresentaram, onde cada um falou sobre os problemas que sentiam no trabalho e nos demais afazeres do dia-a-dia, conseqüentemente, tais atividades os deixavam estressados.
Dentre os vários
comentários feitos pelos mesmos, verificam-se problemas tais como:
indisciplina dos alunos em sala de aula, e quando chamam os pais para
conversarem, os mesmos afirmam que os filhos não têm problemas de
comportamento em casa; a sobrecarga de trabalhos, ou seja, trabalhos que
levam para casa, além do horário normal de sala de aula (exercícios,
provas, etc); a remuneração não corresponde com a atividade profissional,
em conseqüência, os professores procuram outras atividades para
complementares o salário, o que provoca certa tensão, desencadeando o
estresse; as atividades estressantes, por sua vez, provocam deficiências
orgânicas, como é o caso da hipovitaminose; cobrança exagerada na
concretização de atividades que na maioria das vezes, não dependem dos
mesmos; nas horas de intervalo, que dura 20 minutos, os professores não têm
um ambiente apropriado para relaxarem, no caso de uma música ambiente; não
existe espaço para extravasarem o que sentem no espaço de trabalho (engolem
os problemas, ficam engasgados); a falta de condições de trabalho (recursos
didáticos) provocam certa irritabilidade; alguns sentem-se frustrados por
não haver estímulo para que façam cursos de formação continuada; um dos
professores falou que alivia o estresse tocando e ouvindo músicas
clássicas.
Segunda intervenção
1. Procurou-se saber de cada professor, se ele se considerava uma pessoa
estressada.
Dentre os 16 professores questionados, apenas um comentou que não se considerava uma estressa porque quando chegava em casa procurava conversar com o marido e desabafava os problemas de trabalho, enquanto que os demais, foram unânimes em afirmar que tinham estresse.
2. Caso afirmativo, que sintomas ele notava no seu dia-a-dia.
Os professores que afirmaram passarem por vários problemas que ocasionavam estresse tais como: o problema de indisciplina em sala de aula irritava bastante a professora que chegou ao ponto de dar um grito, após o grito, a professora relatou que funcionou como um desabafo e ficou mais calma. Salientou ainda que quando ficava irritada, sentia um aumento do batimento cardíaco; o problema crucial é o tempo, o corre-corre ocasiona o estresse e não tem tempo para se preocupar com os fatores desencadeadores de estresse e nem procura amenizar tais problemas; sente agitação quando está preocupada e procura controlar os problemas de trabalho e fator financeiro que provocam todo tipo de estresse nas pessoas; fica irritada com as conversas paralelas dos alunos em sala de aula e procura amenizar a situação através da aplicação de testes em sala de aula; a indisciplina incomoda e é um dos principais fatores que interferem emocionalmente deixando os professores frustrados, irritados, alguns dizem que a pressão sobe por terem problemas de hipertensão, e que nesses casos procuram tomar remédios e controlar a alimentação; a maioria dos professores reclamou das condições precárias das salas de aulas e de alguns ambientes da escola, ou seja, infra-estrutura inadequada para um bom desempenho de suas atividades; professores em sua maioria, alegaram terem problemas de gastrite, hipertensão, depressão, angústia, também teve problema de aumento da artrite reumatóide (inchaço provocado pelo estresse), esses fatores foram ocasionados pelos problemas apresentados em sala de aula (indisciplina dos alunos), e até mesmo sobre problemas administrativos, segundo comentários dos mesmos; outros procuram não se estressar por reconhecerem que têm problemas de saúde, evitando discussões, procuram sempre se policiar; também foi comentado que aliviam o estresse ocasionado pelo trabalho, no seio familiar, porém ficam preocupados com os problemas dos filhos.
Terceira intervenção. Como os professores lidam com os problemas do
estresse no dia-a-dia.
Nesta sessão, buscamos ouvir os comentários dos professores de como eles
lidavam com os problemas do estresse, ou seja, como eles procuravam ou de
que forma amenizavam o estresse acumulado no dia-a-dia de atividade.
A forma com a qual os professores lidam com os problemas do
estresse, mostrou-se diversificada, embora tenha sido no mesmo ambiente de
trabalho e a mesma profissão. Então vejamos os seguintes depoimentos:
" Eu particularmente acho que não sei lidar ainda com problemas de
estresse. É como se eu ficasse esperando o que vai acontecer, enquanto me
sinto estressada";
Eu, normalmente sou uma pessoa calma e como sou músico, uso a música como terapia e aconselho às colegas fazerem a mesma coisa";
" Depois que eu chego em casa e desabafo sobre os problemas do dia, fico mais relaxada e vejo que as coisas não são tão complicadas assim";
" Quanto a mim, confesso que não consigo lidar com o estresse ainda, mesmo sabendo que tenho que fazer alguma coisa pra melhorar minha auto-estima";
" Parece engraçado, mas não é. Quando os alunos estão gritando em sala de aula, por exemplo, perco a calma e dou um ou dois gritos também e depois fico calma. Não é um método que aconselho pra ninguém, mas comigo funciona";
" Sofro calada, faço de conta que tudo está bem, mas só eu sei como me sinto por dentro;
" Eu procuro extravasar batendo pelada no final de semana. Já é uma maneira liberar o estresse";
" Estou aprendendo a lidar melhor com o estresse procurando não tornar o problema maior do que ele parece. E o principal, estou vendo que muitas outras pessoas realmente têm problemas bem maiores do que eu e nem sempre se sentem piores";
"Eu sinto vontade de comer compulsivamente";
" Já eu perco o apetite completamente e passo a me alimentar muito mal quando estou estressada:"
" Recorro a Deus pra resolver meus problemas, pois sei que sou capaz de resolver todos eles";
" Procuro assistir desenhos animados nos finais de semana. É uma maneira de me acalmar e liberar o estresse";
Quarta intervenção. Utilização de estratégias para combater ou amenizar o estresse Procuramos ouvir de cada um, se as intervenções realizadas durante as três sessões ajudaram a amenizar ou mesmo se conscientizarem em utilizar estratégias para combater o estresse no dia-a-dia de trabalho.
O seguinte resumo demonstra depoimentos comuns a todos os professores:
" Agora, depois de nossas reuniões, fiquei mais tranqüila em relação a enfrentar o problema de estresse. Estou me sentindo mais calma";
" Comecei a caminhar três vezes por semana no anel viário do Campus Universitário. Estou me sentindo bem melhor, embora tenha começado a pouco tempo";
" Procurei ler tudo o que encontrei sobre estresse; conversei com diferentes pessoas a respeito e agora com as informações que tenho, sinto que lido bem melhor com a situação";
Serviu para me conscientizar que preciso procurar algum meio para desabar meus problemas;
" Passei a fazer exercícios físicos recreativos e me sinto muito bem. Não sei como não pensei nisso antes ";
Foi bom porque sabemos que temos estresse e não procuramos uma forma de eliminá-lo;
" Deixei dois outros empregos que tinha.Passei a ganhar menos, mas tenho mais sossego e concentração nas minhas aulas";
Foi interessante porque vimos a necessidade de resolvermos nossos problemas de forma mais direta com as pessoas envolvidas;
Foi muito bom porque colocamos muita coisa quê estava acumulada para fora;
"Antes eu não tinha horário pra me alimentar. Comia qualquer hora ou não comia nas horas que devia. Resolvi seguir os horários certos de alimentação e agora me sinto menos estressado";
Foi bom para que possamos refletir sobre o estresse do dia-a- de trabalho;
Conclusão
É bom ressaltar que o estresse em si mesmo não é um mal, ou uma doença, patologia. "É a condição adaptativa do organismo e do psiquismo humano funcionando à sua maneira", como observou, pela primeira vez, Hans Selye (1974). Mas o estresse pode ser a ante-sala de possíveis doenças (patologias), ou melhor, de doenças psicossomáticas, como conseqüência de um modo errado de viver.
A ansiedade do professor está ligada à indisciplina, ao desinteresse dos alunos e às dificuldades de aprendizagem. É necessário reconhecer o despreparo e a pouca consciência quanto ao "que fazer" dos professores para se prevenir quanto ao estresse e suas conseqüências psíquicas e somáticas. Temos observado, em conversas, que suas queixas mais freqüentes vêm confirmar a pesquisa acima, isto é, essas queixas se prendem não apenas ao já conhecido e antigo problema do salário inadequado. Parece que o estresse dos professores está mais relacionado à sensação de que seu trabalho não é recompensador; à frustração quanto ao rendimento da turma; à indisciplina; ao desrespeito; à desconsideração e desvalorização do trabalho do professor pela sociedade. Em nossa escuta, constantemente, nos deparamos com a queixa de que o status profissional do professor, ou melhor, o poder aquisitivo tem diminuído consideravelmente. Também pesa o fato de que as oportunidades de ascensão nessa carreira são limitadas. Por outro lado, ainda existe a dificuldade de se cumprirem metas previamente traçadas, devido às precárias condições pedagógicas, tais como: excessivo número de alunos por sala, condições físicas inadequadas, falta de apoio técnico, material didático pouco adequado às diferentes realidades, novos e emergentes problemas próprios de nossa época e a falta de preparo psíquico dos professores para enfrentá-los.
Em relação ao ambiente da escola, o que podemos observar, de certa forma se assemelhou à teoria de Lazarus (1966), no que diz respeito à trans-ação que o ser humano percebe e avalia na questão do ambiente da escola (a infra-estrutura, recursos humanos e aluno) e o estresse, e o que ambos causam, pois sentir-se estressado depende tanto da demanda do meio externo como de nossos próprios recursos para enfrentá-los. E isso foi perfeitamente constatado ao analisar o depoimento de cada um.
Observamos na conclusão do trabalho que o preparo psicológico do professor, aluno e direção da escola é algo a ser perseguido com determinação, para um melhor desenvolvimento do ensino-aprendizagem.
Não se trata de oferecer tratamento psicoterápico aos professores no espaço da escola (ou nos núcleos de educação), mas há que se pensar num serviço de prevenção aos freqüentes distúrbios psicológicos nos professores decorrentes de situações intra-sala.
Ficou claro, não só no início como também ao longo do desenvolvimento de nosso trabalho que, não se constituiu objetivo fazermos uma intervenção psicoterapeutica, no entanto, baseado nosso resultados obtidos, fomos inclusive estimulados, tanto pelos entrevistados como pela própria conclusão do trabalho, a sugerirmos algumas medidas psicologicamente profiláticas, contra o estresse, tais como: Informações atuais e mais ampla sobre o tema; exercícios físicos e recreativos; repouso; viagens de férias; diálogo mais aberto com os próprios colegas de trabalho; alimentação anti-estresse e valorização do próprio ser como sujeito útil no contexto social.
SUMMARY: This is a study of cases that had as objective, to develop an intervention psychotherapeutic of it listens in a group of 16 teachers of medium teaching of a public school of Natal, with the purpose of detecting the factors stress caused in the daily life of the same ones, as well as, propitiating a reflection space on the existences, those teachers' experiences and as the same ones they work with the stress situations in the world of your daily work. The intervention was accomplished through four sessions, where relationship problems were presented with companions, physical infrastructure of the choice, the environment (noise, lacks of space for rest, sound adapts), amount of students in class room and it demoralizes, and such problems left stressed them. Among the principal symptoms, they were approached irritation, breathlessness, high pressure, depression, anguish, nervousness, will of screaming etc. When questioned on what they did for us to soften such problems, they alleged not to know to work with stress problems, it uses the music as therapy and I advise to the friends to do the same thing, after it arrives home it tries to let off steam, it screams with the students being calmer, it tries to pass beating skinned in the weekend. It is already a way to liberate the stress, it is learning how to work with the stress, it loses the appetite and it feeds badly, it feels will of eating compulsion, it tries to attend cartoons in the weekends. It is a way to calm down and to liberate the stress. We observed in the conclusion of the work that the teacher's psychological preparation, student and direction of the school is something to be pursued with determination, for a better development of the teaching-learning. Based our obtained results, we were stimulated besides, so much for the interviewees as for the own conclusion of the work, we suggest her some measured psychologically prophylactics, against the stress, such as: Current and wider information on the theme; physical and recreational exercises; rest; trips of vacations; dialogue more open with the own work friends; feeding anti-stress and valorization of the own to be as useful subject in the social context.
Key-words: psychotherapy, group, teachers of medium teaching, public school.
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